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08/08/2006


Estudo da UnB aponta que 87,4% dos eleitores não confiam nos políticos


Lúcia Leal

A menos de dois meses das eleições, uma pesquisa do Instituto de Ciência Política da universidade de Brasília (Ipol/UnB), feita com 1.679 eleitores de várias cidades do Distrito Federal, alerta aqueles que lutam por uma vaga no cobiçado mundo político. Os dados apontam que 87,4% da população de Brasília não confia nos políticos.

Há um ano, o Ibope divulgou pesquisa nacional sobre o assunto e o resultado mostrou a mesma desconfiança: 90% dos brasileiros estavam, à época, descrentes com os políticos. "O brasileiro vem convivendo há tempos com escândalos, falta de compromisso dos políticos e desonestidade. O brasiliense não é diferente. O eleitor perdeu a confiança nos políticos de modo geral", afirma o coordenador da pesquisa, professor Ricardo Caldas, do Ipol/UnB.

A pesquisa, feita entre os dias 10 e 12 de junho, mostra, também, que o índice de entrevistados que não confiam em algumas instituições também é muito alto. Senado (70%), Câmara dos Deputados (80,3%), partidos políticos (73%), Justiça (49,4%) e governo federal (60,5%) também são reprovados pela população. Sobre a corrupção, 36% responderam que onde ela ocorre mais é no governo federal. Para 59,5% a corrupção aumentou no País. E, por fim, 30% dos entrevistados não acreditam na democracia.

"Não é para menos, considerando a conjuntura. A generalização é malvada e perigosa. Há maus políticos, maus médicos, maus professores, mas há bons profissionais. Não adianta a população se indignar e continuar votando errado", disse o deputado federal, candidato à reeleição, Alberto Fraga (PFL-DF).

A deputada distrital Eliana Pedrosa (PFL-DF), candidata à reeleição, credita os dados obtidos no estudo a dois fatores. "Os constantes escândalos e a falta de divulgação do que se faz nas assembléias de bom. As pessoas não se interessam muito pelo que se faz de bom, ficam mais atentas aos escândalos", diz.

O resultado também não surpreendeu o coordenador da pesquisa. "Até pela proximidade com o poder, o brasiliense se mostra bem descrente neste momento", diz Ricardo Caldas. Para a deputada federal Maninha (PSOL-DF), candidata à reeleição, o resultado é real. "A gente sente isso nas ruas, principalmente agora, em campanha. As pessoas estão desconfiadas com a gente, mas as eleições vão ser um teste para que os candidatos mostrem que é possível mudar este sentimento", comentou.

Honestidade é exigida

Em relação aos feitos bons dos políticos, segundo a pesquisa, o principal motivo que levaria um candidato a ter o voto dos entrevistados é a honestidade, com 33,1%. Em seguida vem a ética (19,9%) e, em terceiro, a experiência (15%). O estudo mostrou que o principal assunto, para os eleitores, quando se trata de dar voto é educação, com 34%, seguido do desemprego (25%) e saúde (20,5%). Em termos de região, os entrevistados com maior poder aquisitivo são os quem menos confiam nos políticos. "Quanto maior a renda, maior a desconfiança com a política", diz o coordenador do estudo.

Ricardo Caldas trabalhou duas pesquisas diferentes. Uma para avaliar questões éticas e outra para saber se existem elites. Nos dois levantamentos foram entrevistadas pessoas de todas as faixas etárias e regiões administrativas, conforme a proporcionalidade do eleitorado.

As pesquisas foram feitas por alunos de graduação das disciplinas de Teoria Política Contemporânea (TPC) e Tópicos Especiais em Teoria Política (Teoria da Corrupção) do curso de Ciência Política. Os alunos de TPC entrevistaram 1.086 pessoas. Os alunos de Teoria da Corrupção ouviram 593 eleitores. Foram aplicados questionários fechados, com respostas do tipo "sim" ou "não".


[Jornal de Brasília]




 
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