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Publicado em 10/12/2003 - 02:00
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A possibilidade de cursar disciplinas específicas de uma graduação sem a obrigação de dedicação ao curso completo está aberta a alunos de graduação ou a pessoas já formadas. Esta é uma modalidade de curso seqüencial pouco divulgada e ainda disponível em um pequeno número de instituições de ensino superior. Tal variedade de estudos foi regulamentada pelo MEC (Ministério da Educação) em 1999.
Essas escolas permitem que estudantes tanto da própria instituição quanto de outras, ou mesmo pessoas que tenham um diploma de graduação em qualquer área, venham a escolher para cursar uma ou mais matérias específicas de um determinado curso que disponha de vagas para recebê-los. Após concluir a matéria, o aluno tem direito a um certificado específico de formação nesta cadeira.
Com o certificado de conclusão da disciplina em mãos, caso o estudante pretenda concluir a graduação completa no curso referente à matéria cursada, terá de passar pelo processo seletivo do vestibular ou ser aceito na instituição de ensino por já possuir diploma de nível superior. As eventuais matérias que já tenha cursado pelo sistema seqüencial poderão ser utilizadas em sua formação, pelo sistema de reaproveitamento de créditos.
Perspectivas de formação futura
Este é o caso de Túlia Brugali, de 33 anos. Administradora graduada que atua como gerente financeira, Túlia vem cursando na PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) disciplinas de Ciências Contábeis. Neste segundo semestre de 2003, fez Contabilidade de Custos I e lembra que já concluiu outras quatro matérias neste sistema. Ela diz que pretende, no futuro, ser admitida pela universidade para concluir a graduação nesta área, depois de pedir o reingresso na instituição por já possuir diploma superior.
Túlia considera que seu aproveitamento nesse sistema de estudos acaba sendo mais adequado e eficaz, já que a dedicação necessária é bem menor do que no caso de um curso regular de graduação. Além disso, diz que leva vantagem no aprendizado por já possuir experiência tanto acadêmica como profissional: "Eu acabo aproveitando muito mais o curso do que os demais colegas que fazem a graduação regular".
Porém nem todos os estudantes que optam pela modalidade de curso seqüencial de complementação de estudos pretendem se valer dos certificados obtidos para eliminar matérias em uma futura graduação na área escolhida. Na maioria dos exemplos, os alunos buscam realmente uma formação extra, muitas vezes bem diferente daquela área do conhecimento em que atuam.
Na paulistana FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), a maioria dos interessados em matérias de Artes Plásticas busca valorizar mais sua formação pessoal, e não a acadêmica ou profissional, segundo indica Marcos Moraes, coordenador do curso de Artes Plásticas da Faculdade de Artes Plásticas daquela instituição.
Ele lembra que justamente pela característica de reunir pessoas de diferentes áreas do conhecimento é que a participação desses "alunos especiais" colabora com o melhor desenvolvimento dos cursos. "De maneira geral, os alunos do seqüencial tendem - pelo seu grande interesse na disciplina ou por estarem voltando para a escola - a ser uma espécie de alavancadores de discussões, porque estão mais maduros, voltaram para a escola porque querem fazer isso, têm o desejo de aproveitar ao máximo tudo que for possível", afirma o professor.
Procura maior por curso de línguas
O coordenador do Setor Didático Pedagógico da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação da PUC-RS, Maurivan Ramos, lembra que a maioria das Faculdades daquela universidade disponibiliza disciplinas a serem cursadas por quem se interesse por este tipo de formação. Ele explica que as áreas mais procuradas do programa, que ficou conhecido como PUC-Plus, são: Contabilidade; Física; Educação; Informática; Aeronáutica; Biociências; Letras; e alguns segmentos das Engenharias de Produção e Civil.
"Não são muitos alunos que se matriculam: são um ou dois por turma. Só nas línguas estrangeiras é que há um número maior de interessados, principalmente nos cursos de inglês e espanhol. Os professores estão preparados para conversar com esses alunos, recebê-los e acompanhar suas dificuldades, dar um atendimento mais personalizado quando percebem que eles têm alguma dificuldade", diz Ramos.
