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Fomos
perguntar para quem entende... e leia a resposta que ouvimos:
Sim, as pequenas que inovam têm chance no mercado alemão!
Thiago Guimarães
A Alemanha é um dos mais importantes
destinos para os produtos brasileiros. Ao longo da década de 1990,
o país foi o terceiro maior receptor das exportações brasileiras,
abaixo dos Estados Unidos e da Argentina. Com a crise econômica
argentina, em 2002 a Alemanha chegou a ser nosso segundo mais importante
parceiro comercial. Mas esta posição durou pouco tempo: em outubro
deste ano, a corrente de comércio com a China atingiu US$ 7,7 bilhões,
superando as transações com a Alemanha que acumulavam US$ 7,5 bilhões,
de acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior.
Entre 1995 e 2004, as exportações
brasileiras para a Alemanha cresceram a um ritmo mais baixo do que
a média para outros países do mundo. Enquanto o País se aproxima
de novos mercados consumidores, como os países do Leste Europeu,
e as exportações para a China, por exemplo, dobraram de 2002 a 2004,
o valor das vendas para a Alemanha não chegou a duplicar nos últimos
dez anos. Mas neste ano, a Alemanha estima que as importações cresçam
6% e mais 5,4% em 2006.
O minério de ferro da Companhia
Vale do Rio Doce, a soja das regiões Sul e Centro-Oeste, café, carnes,
fumo e instrumentos mecânicos perfaziam cerca de US$ 1,7 bilhão
em 2002. Ou seja, commodities respondem por cerca de 70% do valor
das exportações brasileiras para a Alemanha. Trata-se de uma pauta
de exportações bastante concentrada em poucos produtos de setores
altamente organizados que conseguem operar estruturas de marketing
e colocar seus produtos no seletivo mercado alemão. Apesar disso,
nos últimos dois anos, crescem importações alemãs de máquinas, veículos
e autopeças do Brasil.
Mas os produtos das pequenas
que inovam têm chance no mercado alemão?
Produtos alimentícios, têxteis,
cosméticos e bens culturais são alguns produtos que têm bom potencial
de exportação para a Alemanha, segundo o consultor de comércio exterior
Jürgen Schlichting, gerente da European Business Consultancy. É
possível colocar no mercado alemão produtos com alto valor agregado
produzidos no Brasil? ''Definitivamente sim'', responde o consultor.
''Desde que a empresa adote uma estratégia de médio a longo prazo,
considerando a conquista do mercado como investimento no futuro
da empresa.''
Firmas sem experiência em
exportação conseguem vender na Alemanha se fizerem uma avaliação
dos competidores, do mercado consumidor e dos canais de distribuição.
Em uma análise que fez para a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha,
o consultor diz que ''o enfoque dado à estatística setorial, sempre
voltada para o passado, deverá ser substituído por um enfoque do
potencial de cada empresa com os seus produtos específicos, independendo
do respectivo setor''.
O planejamento das exportações
ajuda a calcular o tempo para os produtos entrarem no mercado alemão.
''Não existe o caminho mais rápido para exportar, mas apenas o caminho
sistemático, passo a passo'', diz Schlichting. Como os alemães têm
hábitos de consumo bastante conservadores se comparados, por exemplo,
aos latino-americanos, leva tempo até que novidades sejam aceitas
e façam parte do dia-a-dia da população. Os europeus, e particularmente
os alemães, são bastante preocupados com a qualidade dos produtos.
Por isso, novos produtos são recebidos com ceticismo; conquistar
a clientela para uma novidade pode levar de um a dois anos. O ideal,
segundo o consultor, é elaborar uma estratégia que enfatize a qualidade
e o preço dos produtos em relação a seus concorrentes, além de escolher
um bom sistema de distribuição.
Documentação
Nos casos de exportação direta
- quando a comercialização é feita sem um intermediário, como as
tradings - o exportador deve providenciar os documentos necessários.
Se o valor das exportações ultrapassa mil euros ou se seu peso passa
de uma tonelada, é preciso preparar por escrito uma Declaração Alfandegária
de Importação. A declaração tem por base o Einheitspapier,
que pode ser obtido na Câmara de Comércio e Indústria Alemã, na
Alemanha. O preenchimento correto deste documento é importante pois
impostos e barreiras não-tarifárias serão aplicadas com base nele.
Outro documento necessário
aos produtos que recolhem impostos alfandegários é a Declaração
de Valor de Importação (em alemão, Zollwertanmeldung), que
informa o valor do produto comercializado às autoridades alfandegárias.
É um documento que pode ser dispensado para valores inferiores a
10 mil euros.
Alimentos têm tratamento diferenciado.
Para entrar no mercado alemão, precisam de uma Autorização de Importação
(Einfuhrgenehmigung) concedida pelo Departamento Federal
de Agricultura e Alimentação (Bundesanstalt für Landwirtschaft
und Ernährung, ou simplesmente BLE). Alguns produtos alimentícios
também podem precisar de uma Licença de Importação (Einfuhrlizenz).
A Câmara de Comércio pode dar orientação, nestes casos.
