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OAB-MG - Um segundo vestibular
Atendendo à Portaria 1.886 do Ministério da Educação e Cultura, a Ordem dos Advogados de Minas Gerais (OAB-MG) realizou, na manhã de ontem, a primeira etapa do Exame da Ordem, ocasião em que 5.157 advogados, recém-formados ou não, tentaram obter a carteira da entidade, que lhes dá direito ao exercício da profissão. O concurso é considerado um segundo vestibular e as provas normalmente são consideradas difíceis pela maioria dos candidatos. Sabe-se que em Minas Gerais a aprovação não passa de 28% e em nível nacional só chega a um percentual de 30%. A justificativa, de um lado, são as escolas despreparadas e desinteressadas no futuro do aluno. Os estudantes, por sua vez, devem procurar um curso de melhor conteúdo para enfrentar o mercado de trabalho e transcender o ensino da escola , comenta o presidente da Comissão de Elaboração das Provas, Antônio Marcos Nohmi.
Os advogados responderam 80 questões de múltipla escolha, versando sobre 11 disciplinas básicas que, segundo os organizadores, são matérias profissionalizantes de conteúdo mínimo, como Direito Civil, Comercial, Constitucional, Processual, do Trabalho, Administrativo, Internacional, Penal, Tributário, Processo Civil, além do Estatuto da OAB e o Código de ética, que estavam juntos nas provas. Eliminatória, essa fase só aprova quem conseguir acertar 50% das questões. Só assim poderá passar para a segunda etapa, desta vez com prova prática profissional e que será feita no dia 28 de setembro. Ao justificar o exame, Nohmi conta que a entidade está apenas cumprindo o papel de assegurar à sociedade, um mínimo de conteúdo aos profissionais com conhecimento básico, garantindo a quem contrata um advogado, que terá um profissional que conhece do assunto. Sabemos que a aprovação é baixa, baixíssima, o que reforça o pensamento de que o estudante tem que transcender o ensino da escola. Se existe alguma falha na escola é a falta de fomento à prática real. Tem que ser feito teatrinho, por exemplo, com os processos onde um estudante faz papel de advogado, de juiz ou de promotor. Isso dá firmeza ao indivíduo; instrumentaliza o conhecimento. O aluno deve exigir da instituição de ensino a preocupação pós faculdade, pois o diploma em si é fácil. A instituição tem que se comprometer a formar um profissional que o mercado de trabalho exige, e não só dar-lhe informação e conhecimento deslocados do contexto. Os currículos têm que ser revistos num projeto pedagógico atualizado constantemente . Wagner Maia Fonseca, 23 anos, formou-se no ano passado, fez estágio, mas aguardou a prova da OAB para depois tentar entrar no mercado de trabalho. Achou a prova muito difícil, em especial a de Processo Penal e Constitucional. Mesmo assim acredito que entro . Menos crédulo, Tiago Siqueira, 26 anos, bancário, achou a prova dificílima , especialmente a de Direito Internacional, pois minha faculdade tratou esta matéria superficialmente. Mas esta prova é um verdadeiro concurso para se advogar. O que a OAB devia fazer era fiscalizar as faculdades, e não fazer exigências posteriores, como está fazendo agora. Somos fruto do meio acadêmico do qual saímos, e sabemos estar despreparados pois as escolas não qualificam ninguém . Sirlene Nunes, 25 anos, já é professora e não achou a prova tão difícil. Exigiu raciocínio e até um pouco de decoreba , Ela confirma que as escolas não se importam com quem se forma, e que os currículos não são o ideal. Renata Resende Chaves, 35 anos, achou a prova fácil, com questões bem elaboradas, não reclama de sua escola, a Newton Paiva, e acha que vai passar. O resultado desta etapa será divulgado no dia 30 de agosto. Fonte: Diário da Tarde [Diário da Tarde ] |
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