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23/12/2004


Sistema de cotas na UnB


Mais de seis mil negros se inscreveram no polêmico primeiro vestibular da Universidade de Brasília (UnB) a separar vagas para candidatos afrodescendentes. Foram 392 vagas disponibilizadas pelo sistema de cotas e 1.602 para o sistema universal no 2º Vestibular de 2004.

Para concorrer, prioritariamente, por meio do sistema de cotas, o candidato precisou preencher três requisitos exigidos pela instituição: comprovar, por meio de fotografia, ser da cor preta ou parda; declarar-se negro; e fazer a opção pelo sistema.

Ao final da etapa de inscrição, no dia 17 de abril, as fotos dos candidatos cotistas foram encaminhadas em CD-Rom para uma comissão que decidiu pela sua homologação ou não pelo sistema de cotas. A comissão foi formada por pessoas de movimentos sociais ligados à questão, especialistas no tema e membros da equipe que implantou o sistema.

As provas aplicadas a todos os vestibulandos, cotistas ou não, foram as mesmas e todos eles tiveram que atingir a pontuação mínima para serem aprovados no exame. Os vestibulandos não puderam tirar nota menor que zero na prova de língua estrangeira; ter pelo menos 10% da nota na prova de código, linguagem e ciências sociais; ter pelo menos 10% da nota da prova de ciências da natureza e matemática; e alcançar 20% da nota no conjunto do exame.

Vaga
Moradora de Santa Maria, Jaqueline dos Santos, 18 anos, defendeu o sistema. "Não me importo de ter que tirar fotos e fazer a inscrição em separado." Ela disputava uma vaga para o curso de pedagogia pela segunda vez.

Já Sara Emanuelle Souza Corecha, 19, tentava, mais uma vez, ser aprovada para o curso de Medicina. Para ela, é um absurdo destinar um número das vagas para negros, pois "a grande desigualdade é social e não por conta da cor. Deveria ter vagas, sim, para quem estudou a vida inteira em escola pública", afirmou.

Fonte: Jornal de Brasília


[Jornal de Brasília ]




 
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