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Publicado em 21/07/2004 - 19:14
Por Renata Costa, de Cuiabá
Uma grande festa pela Ciência. É este o clima que a UFMT tem vivido durante a Reunião Anual da SBPC. Com o campus todo voltado para o evento, a greve dos servidores ficou em segundo plano e só pode ser sentida pelas faixas penduradas e alguns grafites em muros.
Alunos da própria universidade, universitários de outros locais e alunos de Ensino Médio lotam as palestras e simpósios, demonstrando total interesse pelos temas discutidos. Há espaço para tudo. Desde programas amadores de rádios comunitárias sendo ouvidos por todo o campus até pedidos de Reforma Agrária feitos sob as lonas do espaço denominado SBPC Cultural.
A volta do sol e do calor a Cuiabá na tarde de terça-feira tem ajudado na circulação dos participantes pelos eventos paralelos à programação da SBPC Sênior. Para aliviar o calor e o ar seco, jatos de vapor são lançados por sob as tendas da Feira do Livro e da SBPC Jovem. Entre os destaques da Feira está o lançamento da obra "Prelúdio para uma história - Ciência e Tecnologia no Brasil", organizado pelo professor da Escola de Comunicação e Artes da USP, Shozo Motoyama. O livro foi lançado pela Edusp e Fapesp e está sendo distribuído pela Parati (estandes 15 e 16). Além deste lançamento, há livros na área de Sociologia, História e Filosofia por até ínfimos R$ 1. Vale a pena pesquisar pelos estandes.
Na SBPC Jovem, alunos de ensino fundamental, médio e técnico apresentam pôsteres com seus projetos e têm atraído a atenção de muitos visitantes. Nenhum trabalho porém, chama mais a atenção do que o simpático índio guarani Marcelo Oliveira da Silva, do Espírito Santo, que apresenta fotos dos anciãos de sua tribo e explica o projeto que tem desenvolvido - e considerado hors concours pelo Prêmio Cientistas do Amanhã - de colher depoimentos da cultura e história dos guaranis para que sejam registrados em papel (nas línguas guarani e português) a fim de preservar todo o conhecimento desta tribo mesmo após a morte de seus líderes mais antigos, ensinando as crianças sobre a riqueza de seu povo. O trabalho conta com o apoio da Secretaria de Educação do Espírito Santo e do MEC. É imperdível ouvir o que Marcelo tem a dizer.
Há ainda a Expociência, dividida em dois pavilhões. Um é formado por uma grande tenda apenas com projetos apoiados ou desenvolvidos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Entre eles, um estranho e interessante trabalho de radiação com raios Gama. Frutas e legumes quando irradiados, têm todos os seus microorganismos destruídos, segundo a exposição. E sem conseqüências para o alimento e para o homem. Segundo o CNEN (Conselho Nacional de Energia Nuclear), as vantagens deste tipo de irradiação vão além. Em Minas Gerais, 4.000 bolsas de sangue a serem recebidas por pacientes submetidos a transplante de medula óssea já foram irradiados. A técnica inibe a divisão dos linfócitos T, evitando incompatibilidade do transplante. Segundo o CNEM, os resultados têm sido positivos.
A grande atração da tenda do MCT foi trazida pelo Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). Se trata da caverna digital, construída pelo Laboratório de Sistemas Integrados da USP, com recursos do próprio Finep. A fila de visitantes interessados em ver os órgãos e o interior do corpo humano, sobrevoar o Rio de Janeiro e visitar museus da Europa, entre outra atrações, através de realidade virtual é imensa. A Expociência ainda é também uma excelente oportunidade para saber mais sobre a Agência Espacial Brasileira e o Observatório Nacional, ambos representados no local. O outro pavilhão da Expociência tem como grande atração - e as crianças especialmente adoram - um fóssil de excremento de um dinossauro, encontrado no Mato Grosso, além de alguns ossos destes bichos.
O campus da UFMT ainda reserva duas atrações que constam da lista de pontos turísticos imperdíveis de Cuiabá. Um deles é o Zoológico. Do campus, a vista da represa com árvores lotadas de aves, tuiuiús tomando sol à beira da água e capivaras pastando ao redor é realmente capaz de emocionar quem não é da cidade. Há ainda outras espécies - todas das regiões do Cerrado e Pantanal, como antas, lobo-guará, cachorro do mato (também conhecido como cachorro vinagre), emas, lontras, onças, saguis, bugio, tatus, jacarés, jabutis, sucuri e outros. No fim de tarde, um espetáculo é promovido pela revoada de aves que vêm do Pantanal dormir nas árvores dentro dos limites do Zoológico. Muito bem organizados, alunos da universidade monitoram os visitantes e falam sobre os animais. A outra grande atração é o Museu Rondon, com exemplares de cerâmica, armas e objetos rituais indígenas, além de fotos.
Para os visitantes que quiserem conhecer mais sobre a cultura cuiabana, uma passada pela praça de alimentação é essencial. Os restaurantes (em barracas) oferecem bons exemplos da culinária regional, com pratos típicos como maria-isabel (arroz com carne-de-sol), feijão empamonado (com farinha), farofa de banana, carne com banana, arroz com pequi e, claro, peixes variados.
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