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Os campeões da UnB
Marcelo, Lucas, José Oscar, Ana Cláudia e
Hícaro revelam o segredo do sucesso no vestibular. Eles alcançaram os cinco
primeiros lugares
Priscilla Borges Eles são campeões. Não venceram nenhum campeonato esportivo, mas desbancaram muitos concorrentes em uma batalha árdua: o vestibular da Universidade de Brasília (UnB). Na semana passada, 1.976 jovens tiveram o prazer de ver seus nomes na lista de aprovados no 2º vestibular 2006, pregada em murais no Centro Comunitário da UnB. Outros 68 também puderam conferir a aprovação para o campus de Planaltina. A alegria, os ovos, a tinta e a farinha - clássicos em dias de resultado de vestibular - tomaram conta das tendas do Centro Comunitário. A segunda-feira teve um gosto pra lá de especial para todos os candidatos que participaram da festa. Mas, para os cinco jovens a seguir, a comemoração teve um sabor ainda mais doce. Marcelo, Lucas, José Oscar, Ana Cláudia e Hícaro foram os melhores. Os cinco estudantes obtiveram as notas mais altas do vestibular. Os três últimos não moram em Brasília. Vêm do estado de Goiás. Lucas, José Oscar e Ana Cláudia, pelos traços fenotípicos, poderiam ter garantido uma vaga pelo sistema de cotas. Mas não precisaram do benefício. Os primeiros colocados no processo de seleção da UnB são muito jovens. A mais velha, única mulher entre eles, tem 18 anos. Os outros quatro estão com 17 anos. O primeirão, Marcelo, ainda nem completou o ensino médio. Mas, segundo os estudantes, o segredo de tanto sucesso não tem idade. Para chegar ao ensino superior, basta estudar muito. Os futuros universitários admitem que é preciso abrir mão de várias coisas: passeios, grandes noites de sono, namoro, saída com os amigos. 1º lugar Marcelo Vale Asari, 17 anos, aprovado para ciência da computação (bacharelado) com 436,8 pontos O jovem que fez mais pontos nas provas do vestibular ainda não terminou o ensino médio. Decidiu se inscrever no processo seletivo da UnB porque achou que já era hora de deixar o colégio. Queria entrar logo no ensino superior e estudar a área que tanto gosta: computação. Aluno do 3º ano no Colégio Militar, ele conta que sempre teve o hábito de estudar. O persistente Marcelo definiu um planejamento diário de estudos. Revia as antigas lições e se adiantava nas matérias que a escola ainda não havia ensinado. Para tanto, reservava cerca de três horas do dia. Se precisasse de mais tempo, extrapolava o horário estabelecido. Só não tocava nos livros aos domingos, que reservava para descansar. Sozinho, também fazia provas de vestibulares anteriores da UnB. "Tenho disciplina e tinha a intenção de ser aprovado agora", conta. O esforço valeu a pena. Marcelo acredita que a tranqüilidade que lhe é habitual fez diferença para garantir sua vaga. O jovem não imaginava que iria tão bem nas avaliações, mas aconselha os candidatos que também sonham com a aprovação. "O negócio é estudar bastante, lógico, ficar calmo na hora da prova e saber gerenciar o tempo gasto para resolver cada questão. As provas da UnB são muito extensas", afirma. 2º lugar Lucas Mendes de Oliveira, 17 anos, aprovado em medicina com 424,1 pontos O baiano que largou a cidade natal, Barreiras (BA), para vir morar em Brasília com o irmão mais velho, no ano de 2003, passava férias na casa dos pais quando o resultado da UnB saiu. Inscreveu-se pelo sistema de cotas, mas com a quantidade de pontos que fez, estaria dentro da UnB de qualquer jeito. Aguardou um contato do irmão, que foi à universidade para conferir a lista de aprovados e acabou se sujando de ovos e tinta. "Eu não acreditava que era verdade. Só quando vi meu nome no site é que tive certeza", conta. Mas impressionado ficou ainda ao saber, pela reportagem do Correio, que havia ficado em segundo lugar. "A ficha ainda não caiu. Fiz pontos demais. Estou assustado", confessa. Lucas sempre sonhou em fazer medicina. Quando terminou o ensino médio, no ano passado, achou que conseguiria entrar pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS). Passou perto, mas não conseguiu a vaga. Recomeçou. Fez seis meses de cursinho. Deixou tudo que gostava em segundo plano. "Estudei muito mesmo. Todo dia, o dia todo", brinca. O jovem chegava para as aulas do cursinho pela manhã e só saía de lá às 22h. Lucas fez todos os exercícios das apostilas de exatas. O único dia de descanso era domingo, quando ele aproveitava para jogar futebol. "Era a hora de recarregar as baterias. Nunca tive tanta determinação quanto agora. Não deixei nenhuma matéria atrasar. Acho que foi por isso que passei", justifica. 