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10/10/2003


Obesidade infantil é alta em São Leopoldo


Pesquisa inédita será apresentada no Seminário "Alimento: uma questão de acesso e de escolhas saudáveis", de 14 a 16/10
Pesquisa revela incidência elevada de sobrepeso e baixa estatura em crianças
Realizado em São Leopoldo, projeto avaliou cinco mil crianças para definir a qualidade nutricional. Dados serão apresentados em seminário que comemora Dia Mundial da Alimentação

A obesidade infantil em São Leopoldo está com índice de 6%, o dobro do percentual aceitável. Esse é um dos resultados da pesquisa realizada pela equipe de Nutrição da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, com a participação de 100 alunos e feita em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde/SL. Trata-se de um retrato inédito das condições nutricionais do município. Cinco mil crianças, menores de 6 anos, foram avaliadas no Dia Nacional de Vacinação, em agosto de 2002. Os dados acabam de ser finalizados e serão apresentados pela coordenadora do projeto, a professora Márcia Regina Vítolo, dentro de seminário da Unisinos, que marca o Dia Mundial de Alimentação, que começa no dia 14 e vai até 16/10, no auditório do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas.

Se nas décadas passadas a grande preocupação era com a desnutrição (fixada em 1,6% em São Leopoldo), agora os cuidados ficam reservados a controlar um outro extremo: o excesso de peso. Segundo Márcia Regina Vítolo, doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São Paulo, houve uma transição nutricional. "Com a evolução e o desenvolvimento, a população passou a recorrer a uma alimentação facilitada, pronta e com alta densidade energética, formada de alimentos de risco e de baixo valor nutricional", argumenta. A obesidade infantil deixou de ser um dado exclusivo das classes economicamente privilegiadas, atingindo especialmente a população menos favorecida. A pesquisa em São Leopoldo acompanha a realidade brasileira. O alto índice de sobrepeso é agravado pelo elevado índice de baixa estatura das crianças leopoldenses, que também está em 6% (o dobro do aceitável). "Os dois índices devem ser lidos juntos. A baixa estatura representa um comprometimento do crescimento, devido à adaptação biológica da criança ao meio ambiente. A criança cresce menos para sobreviver mais. Ela não cresce para se manter", afirma Márcia. A recessão da altura decorre da má nutrição na gestação e nos primeiros anos de vida e indica um problema crônico. "Os resultados são alarmantes, porque não há como recuperar e repor a estatura. Ela fica decidida nos primeiros anos", comenta. A urgência do assunto mudou a própria escala de convenções e medidas. Antes se fazia a medição peso/idade, atualmente as escolas e secretarias utilizam com preferência o contraponto estatura/idade.

Dia de pensar o alimento
Com entrada franca, seminário na Unisinos debate temas como Segurança Alimentar e apresenta pesquisas em nutrição

A Unisinos é uma das instituições que está preparando uma programação especial para refletir sobre o Dia Mundial da Alimentação - 16 de outubro - e evocar a importância de se buscar o equilíbrio na saúde. A data foi estabelecida na 20ª sessão da Conferência da FAO (Fundação da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), em novembro de 1979, e, desde então, é lembrada todos os anos em mais de 150 países. O seminário "Alimento: uma questão de acesso e de escolhas saudáveis" tem entrada franca e começa na terça e vai até quinta no auditório do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas, sempre a partir das 19h30. Será um espaço para debater temas do momento como Segurança Alimentar e a validade das cestas básicas. A evolução da alimentação, formas de dietas e a recuperação do prazer e da degustação diante da natureza completam o cenário de idéias. Pesquisas também serão apresentadas como o Perfil nutricional de crianças menores de 6 anos residentes na cidade de SL, de Márcia Regina Vítolo, e Perfil nutricional de uma população adulta residente no sul do Brasil, de Maria Teresa Olinto, doutora em Epidemologia pela Unicamp, uma pesquisa sobre a saúde da mulher em Pelotas, onde houve o levantamento de dados sobre hipertensão, diabetes, obesidade e hábitos alimentares na cidade. Além disso, a nutricionista Denise Lopes Ritter apresenta resultados e ações de seu trabalho na Secretaria Municipal de Saúde de São Leopoldo. Participam das conferências os professores Lauricio Neumann, Signorá Peres Konrad, Denize Righetto Ziegler, Virgilio José Strasburg, Ruth Henn, Leonardo Buffon. Informações: Linha Direta Unisinos (51) 591-1122

Fonte: UNISINOS



 
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