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05/08/2003


Duas universidades particulares abrem neste mês curso de medicina com mensalidades acima de R$ 2.000


Diploma caro
Duas universidades privadas, a Uninove (Centro Universitário Nove de Julho) e a UniCastelo (Universidade Camilo Castelo Branco), entram em campo neste mês na disputa por alunos em um dos mais concorridos e tradicionais cursos do vestibular: o de medicina. O da Uninove, que será ministrado no campus Memorial da América Latina, na zona oeste, visa a legião de candidatos que não consegue uma vaga nas mais prestigiadas escolas de medicina do Estado.
Segundo Eduardo Storópoli, 45, reitor da Uninove, a questão geográfica foi fundamental na decisão de abrir o curso. "Nós acreditamos que São Paulo comporta mais um ou dois cursos desse tipo. Esta é a maior cidade da América Latina, o número de estudantes aqui é muito grande para tão poucas opções", observa.
Na capital, o curso de medicina é oferecido pela USP (Universidade de São Paulo), Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Santa Casa e Unisa (Universidade de Santo Amaro) -as duas últimas não são gratuitas. As demais opções encontram-se no interior, em cidades como Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto e Botucatu, entre outras.
Os dois cursos realizam seus vestibulares num momento de tensão -ambos receberam a autorização do MEC (Ministério da Educação) para funcionar nas primeiras semanas de julho. Alguns dias depois, o CNS (Conselho Nacional de Saúde), presidido pelo ministro Humberto Costa (Saúde), recomendou ao MEC que suspendesse temporariamente a abertura de novos cursos na área da saúde, inclusive mais de 30 pedidos em andamento.
Com essa medida, o CNS pretende evitar a abertura indiscriminada de novos cursos de medicina (foram oito nos primeiros cinco meses deste ano) e evitar a concentração deles nas regiões Sudeste e Sul. A Sesu (Secretaria de Educação Superior) informa que o MEC ainda não decidiu qual posição tomará a respeito.
Públicas x privadas A mensalidade da Uninove será salgada: R$ 2.200, mesmo preço a ser cobrado pela UniCastelo. Pioneira entre as privadas a oferecer medicina, curso que lançou em 1970, a Unisa (Universidade de Santo Amaro) cobra R$ 2.037 de mensalidade. "São poucas vagas anuais e você deve ter excelente infra-estrutura e um corpo docente de primeira linha. Além de qualificados, precisamos de mais professores, pois a relação entre eles e os alunos tende a ser mais estreita", justifica Eduardo Storópoli, da Uninove.
Neste mês, no seu primeiro vestibular, ela oferece 100 vagas e espera de 3.000 a 3.500 candidatos para o curso de seis anos. O exame fica a cargo da Vunesp (a mesma da Unesp) -serão 110 testes e uma redação eliminatória. A concorrência para medicina costuma ser acirrada: no ano passado, a Unifesp registrou 89 candidatos por vaga; a Unicamp, 74,5, e a Fuvest/USP, 36,6. Na Fuvest, o principal vestibular do país, medicina foi o curso com a maior nota de corte (75 pontos).
"A universidade particular que tem medicina acaba alavancando seus outros cursos porque ela reflete a qualidade do ensino", acredita Mônica Ferreira Nunes, 39, pró-reitora de graduação da UniCastelo, que abre o curso no campus de Fernandópolis, a 555 km da capital.
Ela diz que isso compensa o custo do projeto, aprovado pelo MEC depois de um processo de três anos. "É caríssimo e em si não gera lucro porque os encargos são grandes, mas será nosso carro-chefe. É referência para qualquer universidade."
O vestibular foi elaborado por uma equipe da própria faculdade e será dividido em 50 testes e uma redação eliminatória. Para Eduardo Storópoli, da Uninove, a falta de tradição dessas instituições não vai afastar o candidato a médico.
"O Provão e a avaliação das condições de oferta e ensino do MEC diminuíram a distância entre as universidade públicas e as privadas. Além disso, o mercado de trabalho não é como há 30 anos, quando um diploma garantia emprego. A boa formação é o mais importante, e as escolas particulares estão se preparando para isso", acredita.
Para operar, a Uninove firmou convênio com os hospitais do Servidor do Estado e o Campo Limpo, e a UniCastelo, com a Santa Casa de Fernandópolis, já que o MEC exige que o curso de medicina ofereça hospitais para a prática profissional dos estudantes. A residência (período posterior à graduação, em que o médico faz uma especialização, geralmente de dois anos) é optativa, mas quem não tem só pode atuar como clínico-geral.
Depois da residência, o médico faz uma prova para ganhar o título de especialista -é assim que é feita a chamada "peneirada" no mercado de trabalho. A maioria dos convênios médicos não aceita profissionais sem título de especialização.
Tatiane Vieira, 19, prestou Fuvest (USP e Santa Casa), Unifesp, PUC-Sorocaba, Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Universidade de Mogi das Cruzes no ano passado, mas não conseguiu entrar em nenhuma.
Vai fazer o vestibular da Uninove neste mês e, se passar, estudará lá. "A minha primeira opção era a Unifesp, mas esses vestibulares 'grandes' são muito desgastantes. No da Uninove, não há questões dissertativas, só testes, acho que será bem mais fácil. Sei que a mensalidade lá é cara, mas meus pais se dispuseram a pagar", conta.
Para ela, muito do sucesso na profissão depende principalmente do aluno, e não da faculdade. "Acredito que, se eu me empenhar, estudar e pesquisar, serei uma boa médica. Novas opções são muito úteis, senão fica sempre aquele monte de gente parada, se estapeando para entrar na USP e na Unifesp."
serviço
Uninove. Tel. 0800-7010999. Inscrições para o vestibular de medicina até 5/8. Prova no dia 10/8. A inscrição custa R$ 110 e o manual do candidato, R$ 10. Se aprovado, o candidato paga R$ 2.700 de matrícula e mensalidades de R$ 2.200.
UniCastelo. Tel. 6170-0000. Inscrições até 12/8. Prova no dia 16/8. A inscrição (inclui o manual) custa R$ 50 e a mensalidade é de R$ 2.200. A matrícula equivale à primeira mensalidade do curso.
Fonte: Folha de S.Paulo - Dinheiro - 03/08/2003 - Págs. 34 e 35


[Folha de S.Paulo]




 
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