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07/07/2006


Prova da OAB barra 94% na região


Aline Mazzo
Do Diário do Grande ABC

O exame 129 da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), realizado em maio, reprovou 94,4% dos candidatos da região do Grande ABC. Dos 1.377 bacharéis que realizaram a segunda fase, apenas 91 passaram, o que corresponde a 6,6%. O resultado é quase 3% menor que a média nacional de aprovação, de 9,79%. O índice geral foi o terceiro pior nos 35 anos de prova, somente superado pelo exame 126, realizado em maio do ano passado, com 7,16% de habilitação, seguido pelo 124, com 8,74% de aprovados. Especialistas consultados pelo Diário afirmam que o problema não está na prova, que continua com nível parecido o dos anos anteriores, mas na falta de qualificação dos alunos.

O presidente da OAB em São Bernardo, Fernando Guimarães de Souza, atribui a baixa média nacional à falta de investimento das faculdades na qualificação do curso de direito. "Precisamos de professores mais capacitados, pois atualmente é muito fácil fazer mestrado e doutorado. Assim, habilita-se um professor facilmente e não se sabe se ele conseguirá passar os conceitos de maneira clara aos alunos", observa. Por isso, para ele, a baixa média não é surpresa. "Além de selecionar os profissionais qualificados para exercerem a profissão, o teste funciona como um termômetro, já que mostra como estão os recém-formados. Mas, em vez dos índices melhorarem, só pioram a cada ano", reclama.

Para Souza, a região ainda apresenta um índice mais baixo de aprovação, pois boa parte das universidades tem um curso de Direito recente. "Algumas faculdades estão colocando as primeiras e segundas turmas no exame. Acho que essa pode ser uma das causas", fala. Dos 959 cursos de Direito do País, 11 ficam na região do Grande ABC.

O advogado destaca que é necessária a redução urgente de alunos em sala de aula - que muitas vezes possuem 70 ou 80 alunos - e a reformulação da grade curricular. "Não está atualizada. Os cursos limitam-se a ensinar Direito Civil, constitucional etc. Poucos falam de assuntos novos, como internet, Direito bancário, Esportivo e até Presidenciário, já que o governo é o detentor de grandes causas", enfatiza.

O coordenador do curso de Direito da Universidade Bandeirantes, de São Bernardo, Fernando Capez, atribui a baixa aprovação ao despreparo dos alunos que chegam ao curso superior. "Eles vêm com deficiências graves do ensino Fundamental e Médio e muitos não conseguem elaborar um texto claro e sem erros graves de ortografia e concordância, e a universidade não tem como suprir isso durante o curso", desabafa.

Outros dois grandes inimigos da universidade, segundo o coordenador, são a cola que está mais sofisticada e a evasão de sala de aula, quando um aluno assina a presença de outro que não está na classe. "Estamos trabalhando para diminuir isso e ministrando aulas de reforço aos sábados", ressalva.

O comportamento na universidade acaba refletindo no resultado da prova da OAB. O exame tem duas fases. A primeira é uma prova com 100 questões de múltipla escolha. Os aprovados vão para a segunda fase, que é composta por cinco perguntas objetivas e uma peça prático-profissional, dentro da área de escolha do candidato. As perguntas são corrigidas por 3 examinadores e a média mínima para passar é de 6 pontos.

'Dedicação do aluno conta muito', diz aprovada

Após fazer os cinco anos do curso de direito e mais um mês de cursinho preparatório, Marília Rosa Alves Cândido da Silva, 23 anos, de Santo André, conseguiu passar no tão disputado exame da OAB. "Essa foi a segunda vez que fiz a prova e não achei que estava difícil. A dedicação do aluno conta muito", fala. Ela tira como exemplo o próprio irmão, que se formou junto com ela, fez o cursinho e não conseguiu passar.

Já Heitor Miguel, 23 anos, e Eduardo Buenos Arantes, 23, ambos de São Bernardo, não acharam a prova fácil. Os dois cursaram a Faculdade de Direito de São Bernardo e fazem estágio em um escritório de advocacia em São Paulo, mas foram reprovados no exame. "Acho que é uma prova difícil, mas o maior problema está na correção subjetiva da segunda fase", reclama Eduardo. Mesmo assim, os dois concordam com a necessidade de um exame rigoroso. "Eu já trabalho na área e vejo que é muito importante qualificar quem vai para o mercado de trabalho", pondera Heitor, que tentará o exame 130 da ordem.


[Diário da Região]




 
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