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19/02/2003


Prefeitura dará bolsas para vestibulandos


Cursinho pré-vestibular grátis para jovens carentes da cidade de São Paulo. Esse é o projeto que a Secretaria Municipal do Trabalho vai anunciar amanhã, em parceria com a Unesco (órgão da Organização das Nações Unidas).

A idéia é beneficiar estudantes de 16 a 29 anos, desempregados, com renda familiar de até R$ 1.000 e que morem em São Paulo.

As aulas só devem começar no fim de março, com um alcance limitado. No início, um projeto-piloto vai atender 2.000 inscritos.

A meta é atingir 10 mil alunos até o fim do ano. Segundo a secretaria, São Paulo tem 920 mil jovens no perfil do programa.

"Queremos beneficiar um público que completou o ensino médio e precisa de ajuda para concorrer a uma universidade pública ou a uma particular de qualidade", diz Dulce Helena Cazzuni, coordenadora do programa Bolsa Trabalho.

A prefeitura quer aproveitar as vagas ociosas em fins de semana e no período da tarde.

O projeto será aberto para cursinhos comunitários (com professores voluntários, como o Educafro), alternativos (com professores pagos, mas com proposta educacional mais ampla, como o da Politécnica da USP) e comerciais (como o Objetivo e o Anglo).

O curso vai sair de graça para os alunos selecionados. Os estudantes não recebem dinheiro nenhum. A prefeitura vai pagar diretamente para as entidades.

Cazzuni afirma que serão negociados descontos de até 65% em relação ao preço normal.

A secretaria avalia que o custo médio por aluno será de R$ 53 por mês. Se forem atendidos 10 mil alunos, o custo anual chega a R$ 6,36 milhões.

As mensalidades dos cursinhos comunitários vão de R$ 10 a R$ 30. Nos alternativos, variam de R$ 110 a R$ 200, enquanto nos comerciais cobra-se de R$ 260 a R$ 900 (a variação é grande porque depende da área -exatas, humanas ou biológicas- e do período -manhã, tarde ou noite).

Segundo a secretaria, o dinheiro para o projeto virá da Unesco.

Cazzuni diz que já há negociações com 13 cursinhos -11 alternativos e dois comerciais.

As inscrições vão começar amanhã e serão feitas pela internet, num site que a secretaria ainda não divulgou.

O critério de desempate para seleção deverá ser a renda. Quem ganhar menos fica com a vaga.

Frei David Santos, do cursinho comunitário Educafro, dirigido por franciscanos, elogia a iniciativa. "Espero que outras prefeituras façam o mesmo."

Apesar do apoio, a Educafro ainda não decidiu se vai aderir ao projeto da prefeitura. "Estamos avaliando", diz Santos.

Barbara Hilsenbeck, coordenadora do Neurônio Vestibulares, da ONG Clube de Mães, que tem vagas ociosas à tarde, avalia que o projeto será "fundamental", mas ainda não falou com a prefeitura.

Fonte: Folha de S. Paulo


[Folha de S. Paulo]




 
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