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Governo do Canadá quer incentivar
as pequenas a inovarem
para aumentar produtividade e concorrer melhor com os EUA
Vinícius
Segalla
Canadá e Brasil são países
grandes, com muitas riquezas naturais e economia robusta. A maior
diferença entre os dois está no IDH, indicador do chamado "grau
de desenvolvimento humano" do País, que leva em conta dados sobre
educação, longevidade e renda. Mesmo o Canadá sendo mais desenvolvido
que o Brasil, os dois países são concorrentes diretos em muitos
mercados, de celulose a aviões.
No Canadá, como no Brasil,
só uma parte das pequenas empresas inova. Segundo o governo canadense,
apenas 30% das suas pequenas empresas utilizam tecnologia avançada.
Por isso, há programas para incentivar seu pequeno empresário a
inovar. A idéia é tornar os produtos canadenses mais competitivos,
principalmente para concorrer com os EUA.
Comparada à dos Estados Unidos,
a produtividade canadense deixa a desejar. Apenas em setores como
matérias-primas e recursos energéticos é que o Canadá produz mais
que os EUA. Em um setor-chave, como o de equipamentos eletrônicos,
por exemplo, os canadenses produzem o equivalente a 25% do que se
faz nos EUA. O PIB per capita do Canadá gira em torno dos US$ 30
mil anuais, enquanto que o americano chega aos US$ 50 mil.
Incentivar a pequena empresa
e a atividade inovadora são formas que o Canadá encontrou para tentar
diminuir essa diferença.
Uma das ações nesse sentido
foi a criação de um portal na Internet destinado às pequenas que
inovam. É um projeto simples, barato e, provavelmente, com retorno
rápido e garantido.
A primeira utilidade que se
verifica no portal "Innovation
in Canada" é o acesso que ele garante a serviços de tecnologia
e inovação de todo o país, servindo como fonte de informação e canal
de estreitamento de relações entre empresas, universidades, centros
de pesquisa e associações setoriais.
Há no banco de dados nada
menos que 1.700 links, que podem ser acessados através de
busca por região ou assunto. Entre os muitos temas ligados ao desenvolvimento
industrial, pode-se encontrar saídas e idéias sobre proteção de
patentes, financiamentos, investidores e novos produtos (já no mercado
ou em desenvolvimento), em sites estatais ou privados.
Entre os tópicos à disposição
do empresário que efetua uma busca na página, está o "Serviços de
Pesquisa". Nele, encontra-se o contato de mais de 15 mil pesquisadores
canadenses, além de 600 instituições de fomento à pesquisa, universidades
e associações ligadas ao desenvolvimento industrial. Em outras palavras,
o universo da pesquisa industrial do Canadá pode ser praticamente
todo acessado através de uma só página de Internet.
Em outro tópico, encontram-se
informações sobre um assunto que é tão importante para a atividade
inovadora quanto a própria pesquisa: direitos intelectuais. Vital
para assegurar as vantagens econômicas advindas da pesquisa, a garantia
dos direitos intelectuais é fonte de preocupação constante de qualquer
empresa inovadora, seja aqui ou em qualquer país.
No site canadense,
o empreendedor tem acesso a textos jurídicos sobre as leis de patentes
e proteção às marcas, opinião de especialistas e uma lista dos maiores
violadores de propriedades intelectuais no Canadá e nos EUA. Ainda
neste tema, o portal possibilita o acesso às listas de inventos
patenteados no país nos últimos 75 anos, e de marcas, produtos e
serviços registrados e sob proteção da lei. O "Innovation in Canada"
abriga também uma série de documentos oficiais do governo federal
e seus ministérios sobre a atividade de pesquisa e desenvolvimento
no país.
Exemplos inovadores
Na seção "Inovadores Canadenses", os pequenos empresários do país
enviam relatos de suas experiências inovadoras que deram certo.
Há de tudo um pouco, desde uma nova utilização, na medicina, para
a tecnologia de um braço mecânico usado em atividades espaciais,
até a criação de um alarme que avisa os pais quando uma criança
cai na piscina.
Os relatos servem para encorajar
o empreendedor. No caso do alarme para afogamentos de crianças,
o criador da inovação, batizada de "Tartaruga Salvadora", em virtude
de seu formato semelhante ao casco do réptil, conta que seu produto,
no mercado desde de 1998, vai muito bem de vendas. "Atualmente,
exportamos para os EUA, Austrália e América Latina. Nosso produto
encontra-se, inclusive, no Museu de Ciência e Tecnologia do Canadá",
afirma Bob Lyons, presidente da Terrapin Communications.
A "Tartaruga Salvadora" demorou
dois anos para ser desenvolvida e possui dois componentes: o alarme
em si, em formato de tartaruga, que deve ser colocado no braço da
criança, e um receptor de rádio que fica com os pais e apita em
caso de acidente.
Parece simples, mas a pesquisa
levou tanto tempo porque o alarme deveria possuir algumas peculiaridades.
A tartaruga não poderia apitar apenas com respingos de água ou chuva,
por exemplo. A bateria e os componentes externos deveriam ficar
isolados da água, enquanto o dispositivo que envia o sinal teria
que ser sensível à umidade e à prova d´água. Uma vez desenvolvido
o produto, foi só comercializar. Sucesso.
Um outro relato, da empresa
Med-Eng Systems, conta sobre o desenvolvimento de botas especiais,
as "botas de aranha", que auxiliam governos de países que estiveram
em guerra a desarmar as minas terrestres.
Há mais de 110 milhões de
minas antipessoais enterradas em solos do planeta, o potencial de
mercado não é pequeno. Em parceria com o Conselho Nacional de Pesquisa
do Canadá, a empresa desenvolveu as tais botas, que possuem quatro
"pernas" saindo do solado, de forma que o pé da pessoa que busca
a mina para desarmá-la fica a uma segura distância de 20 centímetros
do solo minado. Em caso de explosão acidental, a grossa camada de
borracha de que é feito o cano da bota retém eventuais estilhaços.
"As botas podem ser usadas
tanto por desarmadores de minas como por equipes de resgate, que
precisam chegar com rapidez a um campo minado em que uma pessoa
foi vítima de uma explosão", explica John Carson, diretor da Méd-Eng
Systens.
A diferença no tipo
de tecnologia empregada e no produto final obtido nesses e em outros
exemplos mostra como a ação inovadora pode ser aplicada para os
mais variados ramos de negócios. Inovar, no Canadá, no Brasil, ou
em qualquer parte do mundo, rende frutos para qualquer empresa.
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