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Publicado em 18/07/2003 - 18:42
Conhecido pelo esforço de divulgação científica - foi escolhido, em 1998, para o prêmio Kalinga da Unesco para a popularização da ciência -, ele presidiu a sociedade em dois mandatos consecutivos 1989-1993. Candotti - que defende a autonomia universitária - assume a entidade com discurso moderado para alguns assuntos e mais ácido para outros: "O Ministério de Ciência e Tecnologia do governo Lula patina".
Veja essas e outras opiniões em entrevista concedida à UnB Agência:
UnB Agência - Na abertura da 55ª Reunião Anual da SBPC, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, pediu apoio para a entidade na diminuição de desigualdades sociais. Em sua visão, que medidas mais rápidas podem ser tomadas para esse apoio?
Ennio Candotti - A SBPC e as Sociedades Cientificas que representa, podem sim contribuir para diminuir as desigualdades sociais. As ciências e as tecnologias oferecem instrumentos que, se bem utilizados, podem transformar a vida das pessoas, ampliar sua renda, cuidar da saúde, melhorar a produtividade das sementes e da lavoura ou a eficiência da oficina de trabalho. Devemos discutir com o ministro Cristovam como "bem utilizar" esses instrumentos e qual seria o nosso papel (e das Sociedades Científicas) nesse movimento. E, principalmente, garantir sementes e trabalho, no campo ou nas oficinas.
UnB Agência - O setor de pesquisa brasileiro sinalizou preocupação com os impactos da reforma da previdência não só nas universidades, mas também na Embrapa e Fiocruz. Como o senhor vê essas mudanças e qual sua expectativa para o futuro da pesquisa brasileira, caso o texto proposto pelo governo seja aprovado?
Candotti - A preocupação é devida ao fato que, confirmando-se as atuais diretrizes da reforma, em muitas instituições um grande numero de pesquisadores com direito à aposentadoria, por receio de perdê-los com as novas regras, procurará se afastar comprometendo o bom funcionamento das instituições.
UnB Agência - Qual é a sua avaliação das medidas relacionadas à ciência e tecnologia nos seis primeiros meses do governo Lula?
Candotti - Não há medidas concretas a avaliar, há propósitos. A máquina começa agora a funcionar no CNPq e na Finep, no Ministério ainda patina...
UnB Agência - Outra questão levantada nestes dias é a necessidade de uma reforma na universidade. Pesquisa e universidade brasileiras andam juntas. Na sua opinião, o que precisa mudar?
Candotti - As universidades precisam de autonomia. Definidas as regras da autonomia elas precisam de uma reforma profunda. E na reforma cada universidade é diferente por sua história e vocações.
UnB Agência - Alguns cientistas dizem que as ações do Ministério de Ciência e Tecnologia estão sem definição. O senhor concorda com isso e acredita que elas precisam estar mais integradas ao ministério da Educação, por exemplo?
Candotti - Concordo, não só com o Ministério da Educação, mas também com o da Indústria e Comércio, o de Minas e Energia, o da Saúde. Falta, a meu ver, um melhor entendimento entre os diferentes órgãos de governo e também um Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia - órgão presidido pelo presidente da República e coordenado pelo
MCT.
UnB Agência - Quais os planos do senhor para os dois anos de gestão?
Candotti - Planos? Continuar o que vinha sendo realizado pela diretoria anterior, e talvez acrescentar uma maior presença da sociedade nos diferentes estados, participando de programas de educação, de apoio às Faps (Fundações estaduais de apoio à pesquisa) de divulgação cientifica e de apoio à construção de museus e centros de ciências.
UnB Agência - Como será possível tornar a ciência mais popular no Brasil?
Candotti - Multiplicando a presença da ciência e da discussão das relações entre ciência e sociedade nos meios de comunicação. Incentivando os cientistas a escrever artigos de divulgação e os jornalistas a escreverem mais sobre ciência, criando em toda parte, centros ou museus que aproximem as ciências da cultura.
Fonte:
UnB Agência
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