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Sábado :: 04 / 07 / 2009
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Unesp/Araraquara promove Congresso de Educação Infantil
Entre os dias 6 e 11 de junho, o Departamento de Didática e a equipe de pesquisa: Educação Infantil: Aprendizagem e Desenvolvimento Profissional em Contextos Integrados? da Faculdade de Ciências e Letras (FCL) da Unesp, campus de Araraquara, promoveram o I Congresso de Educação Infantil: Educação Infantil: Para que, para quem e por quê?. Direcionado aos educadores e profissionais da educação em formação, pais, comunidade científica, acadêmica e comunidade em geral, o evento teve mais de 700 inscrições.
O objetivo foi pensar e repensar a Educação Infantil enquanto área de conhecimento científico, numa perspectiva política. ?Nosso sonho deve ser o de tirar a palavra ?creche? da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e garantir que toda a educação básica seja contemplada, financeira e socialmente?, diz Maristela Angotti, professora do Departamento de Didática da FCL e coordenadora do Congresso. Na concepção atual, a Educação Infantil serve para disciplinar a criança e estabelecer um comportamento padrão: falar e andar, quando lhe é permitido. Esta educação importou o modelo de escola do ensino fundamental, transferindo-o para a pré-escola. Por muito tempo, a Educação Infantil foi vista apenas como ?atendimento infantil?, ou seja, um local em que as crianças, cujos pais trabalhavam e não tinham lugar para ficar, eram deixadas. O Congresso estabeleceu a seguinte pergunta: Educação Infantil para quê? Os participam acreditam que ela existe para promover o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social. Segundo Maristela, para entender a importância da Educação Infantil é preciso conhecer sua história. A Carta Constitucional de 1988 prevê que a Educação Infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Educação Infantil para quem? A resposta é para um projeto de escolaridade mais justa e harmônica; para valorizar o profissional da área de Educação Infantil frente a um cenário em que os profissionais de creches, que trabalham oito horas por dia, ganham metade do salário de um educador. Por quê? Porque é o direito do cidadão ter seu desenvolvimento integral efetivado na intensificação do potencial inato do ser humano, que permitirá sermos mais íntegros e identificados com o que somos e podemos ser. Na conferência de abertura, dia 6, Maristela estabeleceu uma análise que trata do desenvolvimento do próprio corpo físico com o primeiro e principal brinquedo infantil, o instrumento principal para as leituras interpretativas de mundo, o que justifica a prioridade ao desenvolvimento primeiro da coordenação motora, o exercício do desenho. Ela enfocou ainda o desenvolvimento psicológico, já que somos seres biologicamente sociais e temos nas relações interpessoais um mecanismo para favorecer a auto-estima e os elementos constituídores da base moral e ética e dos elementos fundamentadores da criatividade e da autonomia. O desenvolvimento intelectual para permitir questionamentos, a busca e a construção do conhecimento também foram tratados, assim como o desenvolvimento social, na busca do entendimento e a vivência do ser pessoal. ?Considerar o aspecto social na educação infantil é dar oportunidade da criança se conhecer enquanto pessoa?, disse Maristela. Na conferência do dia 7, ?Desenvolvimento Infantil: reflexões teóricas, relações e contexto?, Elisa Maria Barbosa, da Universidade Federal de Goiás (UFG) abordou diversos autores, entre eles Jean Piaget, que tratam do desenvolvimento infantil humano como resultado de um processo evolutivo de construção de estruturas mentais universais, mas com variações de idade cronológica. O dia 8 foi marcado pela mesa de debates ?Práticas relatadas, práticas refletidas: o cuidar e o educar na Educação Infantil?. Participaram as professoras Fátima Neves do Amaral e Muriane Sirlene S. de Assis. Para Fátima, existem dois termos utilizados com uma nova conotação: o cuidar e o educar, e eles aparecem como imperativos legais na Constituição Brasileira e na LDB. Muriane ressalta que, por meio da brincadeira, o domínio da realidade se torna mais acessível à criança favorecendo seu desenvolvimento psíquico e a inserção social. ?Quando reforçamos a importância do brincar, não estamos deixando de lado os conteúdos. As práticas menos abordadas na Educação Infantil são o desenvolvimento da afetividade e da dramatização por meio de brincadeiras?, afirmou. ?Jogo, Brincadeira e movimento: a ludicidade envolvendo a criança? foi o tema da mesa de debates do dia 9, com a participação da professora Suselaine Aparecida Zaniolo Mascioli, da Universidade Paulista (UNIP), e do professor Ricardo Leite Camargo, da FCL. Este último ressaltou: ?Jogar é coisa séria?. Ele disse que, segundo a teoria piagetiana, existem três tipos de jogos: os de exercício, os simbólicos e os de regras. A professora Suselaine resgata a importância do direito da criança de brincar e questiona se, na sociedade moderna, caracterizada pela produção, esse direito não está sendo violado com ?o jogo protagonizado?. Na sexta feira, dia 10, a aluna de doutorado da FCL Taciana Mirna Sambrano ministrou a conferência ?Relações instituição-família: um sonho acalentado, um vínculo necessário?. Foram discutidos, dentro da ótica da transformações familiares, a posição da mulher, a diminuição do tamanho da família e o papel da criança, além da função da família junto ao aprendizado e desenvolvimento da criança. Dia 11, sábado, foi reservado para as apresentações e as oficinas de trabalho sobre as diferentes linguagens potenciais do corpo humano. Os temas foram Musicalizando na Infância, Educação e Movimento na Infância, Educador: Memória Construída - Imagens da Infância, Literatura Infantil: o Exercício da Imagem e O Filosofar com Crianças. Segundo Ana Luiza Gonçalves Vinha, aluna do curso de Pedagogia da FCL no Eixo de Educação Especial, ?O Congresso de Educação Infantil significou um grande avanço enquanto área de conhecimento e ampliação de consciência política. Acredito que nós educadores devemos conhecer não só a história da Educação Infantil, mas também a história da Educação brasileira. É preciso conhecer e estudar seriamente as leis educacionais (CF/88, ECA/90, LDB/96) e fazer com que sejam cumpridas para mudar a realidade da educação infantil?, afirmou. Informações: (16) 3301-6268 ou pelo e-mail stamaris@fclar.unesp.br Fonte: Unesp |
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