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Cinema entra em cena na PUC
O ano passado entrou para a História do cinema brasileiro. Graças ao sucesso de produções como "Carandiru", de Hector Babenco, e "Lisbela e o prisioneiro", de Guel Arraes, o mercado do filme nacional cresceu 220%. Em 2004, as produções verde-amarelas continuam em alta. "Sexo, amor e traição", de Jorge Fernando, por exemplo, já foi visto por mais de 2,2 milhões de pessoas. Não são só os diretores, editores e roteiristas, entre outros profissionais do ramo, que estão sendo beneficiados. Por causa do crescimento do mercado, as faculdades de cinema têm suas vagas cada vez mais disputadas. De olho no número crescente de jovens interessados pela sétima arte, a PUC acaba de anunciar que vai abrir um curso de graduação em cinema.
Cinema passa a ser a terceira habilitação da faculdade de comunicação social da universidade da Gávea (ao lado de jornalismo e publicidade) a partir do vestibular do final deste ano. Agora são quatro as universidades cariocas com curso de cinema. As outras são a UFF, a Estácio de Sá e a Gama Filho, cujo curso forma tecnólogos. O mais antigo do Rio (foi criado em 1968 pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos), o curso da UFF vai ter seu número de vagas ampliado de 40 para 50 este ano por causa do aumento da procura. Diretor do Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS) da federal, Antonio Serra acha que o interesse dos jovens pela carreira aumentou depois da retomada do cinema nacional, no meio dos anos 90. - Para tentar atender à procura, em 2000 nós aumentamos o número de vagas de 30 para 40. Não adiantou e este ano vamos criar mais dez vagas - diz ele. O curso de cinema da UFF, que conta com 320 alunos, é o quinto mais disputado do vestibular da universidade. A relação candidato-vaga do último concurso foi de 21,3. A procura pelo curso da Estácio de Sá, que foi criado em 1997 e tem 714 alunos, também tem aumentado. É o que diz a sua diretora, Angélica Coutinho. - Até 2003 tínhamos uma turma de manhã e outra à noite. Neste semestre tivemos que abrir uma segunda turma de manhã. E a turma da noite, que tinha 20, 25 alunos, hoje conta com 40 - diz ela. Angélica acha que a procura vai aumentar ainda mais e que a faculdade deve ampliar o seu número de vagas no segundo semestre. Ricardo Solberg, coordenador da faculdade de cinema da Gama Filho, diz que a relação candidato-vaga do curso também tem aumentado. Solberg criou o curso com o cineasta Ruy Guerra há cinco anos. Guerra ainda é o diretor do curso da Gama Filho, que conta com 120 alunos. Solberg diz que por causa do bom momento vivido pelo cinema brasileiro ele e Guerra têm recebido convites para abrir cursos em diversos estados. - O último convite veio de uma universidade de Varginha, em Minas - conta. Professores de jornalismo e publicidade da PUC, os cineastas Walter Lima Jr. ("A ostra e o vento"), Silvio Tendler ("Glauber, o filme") e João Moreira Salles ("Nelson Freire") e o jornalista e colunista do GLOBO Arthur Dapieve também darão aula para os alunos de cinema. As disciplinas específicas do curso são cinema mundial 1 e 2, argumento e roteiro, produção 1 e 2, direção, cinema brasileiro, direção de fotografia, teoria e crítica, edição em cinema e projeto de filme 1 e 2. Tendler diz que dominar as novas tecnologias que estão mudando o cinema será uma das prioridades do curso. Segundo o diretor do Departamento de Comunicação Social da PUC, Cesar Romero, o momento não poderia ser mais propício para a criação da faculdade. - A linguagem audiovisual, cuja base é o cinema, está cada vez mais presente na nossa vida. Dela dependem as TVs abertas, a cabo e institucionais, a internet e a publicidade, por exemplo - diz Apesar do curso novo, a comunicação social da PUC continuará com 500 vagas. Romero explica que no momento a estrutura do departamento não tem como comportar mais estudantes. O aumento da procura por cinema não é a única mudança no mundo acadêmico resultante do sucesso dos filmes nacionais. Os alunos de cinema passaram a ser visto com outros olhos. - Antigamente se alguém dizia que fazia cinema era tratado como maluco. Hoje quem estuda cinema é visto como uma pessoa normal - diz Nilo Lacerda, de 26 anos, aluno do primeiro período do curso da UFF. Silvio Tendler concorda com Nilo. - Hoje as pessoas não vêem mais os cursos de cinema como fábricas de desempregados. Elas sabem que o mercado de trabalho está se expandindo - diz. Roteirista de "Pequeno dicionário amoroso" e professor da Gama Filho, Paulo Halm diz que as faculdades de cinema começaram a ser valorizadas nos anos 90. - Quando eu me formei na UFF, em 1986, o cinema brasileiro era muito ativo e quem fazia faculdade não era levado muito a sério. Diziam que o cinema, como o samba, não se aprende na escola - lembra. - Veio a época do Collor e a produção de longas-metragens desapareceu. Nessa época as faculdades de cinema começaram a produzir muitos curtas. Como a maior parte da mão-de-obra vinha delas, os cursos viraram referência. Fonte: O Globo Online [O Globo Online ] |
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