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30/11/2004


Estudantes fazem greve na Escola Bahiana de Medicina


Pela primeira vez, alunos da Escola Bahiana de Medicina entraram em greve contra o esperado aumento nas mensalidades, já consideradas abusivas, hoje em R$ 1.165,46. A paralisação foi iniciada na manhã de ontem e envolveu também as unidades do Cabula e de Brotas, que sediam os demais cursos - odontologia, psicologia, biomedicina, fisioterapia e terapia ocupacional - mantidos pela Fundação Bahiana para o Desenvolvimento das Ciências, mantenedora das faculdades.

Vestidos de preto, os estudantes de medicina chegaram a interromper o trânsito na porta da faculdade, no início da manhã, durante o protesto, mas uma unidade da Polícia Militar foi acionada para manter a ordem e negociou com o comando de greve. Palavras de ordem e um intenso apitaço passaram a se concentrar, então, nas dependências da própria faculdade. Entre as reivindicações apresentadas estão a participação estudantil na elaboração da planilha de custos, gestão mais participativa e democrática, apoio e financiamento para pesquisa e iniciação científica.

REAJUSTE - Os representantes do diretório acadêmico informaram que "a luta por participação na planilha de custos visa ao conhecimento amplo da realidade financeira da faculdade", lembrando que professores e funcionários não são satisfatoriamente remunerados, ao tempo em que a mensalidade tem sido reajustada de maneira progressiva nos últimos seis anos. De R$ 450 em 1999, passou para R$ 650 em 2002 e hoje está em R$ 1.165. Além disso, reclamam a presença de dois representantes estudantis com direito a voz e voto na congregação.

A direção da fundação não foi encontrada para manifestar-se a respeito do movimento, mas o estudante Silber Rodrigues Alves, representante do diretório acadêmico, que foi recebido na manhã de ontem pela diretora da faculdade, Maria Luíza Soliani, informou que "a decisão de reajustar a mensalidade parece que está tomada, somente não foi anunciado o percentual a ser aplicado". Entre os estudantes, as apostas giram em torno dos 16%, que seriam anunciados assim que os cursos entrassem em período de férias a fim de evitar protestos ou manifestações contrárias.

REGIMENTO - Também integrante do diretório acadêmico, Rafael Baquit acrescenta que um novo regimento foi aprovado, mas igualmente sem a participação ou conhecimento por parte dos estudantes, "que estão sem voz junto à direção da entidade", reclama. Eles exigem mais transparência, lembrando que "se a lei não obriga a participação dos alunos no processo de elaboração da planilha, também não a proíbe", conforme lembrou a estudante Gabriela Pinto.

"Para se ter uma idéia da falta de diálogo que impera hoje na Escola Bahiana de Medicina, basta dizer que a gente não sabe sequer quantos alunos tem, hoje, a escola", completa o estudante Marcos Xavier. Em carta aberta distribuída aos estudantes, o diretório acadêmico informa que, apesar da denominação oficial, a Fundação Bahiana para o Desenvolvimento das Ciências "não disponibiliza recursos para bolsas de iniciação científica, as oferecidas aos estudantes são pagas por instituições e programas governamentais, a exemplo da Fiocruz e do Pibic".

Fonte: A Tarde


[A Tarde ]




 
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