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Brasil :: Página inicial >
Domingo :: 05 / 07 / 2009
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Na moda, amadores não têm mais vez
Setor ganha seus primeiros programas de MBA para atender à exigência de profissionalização. A profissionalização da indústria da moda é um processo irreversível. E esta é uma ótima notícia para quem tem interesse em atuar na área e disposição para buscar a especialização. O mercado ainda não apresenta um grande volume de vagas, mas os headhunters e as escolas de negócios já começam a ser procurados por donos de confecções, estilistas e multinacionais, que procuram gerentes e diretores capazes de fazer os negócios crescerem no Brasil e no exterior.
O setor vive um crescimento galopante, comenta Luiz Wever, diretor da Ray & Berndtson. Segundo ele, como ainda existem poucos executivos especializados na gestão de negócios de moda, as companhias procuram pessoas com sólida experiência em gestão, que tenham também conhecimento em moda. É importante ter a postura dessa tribo, ser elegante, culto, ter boa comunicação e conhecer as tendências, afirma. Isso porque, segundo ele, este ainda é um mercado fechado. Guilherme Veloso, consultor da Panelli Motta Cabrera & Associados explica que ainda existem muitas confecções centradas na figura do dono que faz tudo. São empresas muito familiares, que se profissionalizarão para sobreviver no mercado nacional e internacional, aponta. Segundo Amnon Armoni, professor da Fundação Armando Alvares Penteado - Faap, o Brasil está lutando por uma posição em nível internacional. O País ainda representa apenas 0,5% dos trades têxtil e de confecção mundiais, afirma. Nesse processo, os primeiros a serem requisitados são os gerentes e diretores de administração geral e finanças. São atribuições que aumentam à medida que os negócios crescem e tomam um tempo que poderia ser dedicado à criação, observa Veloso, da Panelli. Na seqüência, a tendência é de que sejam chamados profissionais das áreas de marketing e de vendas. Nesse contexto, os cursos de pós-graduação voltados para o setor são uma alternativa para ingressar no mercado. Não faltam oportunidades. Recebemos entre dois e três anúncios de vagas em nível gerencial por semana. E as empresas reclamam da dificuldade de preenchê-las, diz André Robic, diretor do IBModa. Ele garante que 100% dos alunos estão empregados na área. Marina Augusto já concluiu o curso de extensão que fez na instituição e conseguiu migrar de uma agência de publicidade para o departamento de marketing da Triton, marca-irmã da Fórum de Tufi Duek. Comecei a me interessar por moda ainda durante o curso de publicidade, depois de fazer um trabalho sobre o tema, conta. Apesar de gostar nunca procurei trabalho nessa área. Recentemente fiz um curso rápido, que acabou me levando a conhecer a especialização do IBModa. A estratégia usada por Marina foi a de procurar vagas nos sites de recolocação profissional e enviar seu currículo para as empresas em que desejava trabalhar. Acabei sabendo da vaga da Triton por amigos. Foi a única entrevista que fiz, lembra. Depois que foi contratada como assistente de marketing percebeu a carência de profissionais qualificados. Precisamos de outra pessoa no departamento e tivemos dificuldade de encontrar. Por isso, quem se especializar com certeza encontrará espaço. Este ano, estão sendo lançados dois MBAs: o de Gestão Estratégica em Moda, pela Faap, e o Executivo em Negócios da Moda, pelo IBModa. Segundo André Robic, diretor do IBModa, o objetivo é unir teoria e prática. Por isso mesmo, a instituição desenvolveu o Programa Empresa Escola do IBModa, no qual os alunos têm a oportunidade de desenvolver projetos para empresas variadas, de grifes como Oakley e Lita Mortari a gigantes do setor como Marisol e Azaléia. Também no sentido de trazer as necessidades e conhecimentos da indústria para a universidade, a Faap ministrará seu MBA em conjunto com o Instituto Brasil de Arte e Moda, resultado de uma parceria entre a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e o Museu de Arte de São Paulo (Masp). Para participar desses cursos, no entanto, não basta querer. Cada um seleciona cerca de 25 candidatos/ano e a procura é grande. O MBA da Faap, por exemplo, já tem mais de 75 inscritos. O ideal é ter alguma experiência em áreas como produção, desenvolvimento de produto, comunicação, design, varejo, mesmo que não seja em empresas do setor, diz Armoni, da Faap. A exigência tem uma justificativa. Queremos formar um grupo com excelência, sem inflar o mercado, explica Armoni. Procuramos pessoas que atuarão com sucesso na área e a experiência profissional anterior é um indicativo de sua capacidade de desenvolvimento e afinidade com a moda, complementa Armoni. Mas ele garante: o mais importante mesmo é ter aptidão, vontade e capacidade analítica. Para o MBA do IBModa, o critério de avaliação é o mesmo. É baseado na experiência profissional, principalmente no conhecimento em gestão adquirido em pelo menos cinco anos de experiência. Em todas as turmas aceitamos uma ou duas pessoas recém-formadas, com bom histórico para criar uma turma heterogênia, diz Robic. O tempo que o aluno terá para se dedicar aos estudos também é levado em consideração. É preciso uma ou duas horas de estudo para cada hora de aula. Além do MBA Executivo em Gestão de Moda, o IBModa também oferece, há seis anos, o MBA em Marketing e Moda, bem como cursos de extensão e workshops. Outra instituição que oferece formação em gestão de moda é a Artemoda - Associação de Moda e Estilismo. A segunda edição do Programa de Gestão da Moda (PGM) tem parceria exclusiva no Brasil com o Iese Business School, que para a publicação The Economist é a melhor escola de negócios do mundo.
O curso ensina práticas de gestão empresarial, aspectos da indústria e cultura da moda e da arte. A intenção é atrair gerentes de primeiro nível de empresas médias e grandes, diretores das pequenas, jovens empresários e empreendedores.
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