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30/11/2004


Edição de conteúdo cria novos nichos profissionais


"Instructional designer" e editor de e-learning tornam mais fácil a aprendizagem via internet. O acentuado crescimento do mercado de e-learning no Brasil criou a necessidade de formação de um novo tipo de profissional: o "instructional designer", responsável pela conversão do conteúdo de projetos educacionais para a metodologia do ensino a distância (EAD). Considerado hoje o "mosca branca" do mercado, o instructional designer só existia no mercado americano. No brasileiro, era o próprio professor que criava o material didático, afirma Clara Barros de Souza Mendes, instructional designer da Norsul, empresa que está há quatro anos no mercado de e-learning. Sua função é adequar o conteúdo ao formato e à interatividade do ensino via internet, com o objetivo de potencializar o processo de aprendizagem.

Outro profissional que começa a ganhar evidência no setor é o editor de e-learning que faz a transformação do conteúdo para a internet ou intranet. Até mesmo o web designer adquiriu a preocupação em utilizar recursos que facilitem o aprendizado, tornando-o mais eficiente e agradável, segundo Fátima Cristina Nóbrega, gerente de implementação do programa de EAD da Norsul.

Os cuidados cada vez maiores com o sucesso do formato, e conseqüente eficiência, de educação a distância, decorrem do acentuado aumento da competitividade em um mercado que não pára de crescer. Depois de um faturamento estimado em R$ 160 milhões para este ano, a previsão é que a receita alcance a casa dos R$ 200 milhões, uma expansão de 25% sobre este ano, segundo Sérgio Hentschel, diretor de serviços da e-Learning Brasil, especializada em informações sobre o mercado de educação a distância.

Para acompanhar esse ritmo de crescimento, a Norsul chega a investir até 10% do faturamento anual, a maior parte em soluções de gerenciamento do sistema (Learning Management System - LMS). Em sua carteira de clientes, constam empresas como Petrobras, Telemar, Brasil Telecom, Citibank, Br Distribuidora, Sabesp, Souza Cruz, Nestlé e ABN.

Os investimentos necessários para implantar um programa de e-learning variam muito, de R$ 500 mil a R$ 1 milhão, de acordo com a quantidade de usuários, diz Fátima.

Os conteúdos mais procurados atualmente na Norsul são os da área de tecnologia da informação; alguns específicos para a área financeira, como matemática financeira e vendas; e gestão do conhecimento.

A subsidiária da norte-americana Saba, que tem foco em soluções para o desenvolvimento e o gerenciamento de capital humano, pretende conquistar 10% das 500 maiores empresas do Brasil nos próximos dois anos, afirma o diretor geral Manoel Salgueiro.

Segundo o executivo, a Saba atende hoje ao redor de 2 milhões dos 8 milhões de usuários de e-learning existentes no mundo. Um de seus principais focos é oferecer produtos, como o Enterprise Learning Suite, para equipes de vendas, parceiros de canais e universidades corporativas.

Salgueiro afirma que as empresas que mais investem em e-learning são as que possuem grande capital ativo distribuído no território brasileiro em escritórios regionais e de vendas. "Além de ser uma ferramenta estratégica para promover mudanças, os custos de treinamento podem ser reduzidos em até 50% em relação ao treinamento presencial."

Salgueiro é otimista em relação ao potencial do Brasil. Ele estima que a área de e-learning cresceu algo em torno de 60% em 2003, comparado ao percentual registrado no Japão, de 40%. E prevê mais 40 % a 50 % de expansão neste ano. A Saba tem sua sede localizada na Califórnia ( EUA), atua em 24 países e iniciou suas operações no Brasil em 2003. Sua base de clientes já é grande e inclui empresas como Alcatel, Telecom Italia, DaimlerChrysler, Procter&Gamble, General Electric, Cisco Systems e Deloitte Consulting.

Ênfase em conteúdo
Do total movimentado em 2003 no mercado brasileiro de e-learning, o conteúdo é responsável pela maior parte do faturamento: 41%, afirma Sérgio Hentschel, da e-Learning Brasil. A infra-estrutura tecnológica responde por 34% e a prestação de serviços por 25%.

Em sua opinião, a participação do conteúdo tende a crescer não só no faturamento mas no total dos investimentos em pesquisas. Internacionalmente essa fatia responde por 57%, em especial nos Estados Unidos onde o mercado é mais maduro. O mercado mundial de e-learning movimentou, em 2003, US$ 6,5 bilhões. A previsão é de que o mercado cresça de maneira consistente até 2008 para US$ 21 bilhões, segundo dados consultoria Internacional Data Corporation do Brasil (IDC).

DotCorp contrata
Para expandir sua área de ensino a distância, a DotCorp, empresa do grupo DotCoporation, contratou para o cargo de gerente de relacionamento Nelson Castello Branco. Formado em administração de empresas pela Universidade Ibirapuera (Unibi) e mestrado na mesma área pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Branco trabalhou em empresas como Terco Auditoria, PricewaterhouseCoopers e Grupo Comollati. O grupo DotCorporation é especializado em soluções de tecnologia da informação e educação corporativa. Atende a empresas públicas, de telecomunicações, transportes, tecnologia e bancos.

Fonte: Gazeta Mercantil


[Gazeta Mercantil]




 
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