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Primeiro curso superior em presídio
Seis internos do Instituto Penal Professor
Olavo Oliveira II (IPPOO II) assistiram à aula inaugural do curso de Bacharelado
em Teologia na sede do presídio ontem
Pela primeira vez na história do sistema penitenciário cearense, detentos têm a oportunidade de cursar o nível superior dentro do presídio. Seis presos do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira II (IPPOO II) aprovados no vestibular do Instituto de Ciências Religiosas de Fortaleza (Icre) tiveram a primeira aula do curso de Bacharelado em Teologia na manhã de ontem, 7, na sede do presídio. Além do acesso ao conhecimento acadêmico, os internos serão beneficiados com um dia a menos na pena para cada três dias em sala de aula. "Errar é humano, perdoar é divino" dizia um dos cartazes de boas-vindas anexado à parede colorida da sala de aula. O aluno Ivan Topal, 32, entrou ainda meio desconfiado, de cabeça baixa. Os professores se apresentaram, o detento também. No currículo, 12 anos de detenção por assalto só na primeira condenação. "Perdi minha mãe aos três anos de idade e o meu pai, de forma trágica, num acidente de trânsito. Veio depois a reprovação no vestibular para Veterinária. Foi tão difícil", lamenta. Ex-soldado, expulso do Comando da Polícia Militar por roubo, Ivan deixou São Paulo há 11 anos para tentar a vida em Fortaleza. Aqui chegou como caminhoneiro. Mas os nove anos de envolvimento com pequenos furtos e assaltos o levaram novamente para o crime. "Era o roubo de cargas em paralelo ao trabalho honesto", resume. Condenado uma vez e à espera do segundo julgamento, Ivan diz que agora só quer o carinho dos dois filhos e voltar a trabalhar. Infelizmente, longe da farda de militar, sonho de menino, e do caminhão, gosto que herdou do pai e para onde acredita não poder mais voltar em razão da desconfiança dos colegas caminhoneiros. Uma certa tensão anunciou a passagem dos demais internos do IPPOO II, enquanto os alunos recebiam o horário das primeiras disciplinas. Carcereiros e alguns policias da escolta afastavam jornalistas e professores na intenção de evitar que alguns dos presos sequer tocassem o paletó de uma autoridade ou tivessem a chance de ver o companheiro de cela dando uma entrevista. Enfileirados e em silêncio, eles passaram pelo corredor repleto de cartazes coloridos das salas de aula. Alguns tão admirados como se aquele lugar não fizesse parte de um dos maiores presídios do Ceará. Nessa hora também, o titular da Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus), Evânio Guedes, anunciou que pretende levar o projeto para unidades prisionais no interior do Estado, em Sobral e Juazeiro do Norte. "Pedimos às instituições, como a Universidade Federal do Ceará (UFC), que nos ajudem nesse projeto. Com o apoio delas, traremos outros cursos para serem ministrados". O Icre, até agora, foi o único a assumir a tarefa. Para o diretor do instituto, Luiz Sartorel, o sucesso da experiência é questão certa, o que lhe dá mais confiança para implantar outros cursos, como Filosofia e Serviço Social. "Num futuro não muito distante, poderemos até levar o projeto ao presídio feminino", planeja. Serão quatro anos e meio de estudo pela frente para o preso Manoel Firmino Batista, 37. Experiente em vestibulares, Manoel já acumula duas aprovações, uma em Direito e outra em Teologia, curso que chegou a freqüentar por dois semestres. "Parei porque não é nada fácil conseguir autorização para estudar fora daqui", critica os entraves impostos pela burocracia. Hoje, o detento luta para diminuir a pena de 13 anos por seqüestro trabalhando como auxiliar de serviços gerais no IPPOO II. Condenação que, segundo ele, pode ser reduzida ainda mais com essa nova chance de voltar a estudar. [O Povo] |
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