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10/01/2005


Confusão na segunda fase do vestibular da Ufba


No primeiro dia da segunda fase do vestibular da Universidade Federal da Bahia (Ufba), a confusão dominou a cena em alguns locais onde foram realizadas as provas. A Polícia Federal teve que ser chamada para conter os ânimos de pais e alunos retardatários, no Colégio Manoel Novaes, no Canela. No Colégio Central, em Nazaré, cinco pais de alunos e um candidato que chegou atrasado acabaram retidos na recepção e só foram liberados às 10 horas, quando os primeiros candidatos que estavam fazendo as provas deixaram as salas.

"Gostaria de ir à missa, mas estou aqui presa e só vou sair às 10 horas", disse, nervosa, Kátia Cabral Fonseca, na recepção do Colégio Central. Ela acompanhou a filha Simone, 19 anos, que disputa uma vaga no curso de Pedagogia. Quando tentava sair do colégio, foi impedida por seguranças.

Pior sorte teve o candidato Woquiton Rodrigo Medrado, 18, que chegou às 7h53 e foi impedido de entrar na Escola Manoel Novaes, onde faria prova para o curso de Medicina. Segundo explicou, na internet constava que ele deveria fazer prova no PAC do Canela (Campus), mas só depois descobriu, com informações de funcionários, que deveria fazer a prova no Manoel Novaes. "Vim correndo pelo mato e, ao chegar aqui, fui barrado. E agora?", disse, chorando inconformado.

INTERNET - O coordenador do vestibular da Ufba, professor Nelson Almeida, explicou que a universidade adotou um padrão de conduta de fiscalização rigorosa comum em outros concursos. "Não temos interesse em impedir que qualquer candidato faça a prova, mas acontece que muitos pais não atentaram para as informações do manual, onde se informa que não é possível a entrada destes nos estabelecimentos", explicou.

Quanto ao caso dos alunos que alegaram ter os endereços trocados na internet, ele disse ser improvável tal situação, uma vez que, durante toda a semana que antecedeu a segunda etapa das provas, a Ufba teve o cuidado de enviar os cartões dos candidatos e manter um plantão de atendimento até às 20 horas do dia anterior à prova (sábado). Não foi o que parece ter acontecido ao funcionário público federal Antonio Américo, que foi acompanhar a filha, Tahís, 18 anos, candidata a uma vaga no curso de Direito.

Na internet, o nome dela indicava o Colégio Manoel Novaes como local de prova, mas só na escola é que ela ficou sabendo que deveria se dirigir à Faculdade de Direito, um quilômetro adiante. Felizmente, ela conseguiu uma carona e chegou a tempo de fazer a prova. O mesmo alegou Tainã Magalhães Miranda, 17 anos, que não pôde fazer a prova para Nutrição. Chegou a entrar no Colégio Manoel Novaes, baseado na relação que viu na internet, mas só minutos antes de entrar na sala soube que seu nome não constava na lista. O nome do candidato estava, na verdade, na lista do Colégio Teixeira de Freitas, na Mouraria. Resultado: Tainã perdeu a prova.

Rigor vai continuar hoje
O coordenador do vestibular da Ufba, professor Nelson Almeida, disse que o rigor na fiscalização e no acesso aos locais onde se realizam as provas vai continuar hoje, independentemente das reclamações dos pais, que ontem, em alguns estabelecimentos, ficaram retidos por pelo menos duas horas no interior das escolas.

"A orientação é que somente os alunos tenham acesso às escolas", disse, taxativo, Nelson Almeida, que explicou que os fiscais têm orientação de fazer uma espécie de "varredura", dez minutos antes do início das avaliações, para retirar dos estabelecimentos todas as pessoas que não tenham autorização de permanecer no local. "Se ao fecharmos os portões alguém estiver do lado de dentro, só poderá sair após duas horas, que é o período mínimo para que o primeiro candidato deixe a sala", disse.

