1908
– Nasce, em 11 de outubro, no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, Angenor de Oliveira, o Cartola, terceiro filho de Aída Gomes de Oliveira e Sebastião de Oliveira.

Ganhou o apelido dos colegas quando trabalhava de pedreiro e começou a usar um chapéu coco para se proteger do cimento.

Cursou apenas o primário e nunca teve um emprego fixo, sempre trabalhando com “bicos”, como pedreiro, pintor de parede, vigia.. A paixão pela música, porém, começou na infância, quando aprendeu com o pai a tocar cavaquinho e violão.

1916 – Foi morar em Laranjeiras, zona sul do Rio. Aos oito anos já participava de desfiles de grupos carnavalescos.

1919 – Com problemas financeiros, a família do garoto Angenor, agora com 11 anos, muda-se para o morro da Mangueira, na época com menos de 100 barracos.

1923 – Após a morte da mãe, Cartola, aos 15 anos de idade, abandona de vez os estudos e, junto com Carlos Cachaça, cria o bloco dos Arengueiros.

1928 – Fundou, com Saturnino Gonçalves, Pedro Caymmi, Francisco Ribeiro e Marcelino José Claudino, em 28 de abril, o Grêmio Recreativo da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, a segunda escola do Rio de Janeiro (a primeira foi a Estácio). Ele compôs o primeiro samba da escola, o “Chega de Demanda”, que só foi lançado em disco em 1974.

Neste primeiro desfile, a Mangueira ganhou o primeiro prêmio do carnaval.

1931 – Cartola fica conhecido fora do morro graças ao cantor e compositor Mário Reis, que comprou alguns de seus sambas.

1932 – Francisco Alves grava o samba “Que infeliz sorte”, de Cartola. Carmem Miranda gravou, neste mesmo ano, o samba “Tenho um novo amor”.

1937 – Araci de Almeida grava “Não quero mais”, feito por Cartola em parceria com Carlos Cachaça e Zé da Zilda. A composição foi premiada no desfile da Mangueira de 1936. Paulinho da Viola também fez uma regravação desta em 1973, mudando o título para “Não quero mais amar ninguém”.

1940 – Cria, com Paulo da Portela, o programa “A voz do morro”, na Rádio Cruzeiro do Sul, onde apresentavam composições sem título e os ouvintes ajudavam a nomeá-las.

1941 – Forma o “Conjunto Carioca” com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres. O conjunto se apresenta em São Paulo, durante um mês, na Rádio Cosmos.

1942 – O maestro Villa-Lobos o apresenta ao maestro norte-americano Leopoldo Stokowsky, interessado em música brasileira. No encontro, foi gravada a canção “Quem me vê sorrindo”, parceria com Carlos Cachaça.

1946 – Perde sua primeira mulher e, com uma grave doença, que hoje se acredita ser meningite, muda-se do morro para Caxias. O sumiço levantou a suspeita de que ele estaria morto.

1948 – A Mangueira é campeã com o último samba composto para ela por Cartola, o “Vale do São Francisco”
1956 – O escritor Sérgio Porto, o famoso Stanislaw Ponte Preta, encontra Cartola lavando carros em Ipanema. O cantor e compositor volta então a cantar na Rádio Mayrink Veiga.

1964 – Casa-se com a Dona Zica da Mangueira - Eusébia Silva do Nascimento. Juntos, abrem o restaurante Zicartola, na rua da Carioca, centro do Rio de Janeiro.

1966 – É feito o primeiro registro da voz de Cartola, graças a uma participação especial dele no disco de Elizeth Cardoso, cantando “A enluarada Elizeth”.

1968 – Reaparece no disco “Fala Mangueira”, ao lado de Nelson Cavaquinho, Odete Amaral, Carlos Cachaça e Clementina de Jesus.

1974 – Grava um disco inteiro com suas composições, sob o título “Cartola”

1976 – Lança seu segundo disco, com o mesmo nome do primeiro.

1977 – Grava “Cartola - Verde que te Quero Verde"

1978 – Faz seu primeiro show individual “Acontece”. Muda-se para Jacarepaguá, em busca de tranqüilidade.

1979 – Lança "Cartola - 70 Anos". Descobre que tem câncer, mas escondeu de todos, dizendo que era úlcera.

1980 – Morreu pobre, na casa de Jacarepaguá, doada pela prefeitura do Rio de Janeiro, no dia 30 de novembro. Uma semana antes, disse à família que gostaria que Waldemiro, ritmista da Mangueira e a quem ensinou bumbo, tocasse em seu enterro. O funeral aconteceu ao som de “As rosas não falam”.