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Sábado :: 04 / 07 / 2009
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Torpedos para fraudar vestibular de medicina
A alta tecnologia usada por quatro candidatos para fraudar o vestibular de medicina da Universidade Gama Filho está dificultando o trabalho da polícia. O golpe foi descoberto no domingo, a partir de uma ligação ao Disque-Denúncia. Os policiais flagraram os jovens com celulares escondidos na palmilha dos sapatos, recebendo o gabarito da prova em forma de torpedos. Os aparelhos tinham chips modificados, que não estavam ligados a nenhuma linha telefônica, o que impede a interceptação para descobrir de onde as mensagens foram mandadas, afirmou o delegado Luiz Antônio Ferreira, que investiga a fraude.
A quadrilha usa diferentes formas de abordagem e ainda não foi possível para a polícia determinar a partir de que Estado o bando atua. Jane Lopes Soares, de 22 anos, cursa medicina numa Universidade da Bolívia e se queixou com uma amiga, pelo Orkut, de saudades da família. Recebeu mensagem prometendo a transferência para o Rio. O baiano Antônio Luiz de Argolo Filho, de 23 anos, foi abordado quando se inscrevia para o vestibular na própria Gama Filho. Diogo Lecio Dupin Zwan, de 25 anos, do Rio Grande do Sul, e Renata Bispo Arruda, de 21 anos, de Brasília, filha de uma procuradora militar federal, receberam a proposta no curso pré-vestibular. Pela oferta recebida, eles poderiam escolher qualquer Universidade para fazer a prova. Os quatro foram orientados a comprar um celular com painel de plástico e receberam um kit contendo a palmilha de neoprene (para dificultar o uso de detector de metal), o chip modificado e as instruções para decodificar as respostas - o zero, por exemplo, indicava que deveriam marcar qualquer letra para evitar provas iguais. Pagamento O encontro foi marcado para dois ou três dias antes da prova em locais diferentes. Ao receber o kit, assinaram uma promissória entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. Pelo acordo, uma pessoa qualificada faria a prova e deixaria a Universidade às 10h30. O gabarito seria enviado por mensagem 15 minutos depois. Os candidatos, então, iriam ao banheiro, fariam a cópia do gabarito, e lançariam os chips na privada. Como a polícia e a Universidade estavam avisadas do golpe, todos os que quiseram ir ao banheiro foram submetidos ao detector de metais, inclusive nos pés. Argolo Filho recusou-se a tirar o par de tênis, mas cedeu após ser ameaçado de sair da Universidade algemado. Renata teve uma crise de choro. No tênis, além do celular, ela levava uma caneta cortada pela metade. Os quatro jovens foram presos em fragrante e responderão por estelionato (pena de um a cinco anos de detenção). A Justiça negou pedido de habeas-corpus feito na madrugada de ontem. Os integrantes da quadrilha serão processados por estelionato, formação de quadrilha, utilização de equipamento de telecomunicação sem observância da lei. As penas são cumulativas - cada um dos candidatos que utilizaram o sistema de cola eletrônica conta como um crime diferente. O vestibular de medicina é o mais concorrido da Gama Filho, com 1.924 candidatos para 140 vagas. Os 15 cursos restantes tiveram 838 inscritos. Não há necessidade de anular a prova porque os candidatos não voltaram para as salas. As provas deles estavam em branco e foram canceladas, afirmou o coordenador do Vestibular, professor Saumir Portugal.
Acho que devemos servir de exemplo para as demais universidades. Todas devem ter detectores de metais para evitar fraudes como essa. Em março, uma quadrilha foi condenada no Acre com penas de até 21 anos de prisão por fraudar vestibulares em todo o País - inclusive o da Gama Filho. Uma moça superdotada fazia as provas e os gabaritos eram vendidos por R$ 15 a R$ 25 mil.
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