3º lugar José Oscar Ferreira de Miranda, 17 anos, aprovado em medicina com 417,3 pontos O terceiro colocado não nasceu na capital do país. Tampouco mora no Distrito Federal. José Oscar é goiano. Vive em Goiânia com a mãe, a irmã e uma tia. Fez o vestibular da UnB pela primeira vez, apesar de ter concluído o ensino médio no final de 2004. A mãe não queria pensar na possibilidade de ter que deixar o filho morar longe de casa. Mas, agora, a mãe está dividida entre a alegria e a preocupação. José Oscar estudou em boas escolas. Conta que não era um aluno brilhante, mas se esforçou durante os cursinhos. No terceiro semestre de preparatórios, o jovem achou que já era hora de ser aprovado em algum lugar. "Estava ficando tarde", comenta. Oscar admite que se dedicou mais intensamente aos estudos nos últimos seis meses. Estudava cerca de cinco ou seis horas por dia, inclusive nos finais de semana. A única pausa acontecia no domingo pela manhã, quando ia à igreja. O vestibular da UnB não era o principal objetivo de Oscar. Na verdade, ele fez as provas do meio do ano como teste. Só tinha resolvido as questões de dois testes antigos da universidade. Por isso, ficou impressionado ao saber da boa colocação, depois de um contato da reportagem do Correio. Sentiu-se gratificado com os resultados. Para o futuro médico, a aprovação depende de esforço e abdicação. "Tem que estudar mesmo e abrir mão de muita coisa para dar conta de tudo", avalia. 4º lugar Ana Cláudia Nunes Sola, 18 anos, aprovada em medicina com 416,8 pontos A única mulher entre os cinco melhores colocados do vestibular da UnB também mora em Goiânia. Ana Cláudia terminou o ensino médio em 2004 e, desde então, esperava pelo grande momento de ver seu nome na lista de aprovados. Fez três semestres de cursinho. Estudava muito, mas não direcionava os estudos para a UnB. Por isso, não esperava conseguir tanto êxito. "Foi muito bom. Sonho em fazer medicina desde que me entendo por gente", afirma. Ana Cláudia vai revolucionar a vida da família inteira por conta da aprovação. O pai, que é militar aposentado, a mãe, que é dona-de-casa, e a irmã virão junto com ela para Brasília. Todos estão orgulhosos com o desempenho da jovem. Ana conta que sempre foi estudiosa, desde os tempos do colégio. Por isso, acredita que seu estado de espírito foi o diferencial desta vez. No ano passado, a estudante passou mal por conta do estresse. Mas ela não deixou de estudar todos os dias. Descanso só aos domingos. Mas a pressão diminuiu. "Aprendi a fazer prova. Eu ficava nervosa, porque a cobrança é grande", analisa. Como queria testar seus conhecimentos, Ana Cláudia fez as avaliações da UnB tranqüilamente. "Isso conta muito", sentencia. 5º lugar Hícaro do Carmo Moreira, 17 anos, aprovado em medicina com 416,1 pontos O estudante de Anápolis estudava arduamente para garantir uma vaga no curso de medicina em alguma universidade pública. Desde o final do ano passado, Hícaro prestou vestibular para a Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) e Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Mas seu sonho mesmo era a UnB. "Uma prima, que faz medicina lá, sempre me falava muito bem da instituição", conta. Hícaro sempre foi bom aluno, mas sabia que precisaria vencer muitos concorrentes para atingir sua meta. Por isso, definiu uma rotina intensa de estudos. Passava as tardes e as noites em cima dos livros e apostilas. Pegava provas antigas da UnB e resolvia todas as questões. Sábados e domingos também eram dias de estudo. "Tive muita determinação. Estudei demais", recorda. Para espairecer as idéias, jogava bola e videogame com amigos. Na opinião do jovem, o segredo do sucesso é bem simples: colocar os estudos em primeiro lugar. "Tem que abrir mão de muita coisa mesmo", avisa. Mas ele garante que a recompensa valeu a pena. Quando recebeu o telefonema da prima, contando a aprovação, a alegria tomou conta da família. "É inexplicável. Não imaginava tirar uma nota tão boa", garante. [Correio Braziliense] |
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