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Software para controle
de estoques on-line faz o sucesso de empresa
nascida na incubadora da USP; um quinto da produção vai para o exterior
Dos
tanques e galpões dos clientes, onde quer que eles estejam, à tela
do computador do fornecedor. Sobre esse trajeto debruçou-se a NetVMI
Tecnologia da Informação do Brasil Ltda., que desenvolveu um sistema
capaz de monitorar os níveis de estoques de uma empresa à distância.
O produto permite, a empresas e fornecedores, visualizar a quantidade
de matérias-primas disponível para a produção em tempo real, na
tela do computador. O sistema colhe informações sobre estoques de
produtos a granel, líquidos ou gasosos e as disponibiliza em área
reservada da Internet, acessível somente por meio de senhas. Assim,
os fornecedores dos insumos podem visualizar o estoque de seu cliente,
à distância, e programar melhor o envio de produtos. O principal
objetivo do sistema é disponibilizar informações para permitir a
reposição automática de matérias-primas e assim evitar paradas desnecessárias
e aumentar a produção. VMI quer dizer Vendor Managed Inventory,
que no Brasil significa, Reposição Automática de Produtos.
A NetVMI, que para crescer contou com a ajuda da Fundação de Amparo
à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Centro Incubador
de Empresas Tecnológicas (Cietec), da USP, faturou R$ 1,5 milhão
em 2004. Paulistana, nascida em 2002, hoje a NetVMI tem entre seus
clientes 30 grandes companhias, entre elas 3M, Alcan, Basf, Colgate,
DuPont, Oxiteno e Dow Química. O sistema NetVMI já é vendido, por
representantes comerciais, a empresas nos Estados Unidos, Argentina,
Colômbia, Peru, Tailândia e Cingapura. As exportações respondem
a aproximadamente 20% das vendas.
Origem e parcerias
A NetVMI surgiu formalmente em 2002, mas a idéia da empresa existe
desde 1999. Luiz Fernando Atolini, diretor de negócios da empresa,
era um dos três sócios da IAS, fabricante de produtos para a automação
industrial. A IAS recebeu uma encomenda do exterior para desenvolver
uma tecnologia de monitoramento de estoques. "O sucesso foi muito
grande e percebemos que éramos capazes de desenvolver tecnologia
tão rápido quanto os estrangeiros", lembra Atolini. A sociedade
se desmanchou e cada parceiro resolveu montar sua própria empresa.
Por indicação de um amigo, Atolini decidiu começar a sua no centro
incubador da USP, o Cietec.
Para desenvolver o sistema, Atolini
conseguiu US$ 150 mil da Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do Programa
de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas
(Pipe). Além disso, ele mesmo recebeu uma bolsa de pesquisa
RHAE-Inovação, do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq). Com esses incentivos,
o sistema foi desenvolvido e começou a ser comercializado
em 2003.
Também financiado pelo
CNPq, o engenheiro participou em 2004 de uma missão empresarial
em Cingapura e na Tailândia, que abriu a oportunidade de novos
negócios na Ásia. Desde o início, uma das preocupações
de Atolini foi oferecer um produto de ponta. Os contatos com o exterior
serviram para a NetVMI certificar-se da qualidade de seu produto
e também fazer contatos com futuros representantes comerciais.
Ele diz que não teve dificuldades para exportar porque nasceu
com uma "filosofia global", isto é, sempre olhou
para o mercado externo.
O sistema NetVMI
O sistema NetVMI é formado por um equipamento que capta o
sinal dos medidores de nível dos estoques, nos armazéns,
e por softwares, que transformam esses sinais nos dados que
irão para a tela do computador. O sistema recebe as informações
por meio de medidores de pressão, ultra-som ou radar, e os
remete ao servidor da NetVMI, ou seu Data Center. Os dados são
processados e as informações disponibilizadas na Internet.
O acompanhamento online dos estoques permite que os dirigentes
da empresa que fornece os insumos sejam notificados sempre que as
reservas dos clientes estiverem baixas demais, evitando paradas
na produção por falta de matéria-prima.
Utilizar a Internet foi a "grande
sacada" da empresa, diz Atolini. Ele aponta duas vantagens
do sistema sobre os similares. A primeira é que disponibiliza
as informações na forma de um gráfico interativo,
pelo qual o cliente pode saber exatamente o nível de estoque
em uma data passada, verificar a movimentação total
do mês e elaborar estimativas de consumo. A outra é
o atendimento ao cliente. "O negócio da NetVMI é
vender tecnologia e serviço: nossa equipe atua 24 horas para
disponibilizar as informações sempre que o cliente
precisar", diz o diretor.
A Rhodia foi uma das primeiras
empresas a adotar o sistema, para monitorar estoques de fenol, composto
produzido pela empresa que está na base de fabricação
de fios de náilon, resinas químicas e peças
de plástico de eletrodomésticos e automóveis.
Os usuários do NetVMI pagam uma mensalidade, que depende
do número de funções utilizadas. No preço
estão incluídos serviços de manutenção
e as atualizações do sistema.
Equipe
Dos oito funcionários que trabalham em tempo integral, quatro
são engenheiros eletrônicos que desenvolvem o hardware.
Há ainda uma equipe para o atendimento aos clientes, que
telefonam ou enviam e-mail para alterar alguma configuração
de seu sistema. Para o marketing, a gestão e mesmo
o desenvolvimento de softwares, a NetVMI conta com uma rede
de colaboradores vinculados sobretudo à Universidade de São
Paulo. "Nossa consultoria financeira, por exemplo, é
fruto de uma parceria que surgiu na época em que éramos
incubados", diz Atolini. "Até hoje o Cietec provê
talentos para a NetVMI", conclui.
Igor Lopes, um dos ex-estagiários
da IAS e hoje gerente de tecnologia da NetVMI, lembra que o conceito
de Vendor Managed Inventory era muito conhecido nos Estados
Unidos, mas pouco difundido no Brasil. Vencer essa barreira ainda
é um dos principais desafios da empresa. Tanto que Atolini
acredita que, difundindo melhor o conceito do VMI no mercado interno
sem perder de vista o aumento das exportações, é
possível aumentar em 70% o faturamento de 2005 em relação
ao ano anterior.
Um dos planos de Atolini para
a NetVMI, que já atende a grandes empresas, é desenvolver
produtos derivados de seu atual sistema para atender a gigantes,
como a Petrobras. Ele diz que começou a pesquisar a aplicação
de seu equipamento para monitoramento de estoques de petróleo
e confirma que já iniciou negociações com a
empresa.
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