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Curso superior ainda é luxo para poucos no Brasil
Apenas 6,8 % dos brasileiros com 25 anos ou mais concluíram o curso superior. E só 0,4 % completaram mestrado ou doutorado. Os dados fazem parte da pesquisa sobre educação divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2000, que também calculou o porcentual de diploma do sem relação ao total da população: 3,47%.
O levantamento revela que, apesar de tudo, houve um avanço na década de 90.Em 1991, 5,7% dos brasileiros com 25 anos ou mais tinham concluído a universidade. Houve, portanto, um aumento de 17,2%. Em termos absolutos, independentemente da idade, o número de diplomados saltou de 4 milhões para 5,9 milhões entre 1991 e 2000. O de mestres e doutores dobrou nesse período, passando de 147 mil para 304 mil. A pesquisa do IBGE mostra, ainda, que se o acesso à universidade é restrito para a população em geral, para o negro é um caminho ainda mais difícil. Segundo o levantamento, 1 em cada 10 brancos com 25 anos ou mais conclui a universidade. Entre os negros, a proporção é de 1 em cada 50. O grupo de titulados em mestrado ou doutorado quase desaparece no mar de números da educação no País: representa só 0,4% da população com 25 anos ou mais. Um déficit que tem impacto direto nas baixas taxas de desenvolvimento do País. "Só se consegue ter desenvolvimento a partir do momento em que há recursos humanos com conhecimento especializado", diz o presidente do Fórum de Pró-Reitores de Pós-Graduação e Pesquisa, José Ricardo Bergamann. No Brasil, formam-se por ano cerca de 20 mil mestres e 7 mil doutores. A taxa de pós-graduados cresce em média 16% ao ano. A maioria deles permanece nas universidades, trabalhando como professores e pesquisadores. O próprio Bergamann, mestre pelo Instituto Militar de Engenharia, do Rio, e doutor da Universidade de Londres, sempre atuou no meio acadêmico. Hoje é professor da PUC-RJ. Há 130 mil matriculados em programas de pós-graduação no País. Mas nem todos devem concluir seus estudos, por falta de recursos. "O número de bolsas das agências de fomento praticamente não aumenta há nove anos. É um dos fatores que limita a formação de mestres e doutores no País." Advogados demais O Brasil ainda é o País dos Bacharéis. A pesquisa do IBGE sobre educação revela que, dos 5,9 milhões de brasileiros curso superior em 2000, 689,6 mil (11,6%) são advogados. A seguir vem Administração, com 636,5mil (10,7%). Para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), essa liderança está longe de ser motivo de comemoração. O número de advogados aumentou mais de 50% em dez anos, em virtude do boom das faculdades de Direito, um fenômeno que nem sempre representa garantia de qualidade do ensino. "A Ordem se bate não contra o ensino, mas contra a criação desenfreada de cursos sem qualidade, um estelionato educacional", protesta o presidente do Conselho Federal da OAB, Rubens Approbato Machado. Segundo Approbato, a média de reprovação no exame da OAB para os recém-formados em Direito chega a 70%. Segundo dados do IBGE, tabulados a partir do Censo 2000, apenas 6,8 % dos adultos chegaram à faculdade no País. Pós-graduados também são raros: só 0,4% Fonte: Jornal da Tarde [Jornal da Tarde ] |
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