Certificação
Antes de fechar contratos
de venda, é preciso verificar se os produtos atendem as normas técnicas
exigidas pela Alemanha. Em geral, é necessário obter uma série de
selos e certificados, sem os quais não é possível comercializar
no território europeu. Seguindo instruções acordadas em toda a Europa,
os alemães tentam definir objetivamente os parâmetros que definem
se um produto é seguro ou não ao consumidor, e se são ambientalmente
sustentáveis. A maioria dos produtos industrializados deve obter
a marcação CE (Conformité Européenne) junto a um organismo
credenciado pela Associação Alemã de Controle Técnico (TÜV). O selo
da CE é aceito em todo Mercado Comum Europeu.
Outro selo é o Öko-Test,
pelo qual é avaliada a sustentabilidade ecológica do produto e de
sua embalagem. Já o Grüner Punkt é uma certificação alemã
que tem sido adotada pelos outros países e tem de ser observado
por quem vai exportar para a Alemanha. O exportador de um suco em
caixinha, por exemplo, tem que ter certeza de que a embalagem é
reciclável. Pela lei, a indústria e o comércio são obrigados a recolher
os materiais que podem ser reaproveitáveis. O importador alemão
pode ajudar o exportador a se relacionar com as entidades certificadoras,
mas os custos devem ser arcados pelo exportador.
Feiras e oportunidades
Dois projetos desenvolvidos
pela Câmara Brasil-Alemanha podem interessar aos empresários brasileiros.
Um é o Destino Exportador Alemanha, criado em 2000, e voltado a
difundir informações sobre como exportar para por diversos meios
como exportar para a Alemanha. Um livro foi impresso em 2000, depois
foram produzidos vídeos e, desde o final de 2002, a câmara realiza
seminários já assistidos por mais de 1.800 pessoas. Outro projeto,
que se chama Treinamento de Participação em Feiras, visa a capacitar
empresas para participar de feiras internacionais. Normalmente o
curso é oferecido em parceria com associações de classe, sindicatos
e outras organizações civis.
Publicação
A Câmara de Comércio e Indústria
Brasil-Alemanha publicou em novembro de 2004 o Guia de Exportação
para a Alemanha - "Gateway to Europe" 2005. É uma edição atualizada
da primeira versão de 2000. Organizado por Lars Grabenschröer e
Débora Creutzberg, o livro traça um perfil da Alemanha e traz informações
sobre a economia e as leis do país, depois da ampliação da União
Européia. Os dados mais recentes sobre o comércio exterior são de
2003 e há algumas projeções de mercado para 2004 e 2005. O Guia
é uma boa referência para o empresário começar a entender como funciona
o mercado alemão, sem a necessidade de se dominar o idioma. O livro
custa R$ 180 para não-associados à Câmara e, em São Paulo, pode
ser solicitado pelo e-mail economico@ahkbrasil.com ou pelo telefone
(11) 5187-5137.
A Alemanha e a União Européia
A Alemanha faz parte do Mercado
Comum Europeu. Isso significa que sua política aduaneira e comercial
é a mesma que a dos outros 24 membros do bloco de 450 milhões de
pessoas. Esses países decidem em conjunto os tributos e as regras
para os produtos importados de qualquer nação que não pertence à
União Européia. Os códigos TARIC dão a base para as tarifas de importação
na Alemanha. No site
da União Européia está disponível a tabela de tarifas de importação
praticadas pela Europa para cada produto de acordo com sua catalogação
internacional. Lá é possível verificar se seu produto se beneficia
de algum acordo de preferência. Outro site mantido pela União Européia
é o Expanding Exports
Helpdesk, um completo sistema de consulta em inglês sobre
tarifas, regulamentos e volume de comércio.
Mas conseguir acesso ao mercado
de algum país integrante da União Européia não significa necessariamente
que seu produto possa ser vendido na Alemanha, por exemplo. O segundo
país que mais participa do comércio internacional é também um dos
mercados mais exigentes da Europa, diz Débora Creutzberg, diretora
de treinamento e comércio exterior da Câmara Brasil-Alemanha de
Porto Alegre. ''Os importadores e os consumidores são mais seletivos
porque a oferta de produtos importados é muito grande. Ganha relevância
o aspecto cultural de chegar junto ao comprador e convencê-lo a
comprar. E isso não tem a ver com lei'', diz Débora.
A Comissão da União Européia
é o órgão que decide sobre as alíquotas do principal imposto de
importação, o ''Euro Alfandegário''. As alíquotas do imposto de
importação atualmente variam entre 0 e 17% sobre o valor de venda
de todos os produtos. Um grande problema é exportar produtos agrícolas
- os impostos protegem a agricultura européia dos competitivos preços
do mercado internacional. Além disso, produtos alimentícios precisam
de documentos adicionais para ingressar no mercado alemão, como
a Autorização de Importação (Einfuhrgenehmigung), a Licença
de Importação e a Declaração de Controle de Importação. Ainda conforme
Débora, o governo alemão não dá tratamento diferenciado para nenhum
produto exportado pelo Brasil.
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