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Estudo da UnB aponta que 87,4% dos eleitores não confiam nos políticos
Lúcia Leal
A menos de dois meses das eleições, uma pesquisa do Instituto de Ciência Política da universidade de Brasília (Ipol/UnB), feita com 1.679 eleitores de várias cidades do Distrito Federal, alerta aqueles que lutam por uma vaga no cobiçado mundo político. Os dados apontam que 87,4% da população de Brasília não confia nos políticos. Há um ano, o Ibope divulgou pesquisa nacional sobre o assunto e o resultado mostrou a mesma desconfiança: 90% dos brasileiros estavam, à época, descrentes com os políticos. "O brasileiro vem convivendo há tempos com escândalos, falta de compromisso dos políticos e desonestidade. O brasiliense não é diferente. O eleitor perdeu a confiança nos políticos de modo geral", afirma o coordenador da pesquisa, professor Ricardo Caldas, do Ipol/UnB. A pesquisa, feita entre os dias 10 e 12 de junho, mostra, também, que o índice de entrevistados que não confiam em algumas instituições também é muito alto. Senado (70%), Câmara dos Deputados (80,3%), partidos políticos (73%), Justiça (49,4%) e governo federal (60,5%) também são reprovados pela população. Sobre a corrupção, 36% responderam que onde ela ocorre mais é no governo federal. Para 59,5% a corrupção aumentou no País. E, por fim, 30% dos entrevistados não acreditam na democracia. "Não é para menos, considerando a conjuntura. A generalização é malvada e perigosa. Há maus políticos, maus médicos, maus professores, mas há bons profissionais. Não adianta a população se indignar e continuar votando errado", disse o deputado federal, candidato à reeleição, Alberto Fraga (PFL-DF). A deputada distrital Eliana Pedrosa (PFL-DF), candidata à reeleição, credita os dados obtidos no estudo a dois fatores. "Os constantes escândalos e a falta de divulgação do que se faz nas assembléias de bom. As pessoas não se interessam muito pelo que se faz de bom, ficam mais atentas aos escândalos", diz. O resultado também não surpreendeu o coordenador da pesquisa. "Até pela proximidade com o poder, o brasiliense se mostra bem descrente neste momento", diz Ricardo Caldas. Para a deputada federal Maninha (PSOL-DF), candidata à reeleição, o resultado é real. "A gente sente isso nas ruas, principalmente agora, em campanha. As pessoas estão desconfiadas com a gente, mas as eleições vão ser um teste para que os candidatos mostrem que é possível mudar este sentimento", comentou. Honestidade é exigida Em relação aos feitos bons dos políticos, segundo
a pesquisa, o principal motivo que levaria um candidato a ter o voto dos
entrevistados é a honestidade, com 33,1%. Em seguida vem a ética (19,9%) e, em
terceiro, a experiência (15%). O estudo mostrou que o principal assunto, para os
eleitores, quando se trata de dar voto é educação, com 34%, seguido do
desemprego (25%) e saúde (20,5%). Em termos de região, os entrevistados com
maior poder aquisitivo são os quem menos confiam nos políticos. "Quanto maior a
renda, maior a desconfiança com a política", diz o coordenador do estudo. |
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