Ir diretamente para o conteúdo
Publicidade
Publicidade
Clipping |
MBAs e fiscalização do MEC
Existe um "Brasil real" carente do estudo de gestão que precisa ser atendido. Os jornais noticiam: "MEC aperta cerco aos cursos de pós-graduação", pois "denúncias levam ministério a criar órgão para fiscalizar instituições de ensino particulares". A notícia se refere aos MBAs. Não especifica onde estariam ocorrendo as transgressões. "Cerco" e "denúncia" são termos mais afetos às esferas policiais do que à educacional, quando se faz necessário informar o público e estimular a discussão inteligente de um tema crucial. Prefiro leitura mais positiva e, na minha interpretação, apropriada.
Não obstante as prioridades do ensino básico e da reforma universitária, o Ministério da Educação parece estar pondo em debate uma questão de política pública, de grande expressão, muito mal resolvida. O assunto é de extrema relevância, por razões simples. Algumas delas: 1) capacidade de gestão, nos setores público e privado, é indispensável para o desenvolvimento econômico e social; 2) uma das maiores demandas por pós-graduação, em nível de especialização, e, conseqüentemente, a maior oferta, está exatamente na área da gestão. Cientistas, engenheiros e docentes-pesquisadores, estes em todas as áreas, inclusive a da administração, requerem, para boa formação, programas de mestrado e doutorado; 3) em um país das dimensões e das necessidades do Brasil, os desafios da capacitação passam tanto pela qualidade como pela quantidade, sem o que estará comprometida a massa crítica necessária à gestão de empreendimentos públicos e privados; 4) as universidades e escolas independentes, entre elas as que não dependem de verbas públicas, encaram essa legítima e ansiosa demanda tanto como desafio inerente à sua missão educacional quanto como forma, legitimada pela própria demanda, de contribuição para seu autofinanciamento. É certo que existem questões importantes a resolver, naturais a um processo em evolução: 1) a legislação foi alterada no governo passado sem uma discussão mais ampla sobre seu mérito, e introduziram-se exigências difíceis de cumprir automaticamente; 2) os espaços oficiais de discussão e decisão privilegiam representações com experiência acadêmica nas esferas da pós-graduação stricto sensu, programas de mestrado e doutorado, mas pouca familiaridade com o lato sensu, cujas exigências se aproximam muito mais do mercado. A pouca familiaridade, quando não o total desconhecimento das suas particularidades e de sua dinâmica, tem gerado preconceito. Até mesmo o "mestrado profissionalizante", ou "executivo", conceito recentemente oficializado, o foi sob a pressão de critérios pasteurizadores e já tem sua sobrevivência contestada; 3) as questões da pós-graduação lato sensu estão ainda intimamente relacionadas às dúvidas sobre papéis e formas de financiamento das universidades pública e privada. Como na guerra, muito importante para ser deixada apenas aos generais, no ensino existem decisões muito importantes para se circunscreverem aos meios acadêmicos. Existe um "Brasil real" carente do estudo da gestão, entre outros, que vem se manifestando vigorosamente e precisa ser atendido. São engenheiros, médicos, militares, advogados, educadores, economistas, pequenos e médios empresários, gerentes de cooperativas, de grandes empresas nacionais e multinacionais, muitos deles, e cada vez mais, fora das grandes capitais. São capacidades que se traduzem em produtividade, empregos, exportações e desenvolvimento. Uma dedicação ao tema por parte do ministério, colocando-o em republicana discussão, é mais do que bem-vinda. Deve ser comemorada. (Bianor Cavalcanti - Diretor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas.) Fonte: Gazeta Mercantil [Gazeta Mercantil ] |
|
||||||
Links patrocinados