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31/05/2005


Rabelo recebe apoio de alunos e colegas


Helena Mader Monique Renné/Especial para o CB Colegas e alunos de Mauro Luiz Rabelo, detido durante pouco mais de seis horas e depois liberado pela Polícia Civil no último sábado, manifestaram ontem apoio ao diretor acadêmico do Centro de Promoção e Seleção de Eventos (Cespe). Indignadas com a prisão de Maurinho, como é conhecido, mais de cem pessoas participaram do evento, realizado no auditório do Departamento de Matemática da Universidade de Brasília (UnB). Com faixas, cartazes e balões brancos, os amigos do diretor do Cespe mostraram revolta diante da ação da polícia. Rabelo é professor de Matemática da UnB e há dez anos trabalha na Diretoria Acadêmica do centro. A manifestação começou às 10h15 e foi organizada, durante o fim de semana, por pessoas próximas a Mauro Rabelo. Todos foram unânimes em defender a integridade e a seriedade do diretor do Cespe, que viu seu nome envolvido no escândalo da máfia dos concursos. Rabelo participou do evento e ficou emocionado com a demonstração de apoio. ?É muito bom saber que tanta gente está ao meu lado depois deste episódio. Mas essa manifestação não será suficiente para apagar tudo o que aconteceu. Minha imagem foi arranhada e será necessário muito tempo para que tudo volte ao normal.? O funcionário da UnB Wilde Pereira, que conhece o professor há mais de dez anos, encomendou uma faixa onde se lia ?professor Maurinho, compartilhamos da sua dor e confiamos na sua integridade?. Ele estava revoltado com a prisão. ?Foi uma atitude arbitrária e absurda. O Maurinho é uma pessoa séria, correta e íntegra. Não acredito no seu envolvimento com esse esquema de fraudes.? O professor de Matemática Leonardo Lazart conhece Mauro Rabelo há mais de 20 anos e acredita que o colega não está envolvido com a venda de provas de concursos públicos elaborados pelo Cespe. ?Mauro é um idealista, um humanista. Muitas vezes ele sacrificou a família para melhorar a educação no país.? Agradecimento Ao final do ato, em que Mauro Rabelo defendeu sua inocência e agradeceu o apoio dos funcionários e alunos, formou-se uma longa fila de pessoas que queriam cumprimentar o professor. A decana de assuntos comunitários da Universidade de Brasília, Thérèse Hofmann, disse que o colega é um homem digno. ?Precisávamos fazer alguma coisa para apoiá-lo e mostrar nossa solidariedade.? Mauro Rabelo foi detido na noite da última sexta-feira pela Polícia Civil e prestou depoimentos durante mais de seis horas na Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco). Ele foi liberado e fez exame preventivo obrigatório no Instituto Médico Legal (IML). O diretor acadêmico foi apontado pelos policiais como o fornecedor de provas organizadas pela instituição. O diretor acadêmico teve seu nome envolvido com a máfia dos concursos depois que Carlimi de Oliveira, presa na última quarta-feira, disse que ele era o funcionário do Cespe que repassava as provas à quadrilha. Durante uma acareação, entretanto, ela voltou atrás e confessou que a pessoa da instituição envolvida com as fraudes era o seu marido, Fernando Leonardo Oliveira Araújo, de 26 anos, que trabalhou na gráfica do Cespe até 2003. -------------------------------------------------------------------------------- Concurseiros estão divididos Brasilienses aprovados no Pará -------------------------------------------------------------------------------- Críticas e luta em favor do Cespe Edilson Rodrigues/CB/9.7.04 ?Queremos mostrar que o Cespe vem se aperfeiçoando na arte de fazer concursos? Timothy Mulholland, vice-reitor e professor do Instituto de Psicologia Paulo de Araújo/CB/20.5.03 ?É muito triste ver o nome da universidade nas páginas policiais dos jornais? Luiz Gonzaga Motta, professor da Faculdade de Comunicação Paulo de Araújo/CB/20.5.03 ?