Em alguns locais, contudo, os coordenadores do vestibular foram menos rigorosos. Na Escola Evaristo da Veiga, na Garibaldi, onde 626 candidatos estavam inscritos, os coordenadores Conceição de Maria Santos e Jutahy Alberto, minutos antes de fecharem os portões, tiveram o cuidado de sair até a calçada para ver se havia algum candidato chegando atrasado. "Ficamos atentos para ver se havia pessoas descendo dos ônibus ou tentando atravessar a pista. Se tivesse, esperaríamos e só então fecharíamos o portão", disseram.

Pais torcem do lado de fora
Se nas estatísticas do número de inscritos deu empate técnico, nos locais onde se realizaram as provas, a disputa entre candidatos oriundos de escolas particulares e de escolas públicas também foi marcante e se estendeu até mesmo aos pais, que torciam, do lado de fora, pelo sucesso dos filhos no primeiro dia da segunda etapa do vestibular da Universidade Federal da Bahia.

Sentadas lado a lado, as mães Marivalda Reis de Souza e Anatildes Oliveira Pereira aguardavam as filhas Patrícia, 17, e Léa, 20, ambas tentando uma vaga para o curso de Letras. Em comum na disputa por uma vaga, as duas têm uma realidade educacional diferente: Patrícia foi aluna da Escola da Penísula, colégio particular na Ribeira, enquanto Léa veio da Escola Estadual Edvaldo Brandão, em Águas Claras.

Dentre os 11.702 candidatos aprovados para a segunda fase do vestibular da Ufba, 5.905 vieram das escolas particulares e 5.795 das escolas públicas. Do total das vagas destinadas a alunos da rede estadual de ensino, 2% foram reservadas para descendentes indígenas. Entre eles estava a índia pataxó Anari Braz Bomfim, tentando uma vaga no curso de Letras. "Não posso falar agora, pois estou atrasada", disse. Além dela, outros seis índios pataxós fazem prova, de um total de 20 que se inscreveram na primeira fase do vestibular da Ufba este ano.

Concorrência mais acirrada
Passar na primeira fase do vestibular da Ufba já pode ser considerado uma vitória. Ultrapassar a segunda fase, com provas específicas por áreas de cursos, só será possível para 4.026 dos 11.702 candidatos aptos para realizarem as provas. É uma concorrência difícil. De cada três candidatos, dois serão efetivamenbte eliminados.

Ontem, 402 deles ficaram de fora sem nem mesmo entrar nas salas. Alguns, como Alandy Barreto Conceição e Carla Oliveira Brito, não fizeram as provas por chegar atrasados e ser barrados no portão de entrada. Ele, 18 anos, tentava, pela primeira vez, uma vaga no curso de Psicologia. Ela, 20, já é estudante da Universidade Estadual da Bahia (Uneb) e tentava uma vaga na Ufba para o curso de Geografia. O portão fechado do Colégio Central, entretanto, encerrou o sonho dos dois.

Em situação inversa, Jorge Raimundo Pereira, 55 anos, viu frustrado o sonho de cursar Filosofia. Veio do Subúrbio Ferroviário de Escada e disse ter chegado ao Colégio Central no horário, mas perdeu alguns minutos na recepção, onde estavam vários pais de candidatos. Ao tentar passar para o portão interno que dá acesso às salas, foi barrado. "Vou fazer a prova amanhã (hoje) e depois vou entrar na Justiça", disse. Somente no Colégio Central, onde estavam inscritos 1.750 candidatos, 69 deixaram de fazer as provas.

Números
- Inscritos na primeira fase - 33.061
- Origem de escolaridade
- 15.253 - 46,14% esc. pública
- 17.808 - 58,86% esc. privada

- Etnia (preta e parda)
- 13.396 - 40,52% esc. pública
- 12.174 - 36,82% esc. privada

- Cursos: 61
- Vagas: 4.026
- Aprovados na segunda fase 11.702
50.46% 5.905 - escola particular
49,59% 5.795 - escola pública

- Resultado Final
Até 07.03.05

- Internet: (www.ufba.br/vestibular) Campus Universitário - Ondina

Fonte: A Tarde


[A Tarde]




 
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