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Benchmarking é caminho para aperfeiçoar
sua empresa, aprendendo
com outras empresas. Leia aqui como fazer para se aproveitar disso!
Fazer benchmarking é
"comparar para crescer", diz Priscila Souza, coordenadora
de instrumentos de gestão do Instituto Euvaldo Lodi de
Santa Catarina (IEL/SC). O IEL é uma organização
nacional que faz parte do sistema CNI - Confederação
Nacional da Indústria, voltada para formar novos empreendedores.
O IEL/SC é a única instituição brasileira
credenciada pela empresa inglesa Comparison International para
aplicar a metodologia Benchmarking Industrial no Brasil, a partir
do banco de dados internacional gerenciado por ela. Priscila garante
que o benchmarking pode aumentar sua competitividade. Para isso,
é preciso comparar sua empresa às de seus concorrentes,
ou não concorrentes, desde que sejam líderes em
áreas que você quer melhorar. Priscila dá
as dicas para iniciar esse processo, que inclui visitar empresas,
aprender com elas como resolvem seus problemas e aplicar esse
novo conhecimento para melhorar a performance de sua empresa.
Para ela, o benchmarking pode ser mais proveitoso que um workshop
ou uma consultoria. "A vantagem é ver a prática",
diz. Priscila Souza concedeu esta entrevista a Adriana
Abelhão.
O
que é benchmarking?
Benchmarking é um processo sistemático e contínuo
de comparação das práticas, processos e resultados
de uma empresa com as mesmas práticas, processos e resultados
de seus concorrentes, visando melhorar sua competitividade. Essa
comparação pode ser feita também com empresas
não concorrentes, consideradas líderes nas práticas
ou processos que a empresa quer melhorar. Fazer benchmarking
é comparar para crescer.
Por que é um processo
sistemático?
O benchmarking é um processo sistemático e
contínuo. A empresa pode dizer que está fazendo benchmarking
quando eventualmente vai a uma feira e conversa com um concorrente,
ou quando visita outra empresa, mas isso é um embrião
de benchmarking. O processo de benchmarking consiste,
primeiramente, em identificar o que vai ser comparado. É
preciso ter um objetivo claro. Sem um objetivo, o empreendedor faz
uma visita a uma empresa, volta, e não sabe muito bem o que
fazer com as informações que conseguiu. Um processo
sistemático significa planejar, fazer visitas às feiras,
às empresas, e sair daí com uma informação
que realmente vai ajudar a melhorar seus processos.
Mas as empresas estão
abertas a visitas de seus concorrentes?
Visitar concorrentes geralmente é uma coisa que não
se consegue fazer. Mas não é a única opção.
Se não pensarmos num setor ou ramo de atividade específico,
se abstrairmos dessa idéia, veremos que numa indústria
existem processos que se assemelham a outros, de outras empresas,
que a princípio não são concorrentes. Por exemplo,
o processo de atendimento ao cliente, a assistência técnica.
Eles existem em várias empresas, independente do setor onde
atuam. Se quero melhorar o atendimento ao cliente, preciso identificar
qual é a empresa que está colocada numa posição
de excelência nessa questão. O ideal é não
focar numa só, mas ter várias referências.
Qual o primeiro passo para
iniciar um processo de benchmarking?
Identificar um objetivo. Qual é a área ou função
que é necessário melhorar? A área administrativa,
produtiva, comercial? A partir da definição do que
vai ser comparado, o próximo passo é identificar com
quem comparar -- o ideal é localizar uma empresa excelente
para aquele processo em foco.
Como é possível
localizar essa "empresa excelente"?
Por exemplo, entrar em contato com associações comerciais
e industriais, pesquisar na Internet ou em publicações.
A própria rede de contatos do empreendedor pode trazer essas
informações. Ele pode pedir ajuda a consultorias,
mas pode fazer por conta própria. É preciso sistematizar
o processo, fazer um planejamento de visitas, depois estudar e consolidar
as informações que conseguiu, analisar e transformar
o resultado dessa pesquisa num plano de ação. Os dados
devem ajudá-lo a tomar decisões sobre o que deve ser
melhorado.
Quais dados o empreendedor
deve colher?
Na área de logística, por exemplo, um indicador muito
utilizado é o de entregas dentro do prazo. Para o setor jornalístico
a entrega no prazo é crucial. Esse setor é um grande
candidato a ser uma referência na questão da logística,
porque nele a entrega é função crítica.
Vamos dizer que 98% das entregas de uma determinada empresa são
feitas no prazo. Não basta saber que essa empresa tem um
percentual alto. É preciso saber o que ela faz para conseguir
esse resultado. Esse deve ser o foco do benchmarking. É
isso que tem que ser explorado durante a visita. Que tecnologia
ela utiliza? Que capacitação deu a seus funcionários?
Ah! A empresa tem um sistema de informação muito eficiente,
lá na ponta tem vendedores com palmtops, usa Internet...
Vai-se coletando as informações que expliquem como
a empresa conseguiu melhorar esse processo, para, a partir daí,
voltar e tomar decisões.
Geralmente as empresas não
concorrentes estão abertas a essas visitas?
É bem mais fácil. Empresas que são referência,
geralmente, têm orgulho disso e gostam de falar e mostrar
suas práticas. Então, se não for um concorrente,
não há problema.
Depois que o empreendedor
colheu os dados e os levou para a empresa, o que ele deve fazer?
Analisar os dados. É necessário verificar como aplicar
essas boas práticas, se estão de acordo com as estratégias
da empresa, se há recursos, se vale para o setor, se aquilo
tudo faz sentido. E não adianta fazer uma vez só.
É preciso avaliar o posicionamento da empresa, tentar melhorar
e depois verificar se melhorou mesmo ou não. Os concorrentes
não ficam parados. Esse trabalho tem que ser refeito continuamente
e verificar para onde foram as referências. Se elas foram
mais além, podemos ir também.
Como pode ser feito um benchmarking
junto à concorrência?
Isso só é possível se existir um mediador.
É o caso do IEL. Fazemos benchmarking entre concorrentes,
chamado benchmarking competitivo. Somos a instituição
mediadora que garante o sigilo das informações. Não
se vêem os dados das empresas em particular.
Como funciona essa metodologia?
Funciona a partir da comparação dos dados da empresa
a um banco de dados com informações de um grupo de
empresas de um mesmo setor. Somos a única instituição
credenciada pela gestora do banco de dados internacional, a Comparison
International, a aplicar a metodologia benchmarking industrial
a partir desses dados, no Brasil. Essa metodologia está voltada
para grandes empresas. Estamos constituindo também um banco
de dados para a pequena empresa. Atualmente avaliamos grupos organizados
em Arranjos Produtivos Locais (APLs). Um banco de dados específico
para aplicar o benchmarking competitivo entre pequenas empresas
de base tecnológica está em processo de desenvolvimento
no IEL. Estamos fazendo algumas adaptações, mas o
sistema ainda não está disponível.
O benchmarking
é mais eficiente do que, por exemplo, participar de workshops
ou palestras sobre um determinado assunto de interesse da empresa?
A vantagem é ver a prática. Não é ruim
assistir uma palestra de um consultor, mas ver o processo é
algo totalmente diferente.
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