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08/01/2003


Um olho na apostila, outro na colega


Acabou o 3º ano do Ensino Médio. É hora de vestibular na cabeça. Pressão dos pais e professores. Estresse e muito esforço. Essa é a rotina de muitos estudantes brasileiros que terminam o Ensino Médio e pretendem ingressar em uma universidade. Devido à concorrência, muitos alunos têm de fazer cursos preparatórios para as provas do vestibular. Nessa rotina de dedicação redobrada, o estudante encontra parceiros do mesmo projeto, gente com o mesmo objetivo. Em muitos casos, o estudo deriva para amizades e romances.

Esses laços surgem como alternativa para relaxar e aliviar um pouco a tensão. Mas o estudante não pode esquecer que o principal objetivo de estar fazendo um cursinho preparatório para o vestibular é melhorar o desempenho para ingressar em um curso de graduação. Por isso, conversas na sala de aula, paqueras em excesso e muita descontração são prejudiciais. Nesse gabarito quase imutável, o candidato acaba sem média para aprovação e ainda reprovado na tentativa de conservar as amizades O aspecto sedutor do cursinho só é bem-vindo se o aluno souber conciliá-lo com os estudos.

Quando os amigos se ajudam o cursinho torna-se divertido e produtivo. Juliana Dias, 18 anos, Cléia Carneiro, 19, e Analice Araújo, 20, conheceram-se no cursinho e estudam todos os dias juntas. "Pegamos um exercício mais difícil e uma ajuda as outras, principalmente porque todas nós temos o mesmo objetivo - entrar na UnB", conta Cléia, que vai prestar vestibular para Engenharia Florestal.

Além dos estudos, o bate-papo também faz parte da rotina pré-vestibular delas. Marco Aurélio Souza e José Teixeira, ambos de 19 anos, já se conheciam antes de começar a fazer cursinho. Eles estudam juntos e garantem que vão continuar amigos mesmo depois do cursinho. "Ele sabe mais História que eu, e eu entendo mais de Exatas que ele. Um ajuda o outro", afirma Marco Aurélio.

Equação de beijos, fórmulas e contas

A coordenadora do curso pré-vestibular Galois, Denise Scarpellini, diz que há realmente muitos estudantes que decidem fazer cursinho para conhecer gente nova e até arrumar um parceiro. "O cursinho é um lugar propício para construir novas amizades, mas só se o aluno souber conciliá-las com os estudos."

Deise Guedes, coordenadora Pedagógica do Cursinho dos Alunos da UnB (Alub), na 505 Sul, garante que há muitos alunos matriculados que sequer comparecem às aulas. "Esses estudantes só querem saber de conversar, tocar violão e paquerar", afirma. Para o diretor do Alub, Alexandre Crispi Siqueira, 80% dos alunos priorizam a educação, têm alto grau de concentração e chegam até a abrir mão de fazer novas amizades.

Na maioria das vezes, passam no vestibular. O restante são estudantes que quase não vão às aulas e só querem saber de ir para o barzinho ao lado do curso, paquerar e fazer novas amizades, é a minoria. "Esse tipo de aluno pode até passar no vestibular para alguma faculdade particular, mas nunca para uma federal", garante Siqueira.

Mas é muito importante que o aluno faça amizades construtivas dentro de um curso pré-vestibular. "O melhor amigo do estudante de cursinho é aquele que tem o mesmo objetivo do colega, enfrenta dificuldades com ele, e o ajuda a resolver problemas difíceis", acredita Siqueira.

Segundo os coordenadores pedagógicos, namorar no ambiente de cursinho também é possível. Mas esse relacionamento só é produtivo quando ambos estão interessados em passar no vestibular. "Entre um exercício de matemática e outro, dá para rolar um beijinho", completa.

Amizade vai além da sala de aula

Os amigos Thais Lanutti, 18 anos, Rômulo de Castro, 18, e Rafael Vilela, 20, já são do tipo que ultrapassam as portas do cursinho para manter uma boa amizade. "Quase todo fim de semana saímos juntos para festas e barzinhos", conta Rômulo. Eles se conheceram no pré-vestibular e afirmam que o melhor momento para aproveitar as boas amizades é agora. "Podemos perder o contato quando ingressarmos na universidade", afirma.

Namorar é, no entanto, a parte mais sedutora de um cursinho. Principalmente se o romance começa na sala de aula. Ana Paula Mariani e Rodrigo Gonçalves, ambos com 19 anos, por exemplo, conheceram-se em um projeto do cursinho e namoram há pouco mais de um mês.

"Namorar e estudar não é prejudicial para gente, porque um sempre ajuda o outro", afirma Rodrigo. Ela quer Biologia e ele, Medicina. Dois cursos difíceis e, por isso, o companheirismo torna-se ainda mais importante na hora de estudar. "Nos fins de semana, damos uma descontraída pegando um cineminha", revala Ana Paula.

Fonte: Jornal de Brasília


[Jornal de Brasília]




 
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