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Reforma Universitária
Publicado em 25/02/2005 - 13:17
Em debate ocorrido ontem no auditório do jornal Folha de São Paulo, com a presença do ministro da educação Tarso Genro e seus dois antecessores, Cristovam Buarque (PT) e Paulo Renato Souza (PSDB), discutiu-se o anteprojeto da Reforma Universitária.
A platéia estava lotada e era composta por representantes das universidades, reitores, estudantes, membros da UNE (União Nacional dos Estudantes), Educafro
(Educação e Cidadania de Afrodescententes e Carentes) e MSU (Movimento dos Sem-Universidade).
Tarso Genro apresentou os principais pontos do anteprojeto que causam polêmica como a autonomia e o financiamento das universidades, uma flexibilidade maior de gestão para os reitores gastarem a verba disponível e a eleição direta dos reitores, através de regras determinadas por um conselho superior da instituição.
Em sua apresentação, Buarque elogiou Tarso Genro pela "ousadia das idéias do projeto". Mas, em sua visão "é um equívoco fazer a reforma do ensino superior sem vincular à revolução do ensino básico". Ele pediu ao ministro que mande junto com a projeto da reforma universitária a reformulação da escola básica. Além disso, defendeu a federalização da educação.
"A educação é tão importante que deve ser de nível federal",
alegou.
Tanto Buarque quanto Souza são a favor do capital estrangeiro na educação, porém controlado.
O anteprojeto apresentado pelo MEC prevê que o capital internacional não pode ultrapassar 30%.
Paulo Renato, por sua vez, pediu menos burocracia na abertura de cursos e mais qualidade
nas graduações. Criticou também a eleição direta para reitor. "O Estado deve intervir". Além disso, defendeu a flexibilização curricular e o uso das novas tecnologias na educação. Para Souza, a proposta apresentada pelo MEC foi feita "pelas corporações das universidades e as beneficia".
O ministro da educação afirmou que Paulo Renato valida suas críticas ao projeto de reforma "nos interesses do mercado". "Paulo propõe a mercantilização da educação. Na nossa visão de mercado, a fonte de legitimidade da reforma está na constituição", rebateu Tarso.
Para finalizar, Cristovam Buarque alegou que é preciso incluir muito mais coisas no anteprojeto da reforma para deixá-la "mais contemporânea", além de ser necessária uma lei de responsabilidade educacional, assim como existe a de responsabilidade fiscal.
"É o momento de construção da proposta, nós não vamos resolver o problema da educação, mas podemos dar um bom passo", concluiu Tarso Genro.
Durante o debate, um grupo de estudantes realizou uma manifestação em frente ao edifício da Folha de São Paulo. Dentre outras coisas, eles diziam que a UNE não representa os estudantes, criticaram o ProUni e alegaram que a Reforma Universitária condiz
apenas com o interesse das universidades privadas.
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