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Sábado :: 04 / 07 / 2009
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Reunião Anual da SBPC
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Em entrevista exclusiva ao Universia, Ennio Candotti revela as suas expectativas e desafios para esse seu novo mandato, como o projeto de acrescentar um T, de Tecnologia, à sigla da SBPC. A 57ª Reunião Anual da SBPC e as mudanças no Ministério da Ciência e Tecnologia também são assuntos debatidos por Candotti.
Confira abaixo a integra dessa entrevista
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Universia - Quais são as expectativas e os preparativos para essa 57ª Reunião Anual da SBPC, que acontece em Fortaleza entre os dias 17 e 22 de julho? Qual é a estimativa de público e de trabalhos apresentados?
Ennio Candotti - Teremos, aproximadamente, 3.500 trabalhos sendo apresentados. A expectativa é de que 8.000 pessoas prestigiem essa 57ª edição.
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Universia - Quais são os desafios para esse novo mandato, o quarto à frente da SBPC?
Ennio Candotti - Acrescentar um T à SBPC. T de Tecnologia, que envolveria mais a área tecnológica nas noções da Ciência. Teve uma época em que se dava mais ênfase à Engenharia. A tecnologia é o saber fazer, aplicar, e aproximar ao aplicar à teoria da Ciência sem perder de vista a importância da pesquisa da área.
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Universia - Hoje a tecnologia não está próxima da SBPC?
Ennio Candotti - Não temos a mesma familiaridade com as áreas tecnológicas que com as científicas. Hoje, existem 70 sociedades científicas associadas à SBPC e somente um pequeno número, de 10 a 15, da área tecnológica.
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Universia - Quem atualmente você mira?
Ennio Candotti - Existem moderações com as áreas de Informática, Computação, Microeletrônica e Biotecnologia. Na área de Mecânica já existem importantes publicações e materiais. Mas, ainda temos muito o que fazer. A própria área de Agricultura também merece atenção. Apesar de diversas discussões de biotecnologias na parte das Engenharias Genéticas, existe um déficit na parte aplicada. Temos que nos aproximar mais nesse segmento.
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Universia - Como o senhor vê a questão dos recursos disponíveis para o desenvolvimento da pesquisa?
Ennio Candotti - A velocidade do crescimento da área de Ciências Tecnológicas é maior do que a dos recursos que estão alocados, tanto na área pública quanto na privada.
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Universia - Como que tem-se equalizando essa questão?
Ennio Candotti - O orçamento de Ciências e Tecnologias melhorou este ano. No entanto, existem recursos contingenciados que devem ser liberados e investidos nas áreas para as quais eles foram recolhidos, inclusive dos fundos setoriais.
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Universia - Os fundos setoriais estão chegando?
Ennio Candotti - Cerca de 50% estão contigenciados. Hoje, já acumula R$ 3 bilhões represados. Isso faz muita falta, pois a área cresce e seu desenvolvimento é muito importante. Como na área marítima, na área espacial e na área amazônica: todas exigem uma política industrial e, conseqüentemente, exigem investimento de porte, para os quais haviam sido pensados os recursos dos fundos setoriais.
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Universia - Como o senhor tem visto a formação do pesquisador, tendo em vista que estamos em um momento de reforma universitária a caminho? Quais são as suas perspectivas nesse sentido?
Ennio Candotti - Precisamos formar mais profissionais nas áreas aplicadas, Tecnológicas, Biológicas, Químicas, Físicas e um pouco menos nas áreas de Direito, Economia e Pedagogia, predominantes no crescimento das matrículas. O país se de fato quer enfrentar os desafios do desenvolvimento moderno e enfrentar as fronteiras do mar, da Amazônia e do espaço, deve investir pesadamente na formação de profissionais a altura desses desafios.
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Universia - Com relação às mudanças no Ministério da Ciência e Tecnologia, em razão da crise política, nós temos a saída de Eduardo Campos e a provável chegada de Sérgio Rezende, atual presidente da Finep (Financiadora de Estudos e Pesquisas). Como encarar essa mudança?
Ennio Candotti - Eu vejo positivamente o nome do Sérgio Rezende, um nome familiar e sempre presente nos assuntos que envolvem a área de Tecnologia, desde a nomeação do Amaral (Roberto Amaral) nos primeiros momentos do governo Lula. Ele é um homem que já participou do governo de (Miguel) Arraes (ex-governador de Pernambuco) na área de Ciência e Tecnologia. Há muitos anos divide o seu tempo entre o laboratório e a política de Ciência e Tecnologia em áreas do governo estadual. Por isso é uma pessoa anfíbia, transita bem na área cientifica devido ao grande reconhecimento como físico e a suas administrações públicas bem sucedidas. Concluo que Sérgio Rezende é um bom nome.
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Universia - Teremos algum destaque nos projetos a serem apresentados na reunião desse ano?
Ennio Candotti - Não. É preciso acompanhar de perto, pois, em geral, as reuniões são testes surpresas. Mas, o enfoque dessa edição será observar o mar a partir do sertão. Pensar no mar como uma nova fronteira, que no sentido do desenvolvimento científico e tecnológico é, sem dúvida, uma novidade. Em um mundo em que sempre se olha para o sertão como característica e para o mar como turismo, é preciso refletir. Afinal, o mar também pode ser um laboratório de enorme importância, uma fonte de riquezas potenciais. Por isso, nosso foco é olhar para o mar.
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Universia - E o debate político deve ser aquecido nesse momento?
Ennio Candotti - Não creio que isso seja possível. Existe um debate político, mas no sentido da realização e da continuidade dos programas que vinham sendo discutidos e debatidos pelo governo.
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