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Sábado :: 31 / 07 / 2010

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31 de julio de 2010
LÁ FORA


Governo do Canadá quer incentivar as pequenas a inovarem
para aumentar produtividade e concorrer melhor com os EUA

Vinícius Segalla

Canadá e Brasil são países grandes, com muitas riquezas naturais e economia robusta. A maior diferença entre os dois está no IDH, indicador do chamado "grau de desenvolvimento humano" do País, que leva em conta dados sobre educação, longevidade e renda. Mesmo o Canadá sendo mais desenvolvido que o Brasil, os dois países são concorrentes diretos em muitos mercados, de celulose a aviões.

No Canadá, como no Brasil, só uma parte das pequenas empresas inova. Segundo o governo canadense, apenas 30% das suas pequenas empresas utilizam tecnologia avançada. Por isso, há programas para incentivar seu pequeno empresário a inovar. A idéia é tornar os produtos canadenses mais competitivos, principalmente para concorrer com os EUA.

Comparada à dos Estados Unidos, a produtividade canadense deixa a desejar. Apenas em setores como matérias-primas e recursos energéticos é que o Canadá produz mais que os EUA. Em um setor-chave, como o de equipamentos eletrônicos, por exemplo, os canadenses produzem o equivalente a 25% do que se faz nos EUA. O PIB per capita do Canadá gira em torno dos US$ 30 mil anuais, enquanto que o americano chega aos US$ 50 mil.

Incentivar a pequena empresa e a atividade inovadora são formas que o Canadá encontrou para tentar diminuir essa diferença.

Uma das ações nesse sentido foi a criação de um portal na Internet destinado às pequenas que inovam. É um projeto simples, barato e, provavelmente, com retorno rápido e garantido.

A primeira utilidade que se verifica no portal "Innovation in Canada" é o acesso que ele garante a serviços de tecnologia e inovação de todo o país, servindo como fonte de informação e canal de estreitamento de relações entre empresas, universidades, centros de pesquisa e associações setoriais.

Há no banco de dados nada menos que 1.700 links, que podem ser acessados através de busca por região ou assunto. Entre os muitos temas ligados ao desenvolvimento industrial, pode-se encontrar saídas e idéias sobre proteção de patentes, financiamentos, investidores e novos produtos (já no mercado ou em desenvolvimento), em sites estatais ou privados.

Entre os tópicos à disposição do empresário que efetua uma busca na página, está o "Serviços de Pesquisa". Nele, encontra-se o contato de mais de 15 mil pesquisadores canadenses, além de 600 instituições de fomento à pesquisa, universidades e associações ligadas ao desenvolvimento industrial. Em outras palavras, o universo da pesquisa industrial do Canadá pode ser praticamente todo acessado através de uma só página de Internet.

Em outro tópico, encontram-se informações sobre um assunto que é tão importante para a atividade inovadora quanto a própria pesquisa: direitos intelectuais. Vital para assegurar as vantagens econômicas advindas da pesquisa, a garantia dos direitos intelectuais é fonte de preocupação constante de qualquer empresa inovadora, seja aqui ou em qualquer país.

No site canadense, o empreendedor tem acesso a textos jurídicos sobre as leis de patentes e proteção às marcas, opinião de especialistas e uma lista dos maiores violadores de propriedades intelectuais no Canadá e nos EUA. Ainda neste tema, o portal possibilita o acesso às listas de inventos patenteados no país nos últimos 75 anos, e de marcas, produtos e serviços registrados e sob proteção da lei. O "Innovation in Canada" abriga também uma série de documentos oficiais do governo federal e seus ministérios sobre a atividade de pesquisa e desenvolvimento no país.


Exemplos inovadores
Na seção "Inovadores Canadenses", os pequenos empresários do país enviam relatos de suas experiências inovadoras que deram certo. Há de tudo um pouco, desde uma nova utilização, na medicina, para a tecnologia de um braço mecânico usado em atividades espaciais, até a criação de um alarme que avisa os pais quando uma criança cai na piscina.

Os relatos servem para encorajar o empreendedor. No caso do alarme para afogamentos de crianças, o criador da inovação, batizada de "Tartaruga Salvadora", em virtude de seu formato semelhante ao casco do réptil, conta que seu produto, no mercado desde de 1998, vai muito bem de vendas. "Atualmente, exportamos para os EUA, Austrália e América Latina. Nosso produto encontra-se, inclusive, no Museu de Ciência e Tecnologia do Canadá", afirma Bob Lyons, presidente da Terrapin Communications.

A "Tartaruga Salvadora" demorou dois anos para ser desenvolvida e possui dois componentes: o alarme em si, em formato de tartaruga, que deve ser colocado no braço da criança, e um receptor de rádio que fica com os pais e apita em caso de acidente.

Parece simples, mas a pesquisa levou tanto tempo porque o alarme deveria possuir algumas peculiaridades. A tartaruga não poderia apitar apenas com respingos de água ou chuva, por exemplo. A bateria e os componentes externos deveriam ficar isolados da água, enquanto o dispositivo que envia o sinal teria que ser sensível à umidade e à prova d´água. Uma vez desenvolvido o produto, foi só comercializar. Sucesso.

Um outro relato, da empresa Med-Eng Systems, conta sobre o desenvolvimento de botas especiais, as "botas de aranha", que auxiliam governos de países que estiveram em guerra a desarmar as minas terrestres.

Há mais de 110 milhões de minas antipessoais enterradas em solos do planeta, o potencial de mercado não é pequeno. Em parceria com o Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá, a empresa desenvolveu as tais botas, que possuem quatro "pernas" saindo do solado, de forma que o pé da pessoa que busca a mina para desarmá-la fica a uma segura distância de 20 centímetros do solo minado. Em caso de explosão acidental, a grossa camada de borracha de que é feito o cano da bota retém eventuais estilhaços.

"As botas podem ser usadas tanto por desarmadores de minas como por equipes de resgate, que precisam chegar com rapidez a um campo minado em que uma pessoa foi vítima de uma explosão", explica John Carson, diretor da Méd-Eng Systens.

A diferença no tipo de tecnologia empregada e no produto final obtido nesses e em outros exemplos mostra como a ação inovadora pode ser aplicada para os mais variados ramos de negócios. Inovar, no Canadá, no Brasil, ou em qualquer parte do mundo, rende frutos para qualquer empresa.

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