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Terça-feira :: 06 / 01 / 2009
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Publicado em 06/02/2004 - 02:00
1. Introdução
A agricultura de energia desponta no cenário mundial e, particularmente, no Brasil, como um horizonte para promover profundas mudanças no agronegócio brasileiro, principalmente, no segmento de agricultura familiar. Nosso país possui a maior extensão de terras que poderão ser incorporadas ao processo produtivo, além de extensas áreas que já foram desmatadas e hoje se encontram em diferentes estágios de degradação.
No Nordeste, uma das mais carentes em desenvolvimento, significativas áreas podem ser utilizadas para produção com espécies de oleaginosas que suportam os índices pluviométricos daquela região. São mais de 3,3 milhões de hectares com aptidão para o cultivo da mamona em condições de sequeiro, que poderá produzir até 1,2 t de bagas por hectare, com um teor de 47% de óleo. A mamona é uma cultura com grande apelo social, pois além de produzir o óleo, ela pode ser consorciada com outras culturas como o feijão caupi, amendoim etc. Somente com a produção primária, sem agregação de valor, os agricultores familiares poderão ter uma renda líquida de até R$400,00 por/ha cultivando mamona, consorciada com feijão, além da produção de alimentos para sua subsistência.
A partir desses dados podemos fazer um exercício que mostram os benefícios econômicos, sociais e ambientais que a exploração racional dessa cultura pode trazer para o Nordeste. Considerando que numa primeira fase a região opte por produzir o "B5" (mistura de 5% de óleo diesel vegetal no óleo diesel do petróleo) seriam necessários 270 milhões de litros de óleo de mamona por ano. Para conseguir esta produção teriam que ser incorporados 600 mil hectares ao processo produtivo, o que daria para assentar cerca de 200 mil agricultores familiares, com média de três hectares por família.
Outras culturas de sequeiro ou irrigadas podem ser exploradas para energia no Nordeste. São os casos do gergelim que produz mais de 750 kg/há de grãos com teor acima de 55% de óleo, do amendoim que pode ser usado em áreas arenosas e até em consórcio com a cana-de-açúcar. Em relação às plantas nativas, os mais de 17 milhões de hectares de florestas de babaçu, nos estados do Maranhão e Piauí, são de um potencial imenso.
Potencial Técnico da Mamona
Hoje, as principais variedades de mamona cultivadas nos semi-áridos nordestino são as seguintes: Mirante 10da Bahia, Nordestina Amarela, Canela de Juriti, Pernambucana, Preta de Irecê, Amarela de Irecê, Baianita, Sangue de Boi. Nos anos de 1998 e 1999 a Embrapa lançou duas cultivares, a BRS 149 Nordestina e BRS 188 Paraguaçu, são de ciclos médios (230 dias), com teor de óleo ao redor de 48,6%. Em condições de sequeiro as produtividades obtidas estão entre 1000 a 1500 Kg/ha de bagas ( sementes ) e irrigadas podem chegar a 5000 Kg/ha.
Nas áreas onde se realizou o zoneamento agrícola, a produção de óleo em condições de sequeiro é de 600 l/ha, podendo chegar a 2300 l/ha com irrigação. A produção de torta em sequeiro está ao redor de 650Kg/ha, com elevada riqueza em nitrogênio ( mais de 5% ) e com 35% de fibra, daí ser uma espécie condicionante de solo, além de fertilizante e controladora de pragas do solo, como exemplo algumas espécies de nematóide.
Desenvolvimento de Processo para Conversão Catalítica de Óleo Vegetal em Óleo Diesel Vegetal
Objetivos do Projeto
1) Desenvolvimento de um processo para conversão térmico/catalítica de óleos vegetais em óleo diesel vegetal, que ofereça a possibilidade de ser utilizado em qualquer motor diesel.
2) Desenvolver o protótipo de um equipamento no qual o processo de conversão possa ser feito em pequena escala.
Inovação
Desenvolvimento de catalisadores para:
1) Aumentar a eficiência do processo de craqueamento
3) Eliminar os compostos oxigenados resultantes dessa operação
4) Promover o abaixamento da temperatura de craqueamento
Desenvolvimento de um equipamento:
1) Realizar o processo de craqueamento em pequena escala (250 litros por dia)
2) Simples, que requeira uma manutenção bastante simples e que possa usado por pessoas com baixo nível de instrução
Oportunidades
Este projeto está sendo desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Universidade de Brasília Os resultados das análises da Agência Nacional de Petróleo (tabela 1), mostraram que as características apresentadas pelos biocombustíveis da mamona, do dendê e da soja, foram semelhantes ou superiores aos padrões estabelecidos por aquela Agência. O protótipo da mini-usina está sendo validado e acredita-se que em oito meses ele poderá estar disponível para a sociedade. É um processo de baixo custo, de simples manutenção, de fácil manuseio e que pode ser realizado por agricultores familiares e por comunidades rurais isoladas.
Tabela 1: Resultados da análise do óleo diesel obtido pelo craqueamento de óleos vegetais
| Características | Resultado | Especificação para Diesel A | |||
| Soja | Dendê | Mamona | |||
| Enxofre total (%) | 0,007 | 0,010 | 0,013 | 0,20 | |
| Destilação (ºC)1 | Ponto Inicial de Ebulição | 90,60º | 63,50º | 97,50º | - |
| 85% recuperado, max | 307,50º | 254,30º | 267,60º | 370,00 | |
| Ponto Final de Ebulição | 344,90º | - | 297,00º | - | |
| Densidade2 | 844,00º | 818,40º | 882,30º | 820 a 880 | |
| Viscosidade (a 40ºC) | 3,50 | 2,70 | 3,70 | 2,5 a 5,5 | |
| Índice de Caetano3 | 50,10 | 52,70 | 30,90 | 45,00 | |
1. O comportamento da destilação do diesel vegetal é semelhante ao do diesel de petróleo, o que indica que os produtos obtidos são também semelhantes.
2. A densidade e viscosidade estão dentro do padrão, o que indica que não haverá problema na injeção do combustível.
3. O índice de Caetano demonstra o poder de combustão dos óleos diesel.
Características do Protótipo
- Custo: R$ 6.500,00
- Produção: aproximadamente 250 l/dia (considerando módulo rural de 3 hc/família, seria possível atender 40 famílias/ano)
Obs.: o custo de produção para se obter cada litro de óleo diesel vegetal a partir de óleo vegetal, ainda está sendo elaborado, pois depende da maximização do balanço energético, o que está sendo realizado nos próximos meses. Os dados preliminares apontam como altamente positivos.
Comparação entre o óleo diesel vegetal obtido pelo craqueamento térmico e a transesterificação
| Craqueamento |
X |
Transesterificação |
| Não há necessidade de modificação no motor para o uso do B100 | Há necessidade de modificação na bomba injetora no uso do B100 | |
| Não há necessidade do uso de álcool na reação | Há necessidade de uso de 10% de álcool | |
| Não produz resíduo de glicerina | Produz 10% de resíduo de Glicerina | |
| Pode ser processado pelo produtor na propriedade agregando valor a sua produção primária | Processado por terceiros |
Obs.: O resíduo de glicerina pode se tornar um problema sério pelo volume produzido .(Ex. na produção do B5 para todo Brasil, seriam produzidos 180 milhões de litros de glicerina)
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