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21/07/2004


A Vez da Voz" será lançado em evento interativo na Fnac


www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/BDNUH/NUH_2612/NUH_2612.html
20 de julho de 2004 - Falar sobre o mundo e os sonhos das crianças "diferentes" é uma tarefa não muito difícil, hoje, para a fonoaudióloga Cláudia Cotes e a cantora e preparadora vocal Ciça Baradel, estudante de música da Unicamp. Idealizadoras do "Projeto A vez da voz: interagindo com as diferenças", elas lançam kit com o nome do projeto na Fnac, dia 24 (sábado), a partir das 15 horas. O trabalho inclui um livro de histórias em linguagem de sinais, outro escrito em braile e um CD constituído de textos e músicas infantis, na voz das autoras. Mais que promover inclusão social, o resultado foi a interação entre crianças com cegueira e surdez e crianças não-deficientes. No final de tudo, o projeto mostra que os diferentes podem ser pares, assim como a fonoaudiologia de Cláudia e a música de Ciça.

O projeto é a realização de um sonho que as autoras tinham antes de se conhecer. O CD, constituído de histórias contadas e cantadas, educa para a convivência entre pessoas diferentes. Por meio de canções e enredos altamente educativos, o trabalho de áudio estimula as crianças a experimentarem o som do silêncio, imaginarem-se no escuro, ao mesmo tempo em que traduz a importância de cuidar da voz para preservá-la.

Com muito cuidado na criação, Ciça compôs não só para crianças, mas para pais e profissionais da área de educação, saúde e música. A composição Cuidar da Voz (faixa 2 do álbum) não só atenta para a necessidade de falar baixo, com clareza, como propõe exercícios de aquecimento e higiene vocal. A música ilustra a história de Joanita, contada por Cláudia Cotes, uma menina que, por viver gritando na escola e em casa, acabou ficando afônica e só se recuperou após o tratamento fonoaudiológico. A preparadora vocal diz que, infelizmente, as pessoas cuidam do corpo, da aparência, mas só lembram que precisam cuidar da voz quando a perdem. Na sua opinião, existem crianças que cantam sem informação alguma, imitando padrão de emissão vocal de artistas, que também não têm o cuidado necessário.

Outras imitam o timbre de adultos, sem saber se têm predisposição à disfonia ou não. Isso pode fazer com que, mais tarde, tenham a voz danificada.

A produção extrapola os limites do "fazer música" ao valorizar, além de elementos de teoria musical, aspectos da Educação e da Fonoaudiologia. Além disso, utiliza a música de boa qualidade e a literatura como formadoras de opinião. Num momento em que as crianças são induzidas pelo som eletrônico de videogames e de algumas músicas executadas pela mídia, sem conteúdo informativo, as autoras colocam no mercado um trabalho com cara de criança. Ao optar pelos arranjos com piano ou teclado e voz, elas promovem a compreensão da letra e da música, comprometida nos sons eletrônicos, na opinião de Ciça.

"Na infância, a criança cria hábitos e pode se acostumar a gritar, a falar errado. Se, no futuro, escolher uma profissão que requer a voz como meio de trabalho, será prejudicada. A voz localiza, identifica e faz com que seja identificado."

Retorno - Cartas assinadas por estudantes de uma escola de ensino fundamental demonstram a eficiência do trabalho. "Ciça, adorei a letra da música Arara. Agora já sei escrever arara e não erro mais ao falar", conta a cantora. Momento de consagração, pois, além de exercitar o R brando no canto, a letra acabou ajudando um amigo professor durante o trabalho em sala
de aula. "Arara paralelo,/tiro-liro,/plan,plan,plan,/tiro-liro,/lirulá."

Diferenças - "Pedro é negro/Bruna é branca/Riva é ruiva/e Jof é japonês./Todos juntos,/muito amigos, /brincam, brincam, 1, 2, 3." O mesmo trava-línguas voltado ao trabalho de fono e canto permite refletir sobre as diferenças regionais e raciais em uma aula de geografia. São vários os aspectos de inclusão que as profissionais permitem abordar. Ciça acredita que a higiene e a técnica vocal sejam imprescindíveis para a educação da criança. "As pessoas só se preocupam com a voz quando a perdem. Os cuidados do dia-a-dia não são passados para a criança."

Unicamp - Embora o projeto não tenha nascido nas dependências do campus universitário, profissionais de diferentes áreas da Universidade dedicam-se ao projeto. A confecção do livro em braile foi possível graças ao apoio do Cepre - Unicamp.

Fonte: Unicamp



 
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