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Sábado :: 31 / 07 / 2010

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31 de julio de 2010
DESTAQUE - NetVMI
Software para controle de estoques on-line faz o sucesso de empresa
nascida na incubadora da USP; um quinto da produção vai para o exterior

Dos tanques e galpões dos clientes, onde quer que eles estejam, à tela do computador do fornecedor. Sobre esse trajeto debruçou-se a NetVMI Tecnologia da Informação do Brasil Ltda., que desenvolveu um sistema capaz de monitorar os níveis de estoques de uma empresa à distância. O produto permite, a empresas e fornecedores, visualizar a quantidade de matérias-primas disponível para a produção em tempo real, na tela do computador. O sistema colhe informações sobre estoques de produtos a granel, líquidos ou gasosos e as disponibiliza em área reservada da Internet, acessível somente por meio de senhas. Assim, os fornecedores dos insumos podem visualizar o estoque de seu cliente, à distância, e programar melhor o envio de produtos. O principal objetivo do sistema é disponibilizar informações para permitir a reposição automática de matérias-primas e assim evitar paradas desnecessárias e aumentar a produção. VMI quer dizer Vendor Managed Inventory, que no Brasil significa, Reposição Automática de Produtos.

A NetVMI, que para crescer contou com a ajuda da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), da USP, faturou R$ 1,5 milhão em 2004. Paulistana, nascida em 2002, hoje a NetVMI tem entre seus clientes 30 grandes companhias, entre elas 3M, Alcan, Basf, Colgate, DuPont, Oxiteno e Dow Química. O sistema NetVMI já é vendido, por representantes comerciais, a empresas nos Estados Unidos, Argentina, Colômbia, Peru, Tailândia e Cingapura. As exportações respondem a aproximadamente 20% das vendas.

Origem e parcerias
A NetVMI surgiu formalmente em 2002, mas a idéia da empresa existe desde 1999. Luiz Fernando Atolini, diretor de negócios da empresa, era um dos três sócios da IAS, fabricante de produtos para a automação industrial. A IAS recebeu uma encomenda do exterior para desenvolver uma tecnologia de monitoramento de estoques. "O sucesso foi muito grande e percebemos que éramos capazes de desenvolver tecnologia tão rápido quanto os estrangeiros", lembra Atolini. A sociedade se desmanchou e cada parceiro resolveu montar sua própria empresa. Por indicação de um amigo, Atolini decidiu começar a sua no centro incubador da USP, o Cietec.

Para desenvolver o sistema, Atolini conseguiu US$ 150 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe). Além disso, ele mesmo recebeu uma bolsa de pesquisa RHAE-Inovação, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Com esses incentivos, o sistema foi desenvolvido e começou a ser comercializado em 2003.

Também financiado pelo CNPq, o engenheiro participou em 2004 de uma missão empresarial em Cingapura e na Tailândia, que abriu a oportunidade de novos negócios na Ásia. Desde o início, uma das preocupações de Atolini foi oferecer um produto de ponta. Os contatos com o exterior serviram para a NetVMI certificar-se da qualidade de seu produto e também fazer contatos com futuros representantes comerciais. Ele diz que não teve dificuldades para exportar porque nasceu com uma "filosofia global", isto é, sempre olhou para o mercado externo.


O sistema NetVMI
O sistema NetVMI é formado por um equipamento que capta o sinal dos medidores de nível dos estoques, nos armazéns, e por softwares, que transformam esses sinais nos dados que irão para a tela do computador. O sistema recebe as informações por meio de medidores de pressão, ultra-som ou radar, e os remete ao servidor da NetVMI, ou seu Data Center. Os dados são processados e as informações disponibilizadas na Internet. O acompanhamento online dos estoques permite que os dirigentes da empresa que fornece os insumos sejam notificados sempre que as reservas dos clientes estiverem baixas demais, evitando paradas na produção por falta de matéria-prima.

Utilizar a Internet foi a "grande sacada" da empresa, diz Atolini. Ele aponta duas vantagens do sistema sobre os similares. A primeira é que disponibiliza as informações na forma de um gráfico interativo, pelo qual o cliente pode saber exatamente o nível de estoque em uma data passada, verificar a movimentação total do mês e elaborar estimativas de consumo. A outra é o atendimento ao cliente. "O negócio da NetVMI é vender tecnologia e serviço: nossa equipe atua 24 horas para disponibilizar as informações sempre que o cliente precisar", diz o diretor.

A Rhodia foi uma das primeiras empresas a adotar o sistema, para monitorar estoques de fenol, composto produzido pela empresa que está na base de fabricação de fios de náilon, resinas químicas e peças de plástico de eletrodomésticos e automóveis. Os usuários do NetVMI pagam uma mensalidade, que depende do número de funções utilizadas. No preço estão incluídos serviços de manutenção e as atualizações do sistema.


Equipe
Dos oito funcionários que trabalham em tempo integral, quatro são engenheiros eletrônicos que desenvolvem o hardware. Há ainda uma equipe para o atendimento aos clientes, que telefonam ou enviam e-mail para alterar alguma configuração de seu sistema. Para o marketing, a gestão e mesmo o desenvolvimento de softwares, a NetVMI conta com uma rede de colaboradores vinculados sobretudo à Universidade de São Paulo. "Nossa consultoria financeira, por exemplo, é fruto de uma parceria que surgiu na época em que éramos incubados", diz Atolini. "Até hoje o Cietec provê talentos para a NetVMI", conclui.

Igor Lopes, um dos ex-estagiários da IAS e hoje gerente de tecnologia da NetVMI, lembra que o conceito de Vendor Managed Inventory era muito conhecido nos Estados Unidos, mas pouco difundido no Brasil. Vencer essa barreira ainda é um dos principais desafios da empresa. Tanto que Atolini acredita que, difundindo melhor o conceito do VMI no mercado interno sem perder de vista o aumento das exportações, é possível aumentar em 70% o faturamento de 2005 em relação ao ano anterior.

Um dos planos de Atolini para a NetVMI, que já atende a grandes empresas, é desenvolver produtos derivados de seu atual sistema para atender a gigantes, como a Petrobras. Ele diz que começou a pesquisar a aplicação de seu equipamento para monitoramento de estoques de petróleo e confirma que já iniciou negociações com a empresa.

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