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07/08/2003


Preço baixo é atraído na Bolívia


Considerando as mensalidades exorbitantes cobradas pelas faculdades particulares de medicina no Brasil, o reduzido número de vagas em universidades públicas e os custos do ensino na Bolívia, não é difícil compreender por que os estudantes cruzam a fronteira para estudar. Na Universidade Cristiana de Santa Cruz de La Sierra, por exemplo, os estudantes pagam, em média, US$ 750 por semestre, o equivalente a uma mensalidade no Brasil. Além
disso, com um excesso de escolas de medicina para uma população ainda mais pobre que a brasileira, não há demanda interna, o que abre as portas das instituições para os brasileiros. Os brasileiros são 70% do corpo discente das faculdades bolivianas. Quem estuda na Bolívia defende a seriedade das instituições. "Não temos uma formação inferior à do Brasil. O problema é que os enfoques são um pouco diferentes. Na Bolívia, temos uma formação teórica muito expressiva, mas a prática é menor que no Brasil. Em Santa Cruz, temos quatro faculdades de medicina e quatro hospitais de grande porte, que acabam superlotados
de estagiários", compara Patrícia Novaes Souza, de 29 anos, de Vitória (ES), que está terminando o curso na Universidade Cristiana. "Fiz estágio em Vitória e posso dizer que tinha muito estudante de universidades federais brasileiras que não tinham a base teórica que eu adquiri", ressalta.
CONVÊNIOS
Para equiparar a carga de estágio à exigida no Brasil, muitas faculdades bolivianas chegaram a celebrar convênios com hospitais brasileiros, nos quais os estudantes ficavam um ano se dedicando à prática. Mas, desde novembro de 2002, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu médicos de prestarem preceptoria para qualquer estudante de medicina. A autorização ficou restrita aos hospitais universitários, que mal dão conta de receber os estudantes das faculdades nacionais.
"Tivemos que tomar essa medida porque o que estava acontecendo, na verdade, era o exercício ilegal da medicina. Os estudantes funcionavam como mão de obra barata para os hospitais e não tinham a supervisão necessária. Os convênios eram vantajosos para os hospitais porque, na maioria das vezes, envolvia pagamentos", explicou o presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, Geraldo Guedes.
Preço baixo é atrativo na Bolívia
Ricardo Burg Ceccim, diretor do Departamento de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde.
Fonte: Estado de Minas (Belo Horizonte/MG) ? Gerais ? 30/07/2003 ? Pág. 19


[Estado de Minas ]




 
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