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05/01/2006


Professores da PUC-SP receberão 50% do salário


Os professores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) receberão amanhã somente 50% do salário referente ao mês de dezembro. O restante do pagamento ainda está sem data. O anúncio foi feito ontem pela Reitoria da instituição, que atravessa uma crise financeira e acumula uma dívida bancária de R$ 82 milhões.

Na semana passada, havia o risco de a universidade não conseguir pagar nem parte do salário dos professores. Com o início das matrículas a partir de hoje, os docentes perceberão metade e os funcionários vão ser pagos integralmente.

Desde que assumiu o cargo, no fim do ano passado, a reitora Maura Véras tem implantado mudanças administrativas para tentar controlar a crise financeira. Houve união de departamentos, extinção de funções administrativas, terceirização de setores, expansão de vagas e demissão de funcionários.

As ações, no entanto, foram insuficientes para eliminar o déficit, o que fez com que o cardeal dom Cláudio Hummes, arcebispo metropolitano de São Paulo e grão-chanceler da universidade, considerasse a possibilidade de nomear um interventor para a PUC-SP. A idéia foi adiada com a condição de que a própria reitoria faria os ajustes necessários.

Mais de cem juristas e professores de 12 países assinaram uma nota de repúdio contra a demissão sumária do professor Marcelo Neves, no dia 14 de dezembro, da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (EDSP-FGV). Na nota, que será divulgada oficialmente hoje, eles afirmam que a demissão pelo diretor do curso, Ary Oswaldo Mattos Filho, foi arbitrária, sem fundamentação e sem consulta ao corpo docente e a outros membros da faculdade.

Neves lecionava três disciplinas na Escola de Direito da FGV: Introdução ao Direito, Teoria da Constituição e Direito Constitucional. Entre os signatários está o filósofo alemão Jürgen Habermas; o professor Andrew Arato, da New School for Social Research, de Nova York; e o professor francês André-Jean Arnaud, da Universidade de Paris.

A comunidade acadêmica internacional denuncia, na nota, que, antes da demissão, Neves foi proibido, por Mattos Filho, de aceitar um convite do governo alemão para atuar como observador internacional nas eleições naquele país, assim como de um encontro em Poços de Caldas (MG). (das agências de notícias)

[O Povo ]




 
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