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Tratar de animais para proteger pessoas

Ao cuidar de animais, que conviverão ou serão consumidos pelo homem, o veterinário preserva, indiretamente, a saúde humana. Conheça os pontos-de-vista de três pessoas que resolveram seguir essa carreira

Publicado em 15/08/2002 - 02:00

Nome: Camila Freitas Batista
Idade:
19 anos
Profissão:
Estudante
Curso:
Etapa Vestibulares


Por que escolheu a profissão?

"Desde pequena quis fazer veterinária, pois gosto muito de animais. Sei que não conseguiria fazer medicina pois não tenho coragem de lidar com o ser humano. Acho que eu não agüentaria perder um paciente"


O que espera do curso?

"Espero me envolver mais com os animais e entender melhor o organismo deles. Penso que cuidando dos animais podemos evitar doenças que atingiriam o ser humano"

Nome: Flávia Gaffrée Braz
Idade: 22 anos
Profissão:
Estudante da UFF (Universidade Federal Fluminense)
Curso: Medicina Veterinária
Ano:
Entrou na faculdade aos: 18 anos

Por que escolheu a profissão?

"Porque eu gosto muito da área médica e, principalmente, gosto muito de animais. E eu sempre quis trabalhar em alguma coisa que eu realmente gostasse. Eu acho que, às vezes, as pessoas fazem medicina porque querem ganhar dinheiro ou porque gostam só de Biologia. Eu tentei unir o útil ao agradável: gostar não só do meu paciente, mas também da biologia e da rotina de trabalho"


O curso está correspondendo às suas expectativas?

"Sim, muito. Eu sei que o mercado de trabalho é bastante concorrido, principalmente na área de pequenos animais, em que quero atuar. Mas acredito que, depois de formada, as oportunidades vão aparecer"

Nome: José Euclydes Vieira Severo
Idade: 52 anos
Profissão: Médico Veterinário (Secretário Geral do Conselho Federal de Medicina Veterinária)
Curso: Medicina Veterinária
Ano de formação: 1976
Entrou na faculdade aos: 20 anos


Por que escolheu a profissão?

"Eu sou de uma família de produtores rurais. Me criei lidando com animais. Na época, inclusive, fiz dois vestibulares: engenharia mecânica e veterinária. Passei nos dois e escolhi veterinária. Foi uma decisão natural, mais para o lado familiar".

O curso correspondeu às suas expectativas?

"Sim, estudei em uma escola excelente, a UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), no Rio Grande do Sul. A profissão me agradou tanto que estou até hoje trabalhando na área"

Quanto espera ganhar?

"Nunca pensei nisso. Nunca pensei em estudar uma profissão pelo dinheiro que possa vir a ganhar. Mas acho que uns R$ 2.000,00 inicialmente"

O que você acha que vai encontrar de melhor na profissão?

"Acho que o melhor é o convívio com os animais mesmo. Eu gosto muito de animais"

Quanto espera ganhar depois de formado?

"No início, não acredito que possa ganhar mais do que R$ 1.000,00. Mas, depois de uns dez anos de profissão, espero ganhar mais de R$ 5.000,00".

O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
"Bem, além da parte de pequenos animais, mais conhecida, a veterinária é muito versátil. Você pode mexer na parte de tecnologia de alimentos, pode tratar de grandes animais e pode atuar em pesquisa - tanto na área de alimentos quanto na área de microbiologia. Mesmo a parte de pequenos animais já conta com diversas áreas de especialização. Nesse ponto também é muito versátil. Hoje em dia a veterinária já tem cardiologistas, oftalmologistas e, assim que tiver um tempinho para fazer uma especialização, pretendo começar a mexer com endocrinologia, onde existem poucos veterinários atuando"

Quanto ganha?

"Estou satisfeito com meus rendimentos, ainda mais se você considerar a média brasileira Hoje tenho um ganho acima de R$ 6 mil"

O que acha de melhor na profissão?

"A profissão tem duas partes nobríssimas. A primeira é que você, em qualquer fase da cadeia pecuária, está pensando na saúde humana. Afinal, você trata os animais para que o homem possa conviver de maneira saudável com eles. E a segunda é a parte da alimentação: cuidar para que os animais, que irão servir ao consumo humano, cheguem de forma adequada ao mercado. As duas coisas, tanto saúde como alimentação, são essenciais. Precisam ser muito bem feitas, com responsabilidade e equilíbrio com a natureza"

O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?

"Acho que é lidar com o animal quando ele está muito doente. E perder um animal também".


Que dica você daria a estudantes interessados em estudar Medicina Veterinária?

"Estudar muito. E se for fazer veterinária, tem que gostar. Por exemplo, não adianta pensar em fazer veterinário por acreditar que não consiga passar no vestibular de medicina. Tem de fazer veterinária porque gosta dos animais, gosta do que faz. E se esforçar muito, porque é difícil também"

O que acha que vai encontrar de pior na profissão?

"O salário. O veterinário não é reconhecido. As pessoas não dão tanto valor ao veterinário quanto ele deveria ter. Não só na área de pequenos animais, como também na área de produção. As pessoas precisam perceber que cuidamos exatamente do que as pessoas gostam - ter um animal de companhia e também saber que, sem a tecnologia de alimentos, sem um veterinário supervisionando os animais que vão ser abatidos, não haveria o consumo de carne de modo adequado. Eu acho que as pessoas não valorizam porque não sabem que a veterinária atua nesse campo também"


Que dica você daria aos estudantes interessados estudar Medicina Veterinária?

"Gostar de animais, estudar bastante e entrar na faculdade consciente de que ela é difícil. Apesar do vestibular não ser tão difícil, é uma faculdade em que o curso todo é muito difícil. E ter noção de todas as especialidades que a veterinária pode oferecer. Já entrar na faculdade sabendo tudo que pode usufruir dela".

O que acha de pior na profissão?

"A falta de planejamento, de organização do setor do agronegócio brasileiro, que não considera muito a presença do técnico como repassador de tecnologia. Nós ainda não temos o reconhecimento que deveríamos ter"

Que dica você daria aos alunos interessados nesta profissão?

"Para que se preparem muito durante o curso porque a competitividade que eles vão encontrar fora é muito grande. Até o fim da década de 80, tínhamos 34 escolas ensinando veterinária no país. Hoje são 98, soltando profissionais em grande escala. A competitividade hoje precisa começar dentro da escola. É preciso se preparar muito bem como médico veterinário, mas também como gestor. Como não tem emprego, mas tem trabalho, nós vamos precisar lá fora de um profissional que seja competitivo - do ponto de vista de tecnologia - mas que tenha uma visão muito boa de administração, de gestão, ou seja, ele precisa ser um empresário de serviço"

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