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A luta pela criação da Unb
Darcy Ribeiro, criador da Universidade de Brasília (Unb), diz, no livro Universidade, para quê?, na luta pela criação da instituição, que havia os que eram contra a idéia. Israel Pinheiro, por exemplo, dizia: duas coisas não deveriam existir em Brasília: operários e estudantes. Mas, para outros, no entanto, a idéia de universidade estava associada à consciência crítica do País.
Helena Bomeny, pesquisadora do CPDOC, da Fundação Getúlio Vargas, narra: Quando o arquiteto Lúcio Costa concebeu Brasília como nova capital do Brasil, já pensava a cidade como um pólo de irradiação cultural e intelectual, dotado de uma nova universidade. Previu até o local do seu campus: entre a Asa Norte e o Lago.
A lei que criou a UnB só seria sancionada em 15 de dezembro de 1961, pelo presidente João Goulart. O Poder Executivo estava autorizado a instituir a Fundação Universidade de Brasília (FUB), mantenedora da futura universidade. Na primeira reunião do conselho diretor da FUB, Darci Ribeiro seria eleito presidente do colegiado e reitor da nova universidade. Uma resolução o conselho diretor autorizou a implantação imediata de três cursos transitórios (considerados cursos-tronco) que constituíram o embrião da UnB: os de direito, economia e administração; arquitetura e urbanismo; e letras brasileiras, abrangendo literatura e jornalismo. As primeiras aulas foram ministradas em um dos prédios da Esplanada dos Ministérios. Escreve Helena Bomeny: O modelo universitário cristalizado nos primeiros estatutos da UnB, aprovados em fins de 1962, se baseava na aplicação do princípio da autonomia universitária e na estreita articulação entre ensino e pesquisa.
A UnB sofreu o impacto do movimento militar de 1964. Em outubro de 1965, houve a invasão e a ocupação policial do campus, e a demissão de quase todos os professores, além da repressão aos estudantes. A UnB, pensada em ambiente democrático no governo JK, teria sua regulamentação implementada sob o regime autoritário pós-64, destaca Helena Bomeny.
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