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Ganhei o diploma e perdi o emprego. E agora?

Veja como fazer para conseguir uma oportunidade ao final do estágio

Publicado em 11/07/2008 - 14:30

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Por Marcel Frota

Quando a então estudante Luciane Yuri Nagatomo, 22 anos, decidiu estagiar no Metrô de São Paulo, ela tinha uma certeza: não seria efetivada. Não se tratava de insegurança em relação ao seu potencial dentro da empresa. É que o Metrô, como empresa pública, só contrata efetivos por meio de concurso e ela sabia disso. Mas a perspectiva de trabalhar com prazo de validade não a desestimulou. Entretanto, não são todos os estudantes que estagiam que têm a certeza e a visão que Luciane teve. Levantamento feito pela Abres (Associação Brasileira de Estágios) revela que há 1,1 milhão de jovens estagiando no Brasil. Muitos deles não têm a mais remota noção do futuro quando se formarem. Muitos, assim como Luciane, perdem o posto quando ganham o diploma e ficam desempregados. Será que é possível saber vagamente quais os planos que as empresas têm para seus estagiários? E o que fazer, caso não haja plano algum?

Com 12 anos de experiência na área de gestão profissional, Sidnéia Palhares, gerente da divisão de efetivos da Gelre, empresa que recruta profissionais de diversas áreas, aconselha que os estagiários procurem observar os sinais para saber se haverá ou não uma chance de conseguir ser efetivados. "O estagiário precisa definir primeiro se gosta ou não da atividade que exerce. Depois precisa ficar atento e saber se cabe mais um na empresa ou se pode ser aberta mais uma vaga. Também precisa observar se alguém vai se desligar da empresa e assim abrir uma vaga para possível efetivação", afirma Sidnéia.

Além de ficar atento, Claudia Monari, consultora do Career Center, empresa especializada em gestão de carreiras, acredita que o estagiário deve pedir regularmente um retorno sobre seu desempenho na empresa. Ela reconhece que, assim como aconteceu com Luciane, muitas empresas deixam claro quais serão os planos para o estagiário bem antes de colocá-los em prática. "Acho que é um processo que começa na contratação. Muitas empresas colocam isso claramente no processo de seleção dos estagiários", explica ela. E o que levaria um estudante a topar o estágio mesmo sem qualquer chance de efetivação? No caso de Luciane, foi uma questão de oportunidade. "Não me preocupei, porque o Metrô de São Paulo é uma grande empresa e me pareceu uma boa oportunidade de aprender. Além disso, durante a entrevista, gostei da pessoa que seria minha gestora", conta Luciane.

Caso o estagiário não tenha certeza sobre qual será seu destino na empresa depois da formatura, Márcia aconselha atitude. "Acho que quando o estudante estiver a dois meses de se formar, deve procurar seu gestor e se certificar dessa situação. Se realmente não houver possibilidade de efetivação, ele deve pedir a ajuda do gestor e explicar que deseja ir para o mercado procurar uma vaga. Nesse momento o gestor pode contribuir com indicações", explica Cláudia. "Creio ser importante o acompanhamento a cada dois meses. O estagiário pode pedir um retorno sobre o trabalho dele. Não deixar isso para o final, mas ir acompanhando justamente para não ter surpresas no final", completa.

De acordo com Sidnéia, procurar o gestor é fundamental para ter clareza sobre o futuro e evitar ansiedades e incertezas em relação ao que virá depois da graduação. "Se o estagiário não percebeu isso, ele pode conversar com o superior. Mas é preciso jeito nessa conversa. Não pode ser arrogante ou colocar o chefe contra a parede. Essa conversa pode começar sobre a proximidade de sua formação, ou sobre o fato de estar no último ano e querer saber a respeito do término do estágio. Dizer que gostaria de conhecer a opinião da empresa a respeito dele. Perguntar se a empresa tem um cargo para ele. E se oferecer, se vender", declara ela.

