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Incubadas são destaque entre as empresas de e-learning

Apoio dado pelas universidades é fundamental para o desenvolvimento das empresas

Publicado em 08/04/2004 - 02:00

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Por Crislaine Coscarelli

Um dos principais berços de empresas voltadas para a educação a distância (EAD) são as universidades com suas incubadoras. Com o crescimento desta modalidade de ensino no país, muitos estudantes das áreas de tecnologia (no caso do e-learning) e de educação resolveram apostar nesta evolução.

A força maior vem mesmo do e-learning, que no ano passado movimentou cerca de R$ 80 milhões, segundo dados de pesquisa realizada pelo IDC. O maior interesse vem do segmento executivo, já que muitas empresas enxergam o e-learning como a melhor maneira de reduzir custos com formação e treinamento de pessoal.

Muitas empresas incubadas, que nasceram quando o EAD era apenas uma idéia que chegava ao Brasil sem muitos adeptos, por volta do ano 2000, hoje colhem os frutos de terem investido nesse segmento promissor.

É o caso da ID - Projetos Educacionais, fundada há três anos pelas irmãs Andrea e Silvina Ramal, respectivamente doutora em educação e mestre em administração de empresas. A empresa foi formada dentro da incubadora da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).

Segundo Silvina, a criação da ID não seria possível se não contasse com o apoio da incubadora. A empresa é focada em educação e na capacitação profissional por meio de novas mídias. Atualmente desenvolve projetos para grandes empresas brasileiras e multinacionais, como a Companhia Vale do Rio Doce, Petrobras, Fundação Roberto Marinho e SENAI.

"A idéia da empresa surgiu quando percebemos que o e-learning contava muito mais com profissionais da área de tecnologia do que da de educação. Este é o nosso diferencial, a preocupação com a qualidade pedagógica", afirma Silvina.

Segundo Silvina, a ausência no mercado brasileiro de profissionais especializados no campo pedagógico faz com que grande parte dos aplicativos desenvolvidos seja idealizada por quem conhece pouco sobre o mecanismo de aprendizagem não-presencial. "Os resultados se traduzem em conteúdos pesados, difíceis de serem lidos e assimilados", afirma. A empresária destaca que quando recebe a solicitação de um curso ou treinamento muito técnico, por exemplo, busca um especialista no mercado para auxiliar na construção do conteúdo, mas ele é acompanhado de muito perto por um pedagogo e por um profissional de EAD.

O conteúdo dos cursos e o público-alvo variam bastante. Dentre os projetos preparados pela ID estão cursos de ambientação de novos funcionários e de Segurança e Saúde Ocupacional, como cursos para gerentes e fiscais de contratos (como as 17 disciplinas projetadas para a Petrobras), e um curso para professores das escolas jesuítas que hoje é aplicado em vários países como Chile, Paraguai, Colômbia e Venezuela.

Para a empresária, este segmento deve crescer muito nos próximos cinco anos. "Já cresceu muito, mas ainda é um mercado pequeno. Mesmo assim a resistência está sendo vencida pelo reconhecimento dos gerentes de Recursos Humanos", afirma. Ela acredita que o mercado está caminhando para o atendimento a pequenos nichos de clientes. "Ao contrário das grandes empresas, as sócias da ID não acreditam em projetos de educação de massa, mas sim em soluções específicas para públicos determinados", diz.

Já para o sócio-proprietário da Livronline.com, José Valdivia León, esse crescimento do mercado de EAD já está acontecendo e deve ficar cada vez mais forte. "Acredito que isso não tem volta. O EAD está cada vez mais forte e a pressão do mercado faz com que as empresas busquem bons treinamentos", afirma.

Credibilidade

Segundo León, ser uma empresa incubada do Cietec (Centro Incubador de Empresas Tecnológicas - ligado à USP) foi fundamental para o desenvolvimento rápido da Livronline.com e sua aceitação no mercado. "Normalmente as empresas que contratam treinamentos de e-learning são multinacionais e não costumam tratar com microempresas, mas ter o nome da USP como apoio fez toda a diferença, ganhamos mais credibilidade", diz.

Um de seus clientes, a IOB Thomson afirma que o fato da empresa ser uma incubada foi realmente importante. "Eles podiam praticar preços melhores já que seus custos eram menores também", afirma Moisés Zylbersztajn, gerente de e-learning da empresa. Mas o gerente lembra que o que pesou mais para que a empresa passasse a preferir os trabalhos da Livronline.com foi a sua dedicação ao trabalho. "Eles nos ajudaram a encontrar muitas tecnologias novas e hoje, depois de dois anos e meio trabalhando com a Livronline.com, acabaram até tornando-se nossos consultores", afirma.

Além da IOB Thomson, a Livronline.com conta atualmente com clientes como a Accor, Idort, Biolab e Sabesp.

"Abrir um negócio próprio é um verdadeiro desafio e exige, além do investimento financeiro, infra-estrutura, planejamento e organização. A incubadora viabiliza a convivência com futuros parceiros nos negócios, oferece consultoria e orientação, o que diminui as possibilidades de falência da empresa nos primeiros anos de vida. Até hoje, nove anos depois nos tornarmos independentes, o fato de ter pertencido à incubadora da Universidade de Brasília ainda ajuda como marketing no fechamento de um negócio", afirma o Diretor Comercial da MSD Tecnologia Educacional, Deosimar Damásio. A empresa foi formada no CDT (Centro de Desenvolvimento Tecnológico) da UnB (Universidade de Brasília).

Segundo Damásio, a empresa surgiu em 1993, quando juntamente com Silvone Assis - então professor do Departamento de Ciências da Computação da UnB - e Marcos Gonçalves - que fazia mestrado em computação na USP - ele apresentou um projeto de empresa para desenvolver cursos multimídia. O projeto foi classificado em primeiro lugar pela incubadora. A MSD entrou definitivamente no mercado nacional em julho de 1994, por ocasião da VIII Fenasoft, com o lançamento dos cursos auto-instrucionais baseados em computador "Windows 3.1", "Word 6.0" e "Excel 5.0". Os produtos fizeram grande sucesso e garantiram a alavancagem da empresa nacionalmente.

Desde sua fundação, já desenvolveu 62 títulos em CD-ROM, 42 dos quais destinados à capacitação profissional na área de informática. Com base na quantidade de licenças de cursos comercializadas, estima-se que mais de 2 milhões de pessoas já foram treinadas com os produtos MSD.

No segmento corporativo, já são mais de 200 grandes empresas que utilizam os cursos da MSD para qualificação profissional de seus funcionários. Alguns exemplos são: Correios; Banco do Brasil; Xerox; Shell; Embratel; Petrobras e Price Waterhouse. "Cada vez mais as empresas estão se preocupando com a formação profissional de seus colaboradores e há muito interesse por conta das vantagens que esta metodologia oferece", afirma.

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