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26/08/2002


O papel da Unemat


Ao acertar sua volta ao Brasil, o economista carioca José Alexandre Scheinckman, professor da Universidade de Princeton (EUA), declarou enfaticamente a necessidade de reforço do parque tecnológico brasileiro e ampliação da produção científica nacional. Scheinckman fala com a autoridade de quem há mais de uma década vem se destacando como uma sumidade internacional na área de finanças e teoria econômica. É mestre e doutor pela Universidade de Rochester, em Nova York, e entre 1995 e 1998 chefiou o Departamento de Economia da Universidade de Chicago. Dez anos antes, foi vice-presidente de estratégia financeira do Goldman, Sachs & Co., um dos maiores bancos americanos.

As palavras de Scheinckman encontraram ecos por toda parte. O economista Americano Jeffrey Sachs, uma das maiores autoridades mundiais em economia, reforçou o que há tempos já vinha enfatizando: a necessidade urgente de desenvolvimento tecnológico em nosso país. O editorial do jornal Correio Brasiliense do dia 21 de agosto de 2002 destacou a importância da ciência & tecnologia: "...o Brasil precisa investir no desenvolvimento de produtos de alto valor agregado e inovações tecnológicas que permitam a diversificação da pauta de exportações. Com isso, o país ganhará novos mercados, ficará menos dependente do capital estrangeiro e se firmará no cenário internacional como nação com grande potencial de crescimento".

A afirmação do Correio Brasiliense é uma velha máxima entre os economistas da nova geração. Mas só agora começa a encontrar respaldo entre os políticos. Os candidatos Serra, Lula e Ciro começaram a discutir o assunto com o destaque e o grau de importância que merece. Lula chegou a utilizar quase todo seu programa de estréia para enfatizar o exemplo de um estaleiro carioca que poderia atender às encomendas da Petrobras para a construção de três plataformas de petróleo, desde que acertasse parcerias para absorver tecnologia.

O Estado de Mato Grosso, que não foge à regra, está sendo atendido pela Embrapa e pela Fundação MT, duas entidades que asseguram a manutenção da produtividade nos agronegócios através da pesquisa tecnológica. Mas não basta para resolver os desafios da pobreza rural que ainda macula o próspero interior do Estado e causa um triste contraste entre pujança econômica e degradação humano-ambiental. O novo governador e o novo reitor da Unemat precisarão trabalhar em um projeto conjunto que possa prover o interior de tecnologia voltada ao pequeno empresário, que ainda se encontra à margem do processo econômico. A pecuária, a agricultura, a indústria e o turismo ligados aos pequenos empresários precisará ser foco prioritário de pesquisa tecnológica por parte da Unemat. Essa é a maneira de acompanharmos os avanços que estão por acontecer na nova ordem econômica brasileira. Esse é o papel de uma administração responsável.

Ben Hur Marimon Junior é professor da Universidade do Estado de Mato Grosso em Nova Xavantina, mestrando pela UnB e conselheiro do Conselho Estadual de Educação. benhur@unb.br

Fonte: A Gazeta de Cuiabá - Opinião, Ben Hur Marimon Junior




[A Gazeta de Cuiabá , Opinião, Ben Hur Marimon Junior]




 
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