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07/02/2006


Agora é o momento de descansar


Simone Harnik

A maratona de vestibulares chegou ao fim e a recomendação é a mesma para os aprovados e para os que não encontraram o nome na lista: descanso. Segundo especialistas, o momento é propício para arejar os pensamentos e aproveitar os últimos dias do verão para começar o ano letivo com a mente e o corpo em dia.

Quem não foi aprovado nos exames deve, acima de tudo, descansar. Depois, é preciso reexaminar o que aconteceu, afirma o psicoterapeuta e professor da PUC de São Paulo Antonio Carlos Amador Pereira. Se não passou agora, é preciso colocar a entrada na faculdade como meta, avaliar o ano de estudos e corrigir o que deu errado.

Para o psicoterapeuta Leo Fraiman, especialista em psicologia educacional, a época para quem não foi aprovado é de um teste moral. Agora é que o estudante vai ter de provar se tem coragem para puxar para si a responsabilidade. Tem gente que reprova, fica magoado e desiste. É o momento de se comprometer com o que tem vontade e, se a faculdade for importante mesmo, ficar determinado, diz.

Segundo Fraiman, no processo de crescimento também está o aprendizado das frustrações. É um ganho para a vida aprender a lidar com as derrotas. Para quem não passou é hora de criar um pacto consigo mesmo para não se fazer de vítima e para não se sentir fracassado e desanimar.

Em última análise, o que os dois especialistas apontam é que não há uma hora marcada para ingressar no ensino superior. A rosa mais bonita de um jardim não é a que abriu primeiro. A grande competição na vida tem de ser da gente com a gente mesmo. É normal que pessoas entrem na faculdade antes dos colegas, que alguns se casem antes do que outros ou que tenham mais sucesso financeiro, afirma Fraiman. A chave, segundo ele, é não se autodestruir mas também não deixar os objetivos de lado.

Na hora dos resultados, a participação e a atitude dos pais é fundamental. Se o filho não passou, uma cobrança incisiva não vai resolver o problema. Os pais têm de dar apoio para que o filho tente de novo, se ele se esforçou e estudou. E para quem teve os filhos aprovados, o importante é ter os pés no chão e não fazer loucuras para presentear o sucesso. O importante é não dar nenhum presente que esteja fora de suas condições, diz Pereira.

Para o candidato que passou no vestibular, agora é hora de desfrutar isso. Aproveitar o restante das férias, porque a entrada na universidade significa mudança grande, diz o psicoterapeuta.

Para ele, o mundo diferente exige adaptação, que costuma durar os três primeiros meses de convivência na faculdade. Além disso, também muda o status. O estudante passa a ser universitário. Perto da população do país, apenas uma minoria consegue isso.

Além disso, o estudante que ingressou em uma faculdade tem de aprender a lidar com suas expectativas a respeito do curso. O que Fraiman enfatiza é que, depois dos vestibulares, começa um processo seletivo para a vida. Agora, a prova é da maturidade que entra em jogo. Muitos alunos saem prematuramente da faculdade porque começam com sonhos muito altos e se frustram, diz.

Flávia Sauer Tobaruella, 20, por exemplo, ingressou em 2005 no curso de biomedicina da Unifesp e esperava horários mais flexíveis. Mesmo assim, não está decepcionada. Achei que é um curso puxado, mas é gostoso. Ele satisfez bem as minhas expectativas, mas eu não achava que ia ficar tão cansada, conta.

Biomedicina era sua primeira opção, mas Flávia foi aprovada em cursos bastante diferentes entre si. Na USP, ela passou em nutrição e, na Unicamp, em engenharia de alimentos.

Ela conta que em momento nenhum chegou a vacilar sobre a hipótese de mudar de curso perante as dificuldades. Às vezes bate dúvida, não pelo fato de querer fazer outra faculdade, mas por ter de me dedicar tanto e ter de abrir mão de muita coisa, como o convívio com a família, diz.

[Folha de S.Paulo ]




 
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