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Mercado de Trabalho
Por Renata Aquino
O mercado de agronegócios não é a primeira idéia no horizonte de profissões de um vestibulando. No entanto, o mercado é um dos que mais cresce no Brasil e a absorção de profissionais de novas áreas torna o mercado de agronegócios cada vez mais interessante como perspectiva de longo prazo.
Como entrar nesse mercado, qual a formação específica necessária e qual o tamanho do mercado de agronegócios no Brasil são informações que o profissional iniciante precisa obter logo de início. A boa notícia é que a expansão deste mercado tem sido tão boa que gerou uma série de efeitos colaterais positivos para quem está na área.
"O mercado está em transformação, exige a participação de outras áreas que antes não tinham tanto interesse por agronegócios", conta o professor da FGV-PR, Robson Gonçalves. Além de agrônomos e veterinários, o mercado de agronegócios têm se voltado cada vez mais para profissionais envolvidos no processamento de alimentos, setor industrial.
"Profissionais na área de planejamento logístico, marketing e comércio exterior são cada vez mais necessários para agronegócios", conta o professor da FGV. O aumento das exportações determinou o perfil do novo profissional, que deve entender bastante de mercados financeiros e dominar a transação em moeda estrangeira, além de fluência em idiomas.
O mais interessante na expansão do mercado é a atração que os jovens urbanos sentem agora pelo mercado. "Estamos chegando a uma época em que as propriedades agrícolas, principalmente no centro-sul, estão chegando à terceira geração de proprietários. Estes, não se acham muito motivados para manter o negócio, então preferem migrar para os centros urbanos. Já os jovens urbanos, deixam as metrópoles para substituir esses proprietários, em uma nova era de gerenciamento", conta o professor da FGV-PR.
A indústria da alimentação é a maior responsável pelo novo paradigma de gerenciamento. Tradicionalmente, a indústria de processamento de alimentos tinha uma pequena participação no PIB brasileiro. É grande a produção in natura mas mudanças já estão sendo apontadas. "Os recém-formados em carreiras como engenharia de alimentos, têm papel importante tanto no campo quanto nas grandes cidades no crescimento destas indústrias", afirma o professor.
Carências significativas
As áreas de maior carência de profissionais no mercado de agronegócios não são difíceis de identificar. Os especialistas concordam com a falta de dois profissionais com perfil definido: gestão ambiental e TI aplicada aos agronegócios.
"A área de gestão ambiental é aquela que, originalmente, era ocupada por formados em engenharia florestal ou ambiental, responsável por viabilizar uma série de certificações necessárias para exportar produtos para países desenvolvidos, principalmente nos setores de papel e móveis", conta o professor.
A procedência certificada é essencial para a produção brasileira. A preocupação com o desenvolvimento sustentável aumenta e a exploração dos recursos naturais é bastante diferenciada hoje.
A segunda grande carência é na área de TI (Tecnologia da Informação). "A necessidade de profissionais de TI com capacitação específica para prestar suporte ao mercado de agronegócios é muito grande", conta o professor da FGV-PR.
Dicas para recém-formados: busca de emprego e especialização
O recém-formado que quer entrar na área de agronegócios deve começar por valorizar seu desempenho na universidade. Para o professor Aécio Flávio Lemos, diretor da Faculdade de Administração da Universidade de Franca-UNIFRAN, "ter sido um ótimo estudante com alto aproveitamento é a principal dica".
O professor da Unifran lembra ainda que "toda e qualquer área exige especialização" e que o recém-formado com interesse em agronegócios deve procurar "ser generalista e especialista".
O professor Marcelo Farid, da UEM, afirma que a melhor dica para o recém-formado é "conhecer a sua área". Nada melhor, portanto, do que "fazer um curso de especialização, que estão mais completos e podem suprir as deficiências da graduação". Ter um bom desempenho na universidade e ter feito um bom curso de graduação também são dicas importantes. "A inscrição em congressos como o da Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural também deve ser interesse do profissional da área", completa o professor.
Para o professor Écio Costa, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), "o recém-formado pode procurar entrar no mercado de agronegócios tanto no campo quanto nas cidades. No campo, as pessoas podem trabalhar junto aos empreendimentos agrícolas, na parte de organização da produção,comercializaçãoo interna e externa, levantamento e aplicação de tecnologias na empresa etc.".