É preciso mostrar como as verbas migram dentro da universidade? Michelangelo Trigueiro, professor do Departamento de Sociologia O possível envolvimento do Cespe no escândalo dos concursos entrou na pauta de discussão da eleição para reitor da Universidade de Brasília (UnB), marcada para os dias 15 e 16 de junho. Os três candidatos estão preocupados com prejuízos à atividade acadêmica e prometem agir para recuperar a credibilidade do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos. O maior organizador de concursos públicos do país repassa anualmente cerca de R$ 10 milhões à universidade. Com a imagem arranhada, o órgão deve perder contratos, e os recursos destinados à UnB podem diminuir. Com o déficit no orçamento da universidade, a verba do Cespe é essencial para o funcionamento da UnB. O Cespe financia, por exemplo, parte dos custos do Restaurante Universitário, que recebe 4,5 mil pessoas por dia. O centro repassou R$ 767 mil ao restaurante no ano passado. O dinheiro repassado pelo governo federal só é suficiente para metade dos gastos com o custeio da UnB. Por conta da importância dos recursos para as atividades da universidade, os candidatos da oposição prometem não fazer uso político do escândalo da máfia dos concursos. Eles garantem que, independentemente do resultado das eleições, vão lutar para salvar a imagem do órgão. Michelangelo Trigueiro, professor do Departamento de Sociologia, e Luiz Gonzaga Motta, professor da Faculdade de Comunicação, criticam a forma como o Cespe foi administrado pela atual gestão. Chamam o centro de ?caixa preta? e defendem uma maior transparência nos trabalhos da instituição. Os dois concorrentes acreditam que a apresentação rotineira de balanços pode ajudar a recuperar a credibilidade do Cespe. Michelangelo e Luiz Gonzaga, candidatos das chapas UnB original e Mudar é preciso, respectivamente, querem tornar públicas as prestações de contas do Cespe. ?É preciso mostrar como as verbas migram dentro da universidade. A instituição quer saber como são aplicados esses recursos oriundos das atividades do centro?, defende Michelangelo Trigueiro. O professor de Sociologia também critica os privilégios que o centro recebe, em detrimento das atividades acadêmicas. Ele garante que entre os cinco novos prédios previstos este ano para a UnB, apenas a sede do Cespe já foi licitada. O novo centro deve custar cerca de R$ 5,5 milhões. ?Os prédios que abrigarão os institutos de Química e de Biologia ainda não foram licitados.? Transparência Timothy Mulholland, atual vice-reitor e professor do Instituto de Psicologia, garante que sua gestão luta pela transparência do trabalho do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos. Ele explica que as atividades do Cespe são auditadas, e toda a dinâmica orçamentária do órgão consta no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). ?O Cespe tem um relatório anual, elaborado juntamente com o relatório da universidade. Além disso, o Tribunal de Contas acompanha de perto as atividades do centro?, justifica. O atual vice-reitor acredita que a Reitoria pode fazer um maior trabalho de divulgação para esclarecer eventuais dúvidas e mostrar à população acadêmica o trabalho do órgão. ?Queremos mostrar que o Cespe vem se aperfeiçoando na arte de fazer provas e concursos. Essa é uma contribuição histórica?, explica Timothy Mulholland. Luiz Gonzaga Motta lamenta o envolvimento do nome do Cespe no escândalo da máfia dos concursos e defende uma nova gestão para o órgão. ?É muito triste ver o nome da universidade nas páginas policiais dos jornais.? Ele acredita que o centro precisa ter mais transparência para evitar novos problemas. ?O mesmo grupo está no poder há três gestões. Isso gera núcleos imunes a críticas. As pessoas começam a se julgar inatingíveis?, critica. O Cespe tem a atribuição de elaborar as provas do Programa de Avaliação Seriada (PAS) e do vestibular da UnB. Para Luiz Gonzaga Motta, o centro não pode ditar a política de acesso à universidade. ?O Decanato de Ensino de Graduação precisa ter mais controle sobre o processo de seleção, definindo quando e como será feito o vestibular. O Cespe acabou reunindo atribuições que não são suas.? Timothy Mulholland lembra que as questões das provas de seleção para a universidade são elaboradas por professores da própria instituição. Ele explica que o Cespe desenvolve todo o processo seletivo em parceria com o Decanato de Ensino de Graduação. (H.M.)

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