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17/06/2003


Vestibular sem estresse


A leitura dos livros exigidos no vestibular é sempre um martírio para a maioria dos candidatos ao concurso. Muitos discordam do critério de escolha das obras, geralmente consideradas antigas e complexas, e outros apontam a falta de tempo e paciência para ler. Este ano, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) liberou a lista de livros no final de maio e parte dos vestibulandos pretende aproveitar o feriado para começar a consultar as obras.

Mas será que existe uma fórmula mágica para estudar os autores e suas obras? É possível, em um período de seis meses, realmente estar afiado com o estilo de época, gênero literário, pano de fundo, principais personagens e outras minúcias de cinco livros?

Para Márcia Cristina Lembrança de Carvalho, professora de literatura e língua portuguesa do Colégio Magnum Agostiniano, junho é um ótimo mês para se iniciar a leitura dos livros do vestibular. Acho que a UFMG poderia ter divulgado esta lista antes, mas já que foi agora, vale a pena já começar a lê-los, mesmo porque os professores estão começando a tratar dos temas nas aulas do terceiro ano , comenta.

Descontração com seriedade são os ingredientes que a professora dispõe dentro da sala de aula para manter a atenção de seus alunos. Crio personagens, trago a história para a vida cotidiana, canto, recito poemas, sempre tentando chamar a atenção dos estudantes.

Este ano, a UFMG está trabalhando o tema erotismo no concurso, o que está sendo elogiado pelos professores. É um assunto muito interessante, atual e contundente , garante Márcia Carvalho, por estar todos os dias na televisão. O fato de o tema também ser considerado um tabu pela sociedade não deixa de ser um chamariz , destaca.

A professora sugere que os vestibulandos tenham cuidado na hora de optar por recorrer a um resumo de obras, que vai servir apenas como subsídio aos livros originais. O resumo não pode substituir a leitura dos livros e, em alguns casos, os autores fazem interpretações pessoais que acabam comprometendo a análise correta da obra , alerta.

O professor Luiz Carlos Maciel dá aulas no Colégio Promove, no cursinho Pré-Médicas e edita cadernos de literatura comentada com o estudo aprofundado dos livros. Sempre falo para os alunos que a leitura dos livros é imprescindível e geralmente divulgo os cadernos comentados depois que os estudantes já estão lendo os livros. Acho um absurdo determinados resumos de obra. Meu trabalho não é resumo, porque não concordo com a forma como eles são feitos e comercializados.

Luiz Carlos Maciel critica a pirataria em que se transformou o mercado de livros do vestibular. Em determinados lugares, no Centro da cidade, é possível encontrar materiais inadequados, com edições malfeitas. Além de ser proibido xerocar, esse material acaba atrapalhando o estudo dos vestibulandos. Acho que os jovens devem ficar atentos e optar pelas edições originais, apesar do preço dos livros.

A professora Márcia Carvalho também aponta os altos preços dos livros como obstáculo, especialmente no caso dos estudantes carentes. Há alunos que estão gastando até R$ 150 na compra de quatro livros, sem falar no Tremor de Terra, cuja edição está esgotada e, por isso, não está sendo encontrado. A universidade continua sendo excludente , argumenta.

Fonte: Estado de Minas - Belo Horizonte


[Estado de Minas - Belo Horizonte]




 
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