"Já nas cidades", completa o professor, "o emprego divide-se no setor industrial e de serviços. No primeiro, o emprego pode~ser alocado para pessoas que venham trabalhar tanto com insumos técnicos voltados à produção no campo, como com desenvolvimento de maquinas e equipamentos de plantio e colheita, por exemplo". A área de serviços é outro destaque, de acordo com o professor.
A dica é "aliar conhecimentos específicos aos diversos segmentos possíveis, até porque o agronegócio engloba diversos estágios de produção e agregação de valor até que o produto final chegue às mãos do consumidor", diz o professor Costa.
Tamanho do mercado e média salarial
Para o professor Aécio Flávio Lemos, diretor da Faculdade de Administração da Universidade de Franca-UNIFRAN, o tamanho do mercado de agronegócios é "um dado com uma enormidade de variáveis". A média salarial dos recém-formados, por exemplo, muda muito "entre o Sul e o Acre, as diferenças são substanciais, todavia, os salários iniciam, para os estagiários, em torno de R$1.000,00 mensais".
O professor Marcelo Farid do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), concorda com a dimensão variável do mercado de agronegócios. "O agronegócio não está só no campo mas também na produção de insumos, transformação de todos os produtos do agronegócios, está em cooperativas, usinas, fábricas de processamento de alimentos, parte administrativa, contábil, TI etc.". O que se pode dizer, de acordo com o professor, "é que o PIB do Agronegócio cresceu em 2003 mais do que outros setores da economia".
O professor Guilherme Cunha Malafaia, do MBA em Gestão de Agronegócios da UCS (Universidade de Caixias do Sul), dimensiona o agronegócio dentro de um contexto nacional. "O agronegócio gera 17,7 milhões de empregos, 37% do total nacional", afirma o professor.
O professor da ESALQ/USP e pesquisador do CEPEA, Sérgio de Zen, também situa o mercado de agronegócios no contexto nacional, "o número de pessoas envolvidas direta ou indiretamente no agronegócio corresponde a um universo de 20 a 30% dos empregos, dependendo de como se define a amplitude do agronegócio na economia".
A média salarial para o recém-formado, para o professor Marcelo Farid da UEM, "depende da função desenvolvida, as áreas que mais prometem são o processamento de cana de açúcar, com a necessidade crescente do álcool como combustível alternativo".
O tamanho do mercado, de acordo com o professor Écio Costa da UFPE, é "difícil de ser apontado, pois engloba não somente o setor agrícola, mas também todos aqueles outros setores que estão conectados a ele por meio das cadeias produtivas". A média salarial para um recém-formado nesse mercado, de acordo com o professor, "pode girar em torno de R$ 1.000, podendo chegar até a R$ 30.000 reais no auge da carreira, principalmente nas áreas que são voltadas à exportação de commodities".
Tendências para o futuro
Apesar de ter vivido uma grande expansão nos últimos dois anos, o mercado de agronegócios ainda requer, como qualquer outra área, cautela por conta do profissional. "É possível que aconteça um prolongamento da situação atual mas continua positiva a perspectiva do mercado de agronegócios", diz o professor da UFPE, Écio Costa. "Depois de tanto tempo de expansão, é previdente pensar que pode vir um tempo de vacas magras à frente e preparar-se para ele", diz o professor da FGV-PR, Robson Gonçalves.
"O mercado de agronegócios ainda será um mercado interessantíssimo por muitos anos", diz o professor Écio Costa, da UFPE. "No entanto, tem que ser pensado em conjunto com as perspectivas para o comércio exterior", diz o professor. "As negociações intensas do Ministério de Relações Exteriores deverão fazer com que o mercado tenha possibilidades de crescimento ainda maiores".
O desempenho dos índices do mercado de agronegócios é muito influenciado pela economia dos maiores clientes do Brasil: Estados Unidos e Europa. "No caso do Nordeste, 98% da produção de camarão do Brasil é da região, 65% é exportada; o preço do camarão é determinado diretamente por mudanças na exportação", diz o professor da UFPE.
O crescimento do número de profissionais com pós-graduação também deve ser esperado na área. "È muito interessante buscar formação na área pois o leque de opções têm aumentado cada vez mais, tanto no âmbito das instituições privadas como particulares", afirma o professor.
Para se ter uma idéia do crescimento do mercado, basta ver o aumento das exportações nos últimos cinco anos, soja chegou a 18,5% a mais, carne bovina teve aumento de 660%, aves mais de 200% e suínos ficou também com mais de 200% de aumentos. E só o leite, aumentou em 100% a quantidade de exportações no último ano apenas.
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