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26/08/2002


Estudantes se surpreendem com Enem


A distância entre a prova do Enem e o ensino médio brasileiro é expressada pela opinião dos alunos que participaram do exame ontem. "Não tem nada a ver com o que estudamos a vida inteira", disse Denise Valim, de 18 anos, ao sair do local de prova na capital. "Não fui bem e tinha assunto que nunca vi na minha vida", completou Laína Alves, de 17 anos, que estuda em uma escola pública de Orlândia, interior de São Paulo.

O Enem é uma prova que avalia competências e habilidades e não o contéudo escolar. Por isso, as 63 questões de múltipla escolha não são divididas por disciplinas. A boa leitura, a compreensão do texto das perguntas e o raciocínio são os elementos indispensáveis para conquistar uma nota alta.

Fora isso, pede-se uma redação seguindo os mesmos conceitos. A intenção do governo era a de indicar uma mudança nesse sentido para o ensino médio.

Educadores sustentam que, para atingir esse objetivo, ainda é necessário melhorar a formação dos professores.

As notas nas provas têm confirmado essa teoria. A média geral no Enem de 2001 foi de 52,58 pontos e, em 2000, de 60,87. Estudantes de escolas particulares tradicionalmente se saem melhor. Para o aluno Adriano Rampazzo, de 17 anos, a prova foi interessante por não se resumir a conhecimentos específicos. "Achei as questões bem elaboradas e complexas". Anna Luiza Bastos Tarsitano, de 17 anos, acredita que nem precisaria ter cursado o ensino médio para realizar o Enem. "É só interpretação de texto e raciocínio lógico."

Mais de meio milhão de estudantes estavam inscritos para a prova no Estado, sendo cerca 140 mil na capital. Alguns alunos de escolas públicas e particulares disseram, antes do início do exame, que haviam realizado simulados preparatórios. "Os professores falam que o Enem vai nos ajudar no vestibular", conta Maitê Leka, de 18 anos, que nos últimos três meses vem estudando para o exame no cursinho do Objetivo.

"Percebi que preciso estar mais antenada e informada", disse Adriana Patrícia Fidélis da Silva, de 17 anos, ao sair do seu local de prova no Recife. Segundo ela, o conteúdo exigido é diferente do que costuma ver na escola e, por causa disso, pretende agora ler mais jornais e revistas. Já Thiago Lins Pereira se disse satisfeito com o seu desempenho no Enem, ontem, e atribuiu isso à sua facilidade em se expressar.

Em Curitiba, 22 detentos da Prisão Provisória do Ahú e da Colônia Penal Agrícola participaram do Enem. No Estado do Paraná, cerca de 100 mil alunos estavam inscritos. No total, o Enem foi realizado em seis presídios brasileiros. No Estado do Rio, 115.378 alunos se inscreveram para fazer as provas.

Fonte: O Estado de S. Paulo




[O Estado de S. Paulo]




 
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