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Publicado em 08/06/2004 - 02:00
Não deixe de ler
Por Crislaine Coscarelli
Em um impasse. Foi assim que terminou a reunião ocorrida ontem em Campinas (SP) entre os grevistas e os reitores das três universidades estaduais paulistas. Os docentes e servidores decidiram pela manutenção da greve depois de terem ouvido novamente do Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Paulistas) que não há possibilidades de reajustes salariais. Esta é a quarta rodada consecutiva de negociação em que o Conselho mantém esta posição. A alegação é que já há um grande comprometimento das universidades com a folha de pagamento (95,29% na Unicamp, 93,40% na Unesp e 86,96% na USP) e que só poderia haver reajuste em caso de crescimento na arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) já que este imposto é a fonte do repasse de verbas às universidades.
Os docentes e servidores da USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e Unesp (Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho) estão em greve desde o último dia 26 de maio. Eles pedem reajuste salarial de 16%, criação de uma política salarial que recupere as antigas perdas e evite que as novas se acumulem, além da devolução dos 5% descontados dos salários como forma de contribuição previdenciária. Segundo os grevistas, somente os docentes teriam tido perda salarial de cerca de 9,59% no último ano.
De acordo com o Fórum das Seis - que integra os sindicatos de docentes e
servidores da USP, Unicamp e Unesp, além do Centro Paula Souza, que administra
as Fatecs (faculdades de Tecnologia) - a proposta que os reitores levaram à mesa
ontem é semelhante à adotada em 2000, na fórmula utilizada. "Seus parâmetros são inaceitáveis, porque indicam reajuste zero, ou muito próximo de zero, o ano
inteiro", informa o boletim oficial da Adusp (Associação dos Docentes da
USP) divulgado no início da noite de ontem.
Ainda segundo a Adusp, o Cruesp propôs um novo reajuste apenas em maio de 2005.
A quinta reunião de negociação foi marcada para o próximo dia 18. Até lá a
greve das estaduais permanece.
Durante a reunião, os reitores teriam se comprometido em ter uma atuação mais enérgica
na defesa das emendas à LDO (Lei de Diretrizes e Bases) que aumentam os repasses para as universidades públicas estaduais e para o Centro Paula Souza.
Até o fechamento desta matéria o Cruesp não havia se manifestado oficialmente
sobre a reunião.
Fatec
Nas Fatecs (Faculdades de Tecnologia) a situação é um pouco diferente, mas
não mais simples. Mesmo com a decisão dos professores e funcionários do Centro Paula Souza, que administra as Fatecs,
de suspender a greve os alunos não voltaram às salas de aula. Agora são eles
que permanecem parados até que as reivindicações sejam atendidas. Antes da
greve dos alunos a categoria havia ficado quase três meses parada. A principal reivindicação é o reajuste de 72,22%.
Mas a greve dos alunos espera por legitimação, já que muitos professores (que não aderiram à greve) começam a dar faltas aos estudantes que não estão freqüentando as aulas. A greve de alunos não é prevista por lei. O impasse é tamanho que a Fatec-SP é a única do País que ainda não teve a sua data do vestibular de inverno definida.
Passeata
Na última quarta-feira, dia 03, professores e funcionários em greve e alunos das três universidades estaduais concentram-se em frente ao Masp, na avenida Paulista (na capital paulista), para um ato em defesa da universidade pública no Estado de São Paulo.
Os manifestantes fizeram uma caminhada até a Assembléia Legislativa, no Ibirapuera, onde participaram de audiência pública da Comissão de Cultura, Ciência e Tecnologia. Por falta de quórum mínimo (4 dos 14 deputados da comissão), a audiência pública foi aberta pelo presidente da comissão, o deputado Jonas Donizette (PSB), mas não pode ser considerada oficial.
Professores e sindicalistas criticaram o decreto 48.034, que concede isenção de ICMS nas aquisições de bens e serviços por órgão da administração direta, fundações e autarquias. Segundo a categoria, o decreto diminui o total da arrecadação do Estado,
reduzindo também o repasse às universidades.
Outro ponto discutido foram as emendas propostas pela categoria à Lei de Diretrizes Orçamentárias e que prevêem a elevação do repasse do ICMS para as universidades estaduais de 9,57% para 11,6% e a instituição de repasse de 2,1% do ICMS para o Centro Paula Souza.
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