Dilson Domingos Pereira, 47 anos, formado em Direito, escolheu cursar matérias de inglês na Faculdade de Letras da PUC-RS. Ele considera um diferencial a diversidade de pessoas que freqüentam o curso: "Ali é interessante pois são pessoas dos mais variados cursos: Ciências Exatas, Humanas, Médicas".
Mas é justamente essa presença grande de estudantes que gera uma queixa de Pereira: ele considera que o número excessivo de alunos em sala de aula - além dos participantes especiais há também graduandos de Letras - prejudica o aproveitamento do curso.
Na PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) há o Projeto Abertura, que oferece vagas de cursos nessa modalidade seqüencial. Segundo Nancy Guimarães, supervisora de Planejamento e Marketing da Coordenação Central de Extensão da universidade, as áreas mais procuradas ali são Filosofia, Matemática, Geografia e alguns segmentos das Engenharias.
"Ao final, o aluno recebe um certificado de acordo com aquilo que escolheu no início do curso: de freqüência, para aqueles que não se interessam em passar pelas avaliações tradicionais do curso; ou de aproveitamento, em que o aluno é submetido a todas as avaliações previstas e que pode aproveitar futuramente na graduação", explica Nancy sobre as opções de formação dadas aos estudantes.
Grade sob medida
Já a Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo, se empenha em atender a demandas localizadas de alunos. "A gente não tem um oferecimento regular dessas disciplinas, mas qualquer um que solicite, nós montamos um pacote de disciplinas para ele e emitimos um certificado (após a conclusão do mesmo)", explica Edman Altheman, diretor de Gestão Acadêmica da instituição.
Ele lembra, por exemplo, o interesse demonstrado por uma turma de alunos de Fonoaudiologia de outra instituição (a Anhembi Morumbi não conta com este curso em sua grade), que pretendia cursar disciplinas da Fisioterapia. Altheman diz que foi formulada uma grade especial para suprir as necessidades desses alunos.
"Como não é dado um diploma, mas, sim, um certificado, a gente pode montar um lote de disciplinas para que o aluno possa fazer jus a este certificado", afirma. Justamente neste ponto ele lembra que, diferente de outras instituições, a Anhembi Morumbi costuma estabelecer uma grade mínima a ser cursada pelos interessados nesse tipo de seqüencial, com mais de uma matéria, não havendo possibilidade de o estudante escolher matérias dispersas.
Outro diferencial da Anhembi Morumbi é que o interessado tem quatro oportunidades de ingressar na instituição para fazer o seqüencial de complementação de estudos, já que, além de ter os cursos regulares de graduação - que dão possibilidade de matrícula duas vezes ao ano (em julho e entre dezembro e janeiro) -, há os cursos seqüenciais de formação específica, que têm duração de dois anos e abrem matrículas em quatro ocasiões no ano (além dos dois períodos anteriores, também em abril e setembro).
"É o mesmo conteúdo, mas há menos disciplinas, cada uma com uma carga horária maior durante menos tempo", esclarece Altheman sobre as disciplinas dos cursos seqüenciais de formação específica, que duram um bimestre, e não um semestre como a graduação tradicional.
Aproveitamento
Em geral, os gestores das universidades consultadas pelo Universia Brasil afirmam que a presença desses alunos extraordinários nas salas de aula dos tradicionais cursos de graduação é positiva e estimula o desenvolvimento das aulas.
"Ao final do período, os alunos são convocados a fazer uma avaliação curso, e sempre consideram que a experiência foi ótima", afirma Nancy Guimarães, da PUC-Rio. "É uma troca de experiências", diz a supervisora, referindo-se à integração de alunos da graduação normal com os estudantes especiais.
"Em princípio não há grandes problemas, pois normalmente são alunos formados, até um pouco mais velhos que o pessoal das turmas normais, e são aceitos como profissionais que estão dando um certo status para a disciplina", avalia Edman Altheman, da Anhembi Morumbi.
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