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Escola de Teatro da Ufba completa 49 anos
Perla Ribeiro
A Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia completou ontem 49 anos. A data foi marcada por uma feijoada, mas no meio acadêmico paira uma grande preocupação. É quase meio século de uma história construída com bases sólidas e que agora o plano diretor da instituição ameaça abalar. Isso porque pretende transferir os cursos de teatro, belas artes e música para o campus de Ondina. Para quem está de fora, a mudança de endereço pode não dizer muita coisa, mas tanto a diretora da Faculdade de Teatro, Eliene Benício, quanto a comunidade acadêmica, não conseguem visualizar o seu funcionamento distante do seu maior laboratório, o Teatro Martins Gonçalves. Em reforma desde 2001, a obra já consumiu R$1 milhão e já foram liberados outros R$750 mil para conclusão da reforma de reconstrução do teatro. A coordenação do plano diretor alega que a idéia é reunir todas as artes, levando os três cursos para o mesmo local onde funciona dança. Mas se o problema for apenas este, a diretora de teatro Eliene Benício, propõe que o curso de dança migre para o Canela. "Não sabemos se a idéia vai avante, seria necessário consultar toda a sua comunidade para saber se há interesse. No passado, a escola já funcionou lá no Canela e hoje está isolada", avalia. Além da perda do seu maior laboratório, destaca que a sua localização já faz parte do circuito cultural da cidade e que a idéia de profissionalização do teatro está dentro do projeto de criação da escola. E essa necessidade de ter um espaço onde os alunos possam apresentar ao público o trabalho que vem desenvolvendo, revelar o seu potencial é o que mais vendo sendo questionado. "Por mais que o aluno seja avaliado por notas, quem vai dizer se ele vai ter espaço no mercado de trabalho é a sua comunidade. É ali que ele tem contato direto com o público e é a receptividade ou não ao seu trabalho que vai lhe dar um aval profissional. Não há escola de medicina sem hospital, não há escola de química sem laboratório. E no caso do curso, o teatro é o principal laboratório de ensino, pesquisa e extensão", considera a diretora da Faculdade de Teatro da Ufba.
Embora o projeto do Plano Diretor englobe laboratórios cênicos, a comunidade acadêmica não vê por que criar um novo espaço quando já existe um investimento real e também enfatiza a possibilidade da arte dentro do campo acabar ficando "ilhada". Eles temem que com a mudança uma história que foi construída em 49 anos tenha que começar do zero mais uma vez e ainda sob o risco de não atingir o patamar onde já chegou. Atualmente a escola atende a 450 alunos de graduação e 150 de pós-graduação e é referência em todo o Brasil.
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