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03/12/2003


Europa curva-se à qualidade da Poli


Escola de engenharia da USP passa a integrar a Time, associação das escolas de engenharia do continente europeu. A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Epusp ou simplesmente Poli) acaba de ser eleita para integrar a Top Industrial Managers Europe (Time), uma das mais conceituadas associações de escolas de engenharia do continente europeu.

Essa é primeira vez que uma instituição não européia é escolhida para fazer parte do grupo. Para aceitar a Poli como membro, a entidade alterou as regras de seu estatuto, que estabelecia como pré-requisito a procedência européia. "Passamos pelo crivo da qualidade de ensino", afirma o presidente da Comissão de Relações Internacionais da Politécnica, Adnei Melges de Andrade.

Constituída atualmente por 41 integrantes, a Time trabalha para estimular o intercâmbio de alunos entre instituições de diferentes países e para a formação de estudantes em graduação dupla.

Entre os pré-requisitos para a entrada na Time estavam a interação com indústria, pesquisa científica internacional, histórico de intercâmbio de alunos e carta de recomendação de instituições que fazem parte da entidade.

"A associação reúne escolas de engenharia de ponta, que se reconhecem mutuamente como instituições de excelência; participar do grupo é como obter um certificado de qualidade de ensino", diz o diretor da Poli, Vahan Agopyan. Além da Epusp, outras três universidades da Europa e uma chinesa concorreram à vaga neste ano.

Paralelamente ao intercâmbio de alunos, o ingresso na Time também irá aprofundar as pesquisas conjuntas. "O objetivo final, neste caso, é o desenvolvimento da indústria brasileira", comenta Andrade. Hoje, a Escola Politécnica possui mais de 300 convênios e contratos com o setor produtivo nacional.

Segundo Andrade, o convite para a entrada no processo de adesão ocorreu em função de um programa de diplomas duplos com França, Itália, Alemanha e Portugal, praticado desde de 2000.

Cerca de 70 estudantes participam do projeto de formação bilateral, o qual permite que os alunos cursem dois anos na Europa e o restante no Brasil, recebendo diploma de ambas as escolas.

A seleção dos alunos é feita por rendimento escolar. A formação européia - de acordo com Andrade - aproxima-se mais da brasileira do que a norte-americana. O curso, por exemplo, tem a mesma duração, de cinco anos. "O engenheiro não é visto como técnico e está em abundância em bancos, na área de logística e em prestadoras de serviços", diz.

Projeto Poli 2015
A admissão como membro da associação está também em consonância com as metas estabelecidas pelo Projeto Poli 2015, lançado em agosto, na comemoração dos 110 anos da instituição. O plano propõe mudanças internas e metas na formação dos engenheiros nos próximos anos. "O novo perfil é de um engenheiro empreendedor, criativo, com viés humanista e de responsabilidade social", afirma o presidente da Comissão de Relações Internacionais da Politécnica. Anualmente, 750 alunos iniciam cursos de graduação na Poli.

O projeto prevê ainda a inserção da escola no panorama mundial e sua interação com empresas e entidades públicas , universidades nacionais e estrangeiras , com propostas de novas metodologias de ensino nos setores de pesquisa, informática e recursos áudio visuais.

110 anos de história
Fundada em 1893, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo possuia inicialmente quatro cursos de Engenharia, além de Astronomia, Arquitetura, Física, Química e Zootecnia. Em 1934, com a criação da Universidade de São Paulo (USP), foi incorporada e transferida para a Cidade Universitária. Hoje, a escola ocupa 7% da área total da universidade, com 12 prédios e mais de 495 professores.

Fonte: Gazeta Mercantil


[Gazeta Mercantil ]




 
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