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08/08/2006


Relacionar ajuda a gravar fatos


Quanto mais fizer associação, mais facilidade terá para lembrar-se do conteúdo estudado

LUÍSA BRITO

BEla MaGrela CAsou com o SR. BArão RAtão. A frase parece sem sentido, mas pode ser útil para ajudar a lembrar a seqüência da tabela periódica -berílio, magnésio, cálcio, estrôncio, bário, rádio - na hora da prova. Em ano de vestibular, com a preocupação de guardar muitas informações, os estudantes inventam diversas maneiras de conseguir memorizar mais conteúdo.

Colar papéis com fórmulas matemáticas no quarto, fazer resumos, decorar musiquinhas, formar frases engraçadas. Tudo é válido para ajudar o aluno a memorizar melhor as disciplinas, dizem médicos e especialistas consultados pela Folha.

"Quanto mais a pessoa fizer associação, mais facilidade terá para lembrar", diz a neurologista Sonia Brucki, do grupo de neurologia cognitiva e do comportamento do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O estudante Marcelo Maki Hosoido, 18, que vai fazer vestibular para engenharia, conta que procura relacionar o que aprende com atividades do cotidiano. "Se estou no ônibus, por exemplo, lembro dos conceitos da energia cinética", diz.

Para os especialistas, a melhor forma de gravar as matérias escolares é estudar bastante, de forma disciplinada e constante. "O armazenamento da informação deve ser resistente. A repetição do conteúdo melhora a memorização", explica a fonoaudióloga Ana Alvarez, doutora em ciências e autora do livro "Deu Branco".

De acordo com o psiquiatra e pesquisador em psicobiologia na Unifesp Geraldo Possendoro, o cérebro é estimulado pela atividade: quanto mais se memoriza conteúdo, mais ele é capaz de armazenar informações.

Vestibulanda de medicina, Stephanie Sant'Anna, 17, diz que costuma fazer resumo do conteúdo de todas as disciplinas dois dias após as aulas. Depois ela tenta resolver exercícios e, se tiver dificuldade em algum assunto, relê o resumo ou escreve de novo para poder gravar a informação.

"As fórmulas de exatas eu copio várias vezes até memorizar. É um jeito meio maluco, mas para mim só ler não resolve." Trimestralmente, ela estuda os resumos que escreveu para fazer uma revisão.

Segundo especialistas, ler em um ambiente calmo, manter a atenção voltada ao estudo e dormir bem podem ajudar na memorização das matérias. "Muitas vezes, a pessoa acha que tem dificuldade de memorizar quando, na verdade, o problema está em entender o que se lê", afirma Alvarez.

Tentar relembrar o conteúdo depois de estudar, fazer exercícios e repetir em voz alta são formas de atestar se as informações foram bem fixadas.

O estudante Ildefonso Luiz de Freitas Neto, 19, que também vai prestar vestibular para medicina, conta que, neste segundo ano de cursinho, começou a exercitar a memória de forma diferente. "No final da tarde, após ter estudado, deito e fico me lembrando, calado, de tudo o que li. Tem dado certo fazer isso", diz ele.

Olhos e ouvidos

Há pessoas que têm a memória mais visual e aprendem com mais facilidade lendo e vendo imagens, por exemplo. Outras possuem uma memória mais auditiva e assimilam melhor as informações assistindo a aulas e falando em voz alta o conteúdo da disciplina.

Segundo Alvarez, é importante a pessoa identificar de que forma ela memoriza melhor e exercitar isso. "Uma boa estratégia é organizar as informações na cabeça de maneira lógica. Imaginar uma cena que retrata o assunto estudado, como pensar um filminho de um fato histórico. Isso pode reduzir palavras a uma única cena."

SEM "BRANCO"

Antes de começar a prova, faça um breve relaxamento, respirando profundamente

Lembre-se de que você treinou. Mudam os enunciados, mas as matérias são as mesmas

Comece pelas questões que domine mais, afinal todas têm o mesmo valor

Nas questões que exijam explicações mais demoradas, faça um rascunho primeiro, depois escreva de uma vez só

Não fique olhando para os lados para ver como os outros estão se saindo

"Branco" na prova é sinal de nervosismo ou falta de estudo

Para especialista, aluno deve ir para a prova centrado na razão, não na emoção

Olhar para as questões de matemática, física e química na hora da prova e não conseguir lembrar as fórmulas ou esquecer, de repente, os nomes dos presidentes do Brasil. O chamado "branco" provoca pavor em muitos vestibulandos, que temem perder o ano inteiro de estudo por causa de um esquecimento na hora do vestibular.

Segundo especialistas, o problema pode acontecer por ansiedade, nervosismo ou estresse. "É o medo de falhar e a pressão que as pessoas colocam sobre si mesmas", diz a fonoaudióloga Ana Alvarez, autora do livro "Deu Branco".

Segundo Maria Irene Maluf, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, o estudante deve ir para a prova centrado na razão, e não no lado emocional. "Se a energia está muito voltada para o emocional, o cérebro não consegue desenvolver o cognitivo", afirma.

André Felipe Yonuye, 20, que está no terceiro ano de cursinho e vai prestar vestibular para arquitetura, diz que várias vezes sofreu "branco" por achar que não conseguiria resolver uma questão complicada. Isso acontece muito, conta, em provas de matemática.

Para evitar o esquecimento e memorizar melhor alguns assuntos, Yonuye aproveita até o tempo das aulas de musculação e estuda cartazes com os músculos do corpo humano, fixados na parede da academia.

Evitar fadiga, manter a calma na hora da prova e respirar fundo ajudam a relaxar e a afastar o "branco". Os estudantes que ficam muito nervosos e nunca conseguem resolver as questões devem procurar a ajuda de um profissional.

A falta de conhecimento da disciplina também pode gerar a sensação de esquecimento. Muitos alunos estudam parcialmente um determinado assunto e acham que memorizaram toda a matéria.

A vestibulanda Carla Bastelli, 20, que vai tentar uma vaga em medicina, diz que fica nervosa e não lembra assuntos das disciplinas que têm mais dúvidas. "Acontece em questões específicas de matemática e de física."

MÁRCIO PINHO, LUÍSA BRITO


[Folha de S. Paulo]




 
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