A gerente da Gelre lembra ainda que, antes de pensar em efetivação ou se desesperar com uma possível dispensa, o estagiário deve avaliar se aquela atividade é de fato o que ele busca profissionalmente. "É necessário ver se a atividade do estágio tem a ver com a sua formação. Porque é notório que o mercado faz isso, ou seja, usa a mão-de-obra do estagiário para suprir a carência de um profissional. Então precisa ver, é a sua área? Você gosta de fazer aquilo? Quais são os resultados do que você faz? É pró-ativo? O estagiário pode ser criativo e isso é muito bem-vindo. Se ele tem essas posturas, a empresa vai olhar para ele de maneira diferente. São sinais claros", acrescenta Sidnéia.

Quando a resposta é NÃO

Se depois de algum período no estágio o estudante conseguir ser efetivado, terá pela frente um novo desafio e precisará se adaptar à mudança. Mas o que fazer se a resposta for negativa? Nesse momento é preciso ter calma e se concentrar de maneira equilibrada para poder sair em busca da sua oportunidade. Ser preterido não significa atestado de incompetência. "Não significa necessariamente que ele seja incompetente, mas que na empresa talvez não tenha vagas. Muitas vezes o quadro da empresa está completo, então não há possibilidade de contratação. Quando se fala em abrir uma nova vaga, significa mexer no orçamento, nos investimentos da companhia. Nem sempre a empresa comporta mais um profissional. Ainda que o salário seja de R$ 2 mil, o custo para empresa pode ultrapassar o dobro disso", afirma Sidnéia.

Por isso mesmo, o recém-graduado não deve se sentir inseguro ao batalhar seu novo emprego por estar com o peso da dispensa. Na opinião da consultora do Career Center isso não vai influenciar o responsável pelas contratações da nova empresa se o motivo da saída do estágio não estiver relacionado com má atuação. "Não influencia se o motivo da não contratação não foi por desempenho. Tem muita empresa que usa estagiário como mão-de-obra barata e o mercado sabe disso. Por isso, não ser efetivado não é algo tão traumático", garante Marcia. Luciane engrossa o coro e diz que, embora tenha sido questionada durante um novo processo de seleção, não teve problemas para continuar o processo quando explicou a causa da saída. "Todos perguntaram, mas também aceitaram meu argumento. Acho que depende da resposta, depende muito do motivo da saída", diz Luciane, que atualmente já está empregada numa empresa exportadora.

Então, se o estagiário receber um não como resposta pode ir procurar emprego imediatamente? "Desde que deixe isso claro para o gestor. Explique que, diante da impossibilidade de efetivação, pretende deixar seu currículo no mercado", diz Márcia. Sem essa combinação com o gestor, Sidnéia alerta que o estagiário não deve cometer o erro de sair a procurar sua vaga no horário de trabalho e largar mão de suas obrigações na empresa em que está. "Não dá para procurar emprego enquanto trabalha. Isso é errado e antiético. Mas tem aquela coisa: a pessoa trabalha o dia inteiro e à noite estuda, então quando vai procurar emprego? Quando ele se desligar da empresa, terá todo o tempo para se dedicar a isso", aconselha ela.

Sidnéia também dá um conselho para quem passa pelo problema de não ter sido efetivado. "O estagiário deve acreditar que sempre pode. Do contrário acaba por levar uma carga negativa para a outra empresa e aí já entra com postura de derrota", alerta ela. Perguntada se é mais fácil conseguir um emprego enquanto ainda se está empregado, ela fala mais a respeito da postura que o candidato deve manter para ter sucesso. "Se é verdade ou não isso, não sei. Mas quando está empregado você está numa situação melhor. Você vai para a entrevista se sentindo mais valorizado. Quando você é demitido, se sente rejeitado. Imagina que não serve para a empresa. Muitas vezes isso não é verdade, mas de qualquer forma o profissional já se sente rejeitado. Então ele vai para a entrevista pensando na demissão, já se envolve com esse sentimento e isso se reflete até mesmo no seu aspecto físico. Fica de olhos baixos, ombros baixos, parece que o mundo está nas suas costas e o entrevistador percebe", diz Sidnéia.

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