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08/08/2006


UNITRI: Centro Universitário lança primeiro livro de Libras no Ensino Superior


No Brasil existem 5,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva, segundo o Censo 2000, do IBGE. Dessas, mais de 406 mil estão em idade escolar, mas pouco mais de 56 mil (13%) estavam matriculadas na educação básica em 2003, revela o último Censo Escolar (2004). No ensino médio são dois mil estudantes e, nas universidades, apenas 300.

Os especialistas afirmam que a ausência de aulas na Língua Brasileira de Sinais (Libras) é o principal obstáculo para a inclusão desse segmento no sistema escolar. Essa linguagem só foi oficializada no Brasil em 2002, com a aprovação da Lei nº 10.436, de 24 de abril.

Nas universidades, a preocupação em ensinar alunos com surdez é recente. Mas o Centro Universitário do Triângulo (Unitri), que investe nesses cidadãos desde 1999, torna-se referência nacional nesta quarta-feira, dia nove de agosto, quando lança o primeiro livro de libras universitário, "Língua de Sinais Brasileira no Contexto do Ensino Superior".

O livro faz parte do Pólen, núcleo que teve início há seis anos quando ingressaram na Unitri os primeiros universitários com surdez. Na época foi criado o Laboratório de Pedagogia Diferencial, composto por uma equipe com a finalidade de orientar alunos, professores e criar alternativas de trabalho que melhor pudessem promover uma qualidade de ensino e aprendizagem.

Mas assim que o trabalho começou, a equipe se deparou com um problema: Como nos cursos superiores há várias palavras específicas de cada área, às vezes nem o próprio intérprete conseguia passar para o aluno o que o professor ensinava. Então, teve inicio um projeto ambicioso que tinha como objetivo desenvolver um novo vocabulário, com termos científicos que ainda não existiam na língua de sinais.

Durante duas horas semanais, cada palavra foi estudada por intérpretes, professores e pelos próprios alunos com surdez para desenvolver um sinal que simbolizasse o termo. "Pesquisamos se o sinal existia no Brasil ou se teríamos que criá-lo. É por isso que até mesmo o intérprete precisa ser graduado para conseguir trabalhar no ensino superior", explica a coordenadora do Pólen, Mirlene Ferreira.

O resultado foi à criação de 420 termos inéditos na área de ciências humanas e da computação que agora, com a publicação, passam a ser de uso nacional. O livro, que é acompanhado de um CD-Rom, deve ser o primeiro de uma série. E para apresentá-lo oficialmente a todos, a Unitri promove o coquetel de lançamento no dia 9de agosto, às 19h, no Laboratório de alimentos e Bebidas - Campus Unitri.

Experiência Inclusiva

Boa parte dos termos apresentados no livro, já vinha sendo utilizada pela Unitri há cinco anos. O centro universitário é referência no trabalho com alunos com surdez. Cuidado que começa ainda no vestibular quando são passadas informações sobre a prova por um intérprete e as disciplinas específicas da graduação.

No início, o projeto atendia apenas um estudante; atualmente são nove em cursos diversos como pedagogia, educação física, odontologia, serviço social e computação. "Há também apoio individual para conteúdos específicos que o aluno não compreendeu. Mesmo que o professor não tenha muito tempo para aprender a Libras, depois do trabalho que realizamos ele se mostra mais interessado em respeitar os limites pessoais de cada aluno", afirma Mirlene Ferreira.

Fonte: Unitri



 
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