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Domingo :: 05 / 07 / 2009
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Um novo ensino superior público para a Zona Oeste
O ensino superior público no Estado do Rio de Janeiro inicia 2006 com uma novidade: o início das atividades do Centro Universitário da Zona Oeste - a Uezo - que começa a funcionar a partir de fevereiro, em parte das instalações do tradicional Instituto de Educação Sarah Kubitschek em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. As obras de adaptação dos prédios existentes para a instalação de laboratórios de ensino e pesquisa estão em fase final e novos edifícios serão construídos ao longo do corrente ano.
Planejada para formar mão-de-obra especializada que atenda à demanda dos complexos industriais que estão se instalando ou em fase de ampliação na Zona Oeste, na Baixada Fluminense e mesmo em outras regiões do estado, a Uezo vai formar tecnólogos utilizando uma filosofia inovadora. Os cursos, com duração mínima de três anos, terão sua parte final ministrada diretamente em empresas da região, contando inclusive com a participação de técnicos e de pesquisadores dessas instituições como professores credenciados pela Uezo. O projeto acadêmico, com a definição dos cursos e a estruturação das carreiras, foi aprovado pelo Conselho Estadual de Educação, que deu autorização para o funcionamento do Centro Universitário, o que possibilitou levar adiante a idéia de levar ensino público de qualidade para uma região carente e normalmente relegada a segundo plano. Projetos importantes alavancados pelo governo do estado, como a construção da Companhia Siderúrgica do Atlântico, a expansão da siderúrgica Gerdau/Cosigua, o Pólo Gás-químico, os setores naval e de apoio offshore certamente vão se beneficiar com a futura safra de profissionais especializados que terão suas vagas asseguradas no mercado de trabalho quando concluírem seus estudos, daqui a três anos. Outros setores igualmente importantes, como a indústria farmacêutica e as áreas de biotecnologia e de Tecnologia da Informação e Comunicação também terão à sua disposição profissionais especializados formados pelo novo centro. No projeto do novo complexo educacional buscou-se imprimir a mesma diretriz que norteou a criação da universidade Estadual do Norte Fluminense, ou seja, a de que a pesquisa científica e tecnológica é o principal vetor para a estruturação de um ensino de qualidade. No caso da Uezo a ênfase será dada à inovação tecnológica e à prestação de serviços técnicos altamente especializados às empresas. Por isso, o corpo docente da Uezo será formado por doutores e na avaliação de seus currículos terá peso significativo a produção científica e a formação de pesquisadores. Os profissionais contratados em regime de dedicação exclusiva receberão, ainda, uma bolsa de apoio acadêmico, definida com base na experiência profissional. Horários do novo centro Outro aspecto importante refere-se ao horário de funcionamento. A Uezo terá turnos pela manhã e à noite, uma preocupação com as pessoas que trabalham - uma realidade na região - e que teve caráter relevante na definição da grade de horários do novo centro universitário. A preocupação com o acesso também teve papel preponderante na escolha do local para instalar a Uezo. O Instituto Sarah Kubitschek, que abriga a nova unidade educacional, fica próximo a duas estações de trem, no tronco ferroviário do ramal de Santa Cruz e pelo local passam diversas linhas de ônibus com boa oferta de transporte para toda a Zona Oeste, Centro do Rio e Baixada Fluminense. A realização do primeiro vestibular para o novo centro universitário, em dezembro passado, revelou a enorme demanda por ensino superior gratuito em uma região que concentra cerca de dois milhões e duzentos mil habitantes, em 20 bairros e 21 sub-bairros, e onde existem 280 escolas de ensino médio, sendo 143 públicas, de onde saem, anualmente, entre 60 a 70 mil alunos. Para concorrer as 360 vagas oferecidas se inscreveram 6.017 candidatos, uma relação de 17 candidatos para cada vaga. Este percentual só é comparável aos concorridíssimos vestibulares de medicina de universidades tradicionais. Outras três iniciativas associadas à instalação da Uezo foram igualmente bem recebidas na região: a instalação de um pólo de educação à distância do Consórcio Cederj, em agosto de 2005, a realização do pré-vestibular social, voltado para estudantes carentes que não podem pagar cursos preparatórios particulares, e a criação do Instituto Superior de Educação da Faetec. Todas tiveram procura por vagas muito acima da média do estado. Para se ter uma idéia, o pré-vestibular social recebeu no segundo semestre do ano passado 1.200 alunos, estudando aos sábados em cinco colégios estaduais localizados na região, interessados em se preparar para o vestibular 2006.
Esta realidade nos leva a refletir e reafirmar a intenção do Governo do Estado do Rio de Janeiro de levar ensino público de qualidade para as regiões menos favorecidas, sobretudo na periferia das grandes cidades, onde, certamente, há excelentes quadros, esperando apenas pela oportunidade de desenvolverem seus talentos. No decorrer dos próximos anos teremos oportunidade de confirmar o acerto de mais esta iniciativa.
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