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Anglo
Publicado em 05/11/2003 - 02:00
Por Dácio Antônio de Castro, supervisor de Português do Curso Anglo
As provas de Português apresentam questões distribuídas proporcionalmente entre Literatura, Gramática e Interpretação de Texto.
Em relação à Literatura, elas centralizam-se na argüição de obras pré-selecionadas, pressupondo que os candidatos conheçam o processo de evolução das formas e tendências principais da História da Literatura.
As questões procuram avaliar conteúdos específicos das obras, exigindo efetiva experiência de leitura e, sobretudo, reflexão crítica sobre os temas evocados. São ainda freqüentes questões intertextuais: relação de textos entre diferentes autores.
Recomenda-se que o candidato domine a linha evolutiva dos movimentos literários no Brasil e em Portugal e conheça:
os traços estéticos e ideológicos de cada movimento literário e seus respectivos contextos histórico-culturais;
os autores mais representativos de cada época literária e as marcas estilísticas que os individualizam;
os componentes internos de cada obra pré-selecionada (enredo, personagens, foco narrativo, tema e símbolos importantes) e os cruzamentos possíveis entre elas
Alguns vestibulares (FUVEST, UNICAMP, PUC-SP e PUC-CAMP) definem previamente as obras para leitura. Além de merecerem destaque em Literatura propriamente dita, os textos selecionados também oferecem suporte para excelentes questões de Gramática e de Texto. É louvável essa divulgação, pois todos têm, com antecedência, oportunidade de entrar em contato com as referidas obras, aplicando os pressupostos consensuais de percepção crítica, apreendidos no Ensino Médio. Sobretudo a FUVEST e a UNICAMP têm sabido considerar que a leitura do aluno deve ser consciente, sem deixar de ser prazerosa. Desse modo, sinalizam aos candidatos a necessidade de conhecer dos componentes estruturais das obras, valorizando seus aspectos mais relevantes:
apreensão de enredo;
procedimentos construtivos das obras;
aspectos semânticos do texto;
estilo particular dos gêneros
Em relação à Gramática e Interpretação de Texto, é fundamental que o candidato saiba que será avaliado quanto à competência de operar criativamente com fatos gramaticais, para compreender e produzir significados que atinjam resultados previamente programados: convencer, seduzir, atenuar o peso do que se diz, exagerar para comover, criar efeitos de humor, de imparcialidade etc. Isso significa que o aprendizado da Gramática não é mais encarado como finalidade e passou a ser um instrumento utilizável para melhorar o desempenho dos usuários da língua.
As questões costumam apresentar enunciados claros, sem uma nomenclatura excessiva e com uma pertinente aferição dos conteúdos, permitindo, assim, avaliar com eficiência a funcionalidade das formas e os mecanismos da Língua Portuguesa.
O estudo dessas formas e desses mecanismos gramaticais não pode ser feito fora do contexto em que ocorrem, pois é aí que adquirem seu pleno sentido. Mais importante que saber identificar uma ocorrência gramatical - e lhe dar um nome - é interpretar seu papel na construção do sentido do texto em que está inserida e acionar as formas e os mecanismos gramaticais mais apropriados para produzir o significado que se tem em mente.
Por isso, a maioria das questões de Língua Portuguesa é proposta a partir de um texto ou do fragmento de um texto, solicitando que o candidato avalie a contribuição de ocorrências gramaticais para o significado global do trecho em que estão inscritas.
Ao lado das questões mais criativas ocorrem também questões tradicionais, como as de correção de frases, que envolvem simultaneamente vários itens gramaticais.
Para uma preparação consciente, deve-se estudar com prioridade aquele núcleo que, em geral, dá cobertura à maioria das questões:
concordância;
verbo (sobretudo a conjugação e o emprego dos tempos);
classes de palavras (sobretudo o seu papel na construção do significado do texto);
análise sintática do período simples e do período composto;
uso dos pronomes (do ponto de vista da correção e do seu papel na coesão do texto);
pontuação (sobretudo sua interferência no sentido da frase);
processos de formação de palavras;
regência;
colocação;
crase;
acentuação gráfica;
coesão;
coerência;
recursos argumentativos.
Quanto à Redação, o exame costuma ser elaborado a partir de uma coletânea, composta por textos, cartoons, quadros informativos etc., que fornece dados a serem considerados na elaboração, sobretudo, de um texto dissertativo em prosa, por meio do qual o aluno é solicitado a refletir sobre o tema proposto. Após a leitura consciente da coletânea, o candidato deve produzir a dissertação, que, resumidamente, deverá apresentar os seguintes traços:
estrutura ortodoxa (introdução, desenvolvimento/argumentação e conclusão);
apreensão do tema (delimitação e compreensão);
abstração (trabalho com idéias, definições e conceitos);
predomínio da argumentação (defesa de um determinado ponto de vista);
levantamento das hipóteses explicativas (sobre dados e fatos fornecidos pela coletânea);
encadeamento lógico (e não temporal);
exposição de comentários (acerca do tema);
utilização do tempo presente;
exploração de recursos discursivos e lingüísticos (como melhor utilizar as palavras para dar consistência ao texto);
coesão e coerência.
Sempre é bom lembrar que a melhor postura para se dissertar é escrever impessoalmente, como se o autor do texto fosse o bom senso, a lógica, a razão. Uma dissertação não se dirige a um leitor específico ou a um grupo deles; mas, sim, a um ?leitor universal?. Lembrar ainda: nas provas de Redação, como os candidatos têm um espaço diminuto para demonstrar sua capacidade de reflexão sobre determinado tema, devem se pronunciar por meio de uma linguagem pragmática. Afinal, o texto deve revelar a identidade intelectual e emocional de quem o escreveu.
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